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Rolling Stone nacional, dos anos 70, disponível na Internet

11 / mar
Publicado por José Teles às 10:59

Número zero do Rolling Stone nacional,1971
Número zero do Rolling Stone nacional,1971

Entre 1971 e 1973, o jornal americano, contracultural, Rolling Stone, circulou em edição nacional. Há anos fora de catálogo, exemplares trocando de mãos por preços altíssismos, o RS está agora na Internet para consulta e leitura gratuita. o carioca Cristiano Grimaldi, pesquisador e colecionador, disponibilizou todas as edições do Rolling Stone no blog Pedra Rolante (https://www.pedrarolante.com.br/#edicao).

Estão lá hospedados todos os 32 números da RS nacional, incluindo o número zero (com Gal Costa na capa).  Embora tenha tido existência curta (leia matéria abaixo), o Rolling Stones foi bastante influente, está em letra de música dos Mutantes, era lido pelos alternativos da época, e trouxe,com menos defasagem, informações sobre as mudanças de comportamento e musicais que aconteciam na Europa e EUA.

O jornal acabaria logo, e logo surgiram mais jornais e revistas numa linha editorial parecida. É o marco da imprensa de rock no Brasil. Um projeto que merecia ser continuado por outros empreendedores, trazendo de volta, em edição digitalizada, publicações como O Bondinho, Jornal de Musica, A Flor do Mal, leitura da geração do desbunde no Brasil.

A matéria abaixo, assinada pelo titular deste blog, foi publicada no Jornal do Commercio, do Recife, quando a primeira edição nacional do jornal Rolling Stone completou 40 anos, em 20 novembro de  2011.

Há 40 anos era publicada a primeira edição brasileira do Rolling Stone

“Uma Gal Costa hippie e sorridente ilustrava a capa do número zero do jornal Rolling Stone nacional, distribuído como divulgação há exatos 40 anos. Em 1972, a linha dura havia tomado o poder, a ditadura continuava barra pesada, e paradoxalmente importava-se para o Brasil o libertário, anárquico, contracultural jornal americano, fundado em 1967, em San Francisco, na Califórnia, por um jovem de 21 anos, Jan Wenner, com US7. 500. Desde o primeiro número, que trazia John Lennon na capa, o Rolling Stone foi adotado pela geração que pretendia mudar o mundo, e disseminar suas idéias pelo planeta.

Um jovem físico inglês, Michael J.Killinback, veio trabalhar no Rio de Janeiro e, entusiasmado com o RS americano teve a idéia de publicar uma edição em português. Para isso se associou a outros compatriotas Stephen A.Banks, Stephane Giles Escat, e Theodore George, e conseguiu o licenciamento para que a empreitada fosse realizada.


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Como estrangeiros eram legalmente proibidos de serem editores de um jornal no Brasil, convidou-se o jornalista, escritor, redator gaúcho, Luiz Carlos Maciel para dirigir o Rolling Stone nacional: “Na época eu ainda estava ligado ao Pasquim. Havia brigado, saído, e voltado”, diz Maciel, que foi um dos fundadores do mais célebre jornal alternativo do país. No Pasquim ele assinava a pioneira coluna Underground, e que abordava os mesmos temas que o Rolling Stone.

O primeiro número a ser vendido em banca só foi publicado em janeiro de 1972: “O número zero é hoje muito raro, porque foi feito para levantar anúncios. Conseguimos apenas que as gravadoras anunciassem, mas deu para tocar o jornal”, diz Luiz Carlos Maciel. Considerado na época um dos gurus do udigrudi nacional, não foi difícil trazer para o jornal colaboradores como Jorge Mautner, Ezequiel Neves, Joel Macedo. Quinzenal, o RS tornou-se aqui também porta-voz de uma efervescente, atarantada, contracultura na grandes cidades do país.

O jornal abriu páginas para jovens, ainda desconhecidos, escreverem sobre I-ching, macrobiótica, extraterrestres, e rock and roll: “O jornal teve esta importância, vários nomes hoje conhecidos no jornalismo cultural surgiram no Rolling Stone, Okky de Souza foi um deles”, comenta Maciel.

No entanto, vendas e as gravadoras não sustentaram a circulação do RS brasileiro. e os ingleses desistiram de continuar tocando o jornal, que continuou sem autorização dos editores americanos, e assumidamente pirata, a palavra impressa na capa abaixo do nome Rolling Stone: “Era para o jornal parar de circular, mas o pessoal da redação queria continuar, e continuou, embora não tenha demorado muito”, conta Luiz Carlos Maciel.

Hoje o Brasil tem novamente uma edição da Rolling Stone, agora uma revista chique, bancada por anúncios de grandes empresas: “O Rolling Stone foi um jornal para aquela época, tinha a ver com o que acontecia naquele momento, hoje é outra coisa. Cheguei a olhar um número desta Rolling Stone atual, achei uma merda, não voltei a ler”, diz Luiz Carlos Maciel.

Confiram os Mutantes, no áudio de Rolling Stone (1972):

 

 

 

 


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