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Ijexáfunkafrobeat, o consistente afrobeat do grupo baiano Ifá

17 / mar
Publicado por José Teles às 19:46

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Com bem menos visibilidade fora de Salvador do que o conterrâneo BaianaSystem, que caiu nas graças da turma alternativa, o Ifá, grupo soteropolitano, surgido em 2013, chega com o álbum de estreia, Ijexáfunkafrobeat, do final do ano passado, que estampa na contracapa o selo do Natura Musical. O grupo até então lançara um EP, IFÁ Afrobeat + Okwei V Odili (2015.

Como é comum às bandas que navegam nas águas do afrobeat, a Ifá é formada por muitos integrantes: Fabricio Mota (Baixo), Jorge Dubman (Bateria e Agogô), Vinicius Freitas (Sax Barítono), Normando Mendes (Trompete), Léo Couto (Sax Tenor), Alexandre Espinheira,(Percussão), Átila Santtana (Guitarra), Prince Áddamo (Guitarra), e Juliano Oliveira (Teclados), mais Junix, guitarrista convidado. A produção é dos integrantes do próprio Ifá.

Ijexáfunkafrobeat, tem ótima definição sonora, e no time dos seguidores de Fela Anikulapo Kuti, estes baianos são provavelmente os mais fiéis às matrizes do gênero, com instrumentação contemporânea, mas sem prescindir dos metais, marca registrada do afrobeat. Fela Kuti empregou sua música como uma arma para combater fascistas, parafraseando Woody Guthrie (que trazia no violão, no banjo, o slogan “Esta máquina mata fascistas”). Uma das suas inovações foi a canção com letra quase dissociada da música.

Fela e banda incursionavam por longas e viajadas introduções instrumentais, frases repetidas, e improvisos que podiam se estender por 30 minutos, até que, finalmente, ele resolvesse cantar suas diatribes contra o governo nigeriano. O que lhe rendeu prisões, espancamentos e censura durante quase toda carreira. A Ifá fica no instrumental, apenas uma das faixas, Quintessência não foi composta pelos músicos do grupo. É assinada pelo maestro Letieres Leite, que faz uma participação especial tocando flautas.

Nelson Maca (paranaense, na Bahia há 25 anos, professor universitário, e ativista no Coletivo Blackitude) assina o texto do encarte, em que cita os múltiplos ingredientes que fazem a música do Ifá, que introduz no afrobeat os batuques de terreiro, e ritmos que têm surgido nas últimas três décadas Salvador. Como esse ritmos também, em grande parte, têm origem africana, fica tudo em casa. Em faixas, como Templo, a Ifá vai além do afrobeat, se aproxima mais do jazz, com belos improvisos de flauta de Vinicius Freitas, e Nilton Azevedo.

O nome do grupo está embutido nas iniciais dos ritmos aglutinados no título do álbum,  Ijexáfunkafrobeat, embora Ifá seja também um oráculo no candomblé (termo de origem iorubá). Independente de nome, a Ifá é o mais consistente dos grupo brasileiros de afrobeat. Não se limita ao entretenimento puro e simples, misturebas que juntam alhos com bugalhos. Não diluem o gênero, o reprocessam, com boas composições e uma qualidade instrumental impecável.

Confiram o Ifá, em Templo, primeiro single do álbum:


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