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Lee Konitz, mestre do improviso, disco novo aos 89 anos

12 / fev
Publicado por José Teles às 12:41

Lee Konitz grava com o pianista Kenny Barron (foto: divulgação)
Lee Konitz grava com o pianista Kenny Barron (foto: divulgação)

Frescalalto (Impulse) é jazz à moda antiga, um disco de uma lenda do sax, Lee Konitz, um dos criadores do cool jazz, tocando no grupo de Miles Davis em discos como The Birth of Cool. Aos 89 anos ele não é mais de aventuras, mas tampouco optou pelo caminho das pedras. Soa suave, simples, o que também pode ser uma forma de transgredir. Lee Konitz continua sendo um dos mais sofisticados e originais nomes do sax, dos poucos que escapou ao fascínio de Charlie Parker, e traçou seu próprio estilo.

Numa época em que a música estilhaçou-se em uma miríade de nuances, ele reuniu o pianista Kenny Barron, o baixista Peter Washington, e o baterista Kenny Washington, todos velhos camaradas, todos reconhecidamente craques, para realizar este álbum ensolarado, com sabor de passado, mas não nostálgico. Frescalalto é jazz acústico vintage, de um dos últimos remanescentes de uma época de gigantes.


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Obviamente às vésperas dos 90 anos, não se toca sax alto com o mesmo vigor de um músico de 35, mas Konitz continua um dos maiores do jazz nas improvisações elegantes, e que driblam sempre o óbvio. Ele ousa abrir o disco com um solitário solo de sax no standard Stela by Starlight (Ned Washington/Victor Young, 1947), uma das mais longas do álbum, com quase dez minutos,  e faz um scat, com voz evidentemente trêmula, mas afinada, em Darn That Dream (Eddie DeLange, Jimmy Van Heusen, 1939).

O repertório é mesclados com temas autorais, feito Kary’s Trance (1956),  é constante no repertório de show de Konitz. Gundula, também dele, é a única balada do disco, seguida pela mais arrojada uma versão hard bop de Invitation (Kraper/Webster, 1952), com mudanças sutis de andamento. Frescalalto fecha com Cherokee (Ray Noble, 1938), inicialmente, numa versão cool, para acelerar o andamento mais adiante, o momento de o pianista Kenny Barron esmerar-se num improviso impecável. A propósito, Lee Konitz está com outro álbum engatilhado, um duo com o pianista Dan Tepfer.

Confiram Lee Konitz, numa versão ao vivo de Cherokee, em 2012:


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