19
abr

Do Amor volta ao disco com título provocador

19 / abr
Publicado por José Teles às 14:46

14925250476c10658435c6e88cc0baa74770eaf3d5

Fodido Demais é uma expressão que tanto pode significar uma situação extremamente difícil, ou algo muito bom, coisas da maleabilidade do português falado no Brasil. Em tempos que, felizmente, vão cada vez mais longe, era impensável um álbum com um título assim. E este é o nome do terceiro disco da banda carioca Do Amor, o primeiro desde Piracema, de quatro anos atrás. O grupo surgiu como uma das promessas de uma leva de congêneres rotulados de indie, foi coberto de elogios, mas depois deu uma desacelerada.

Não estourou, mas ganhou prestígio, o que lhe garante convidados especiais como o duolisboeta Os Quais (faixa gravada no estúdio do baterista Fred Ferreira, músico português, que formou na Banda do Mar) e a banda londrina  A.J. Holmes & The Hackney Empire. Lançado com selo da Balaclava Records, Fodido Demais tem onze canções, num estilo que poderia ser classificado de indie com tempero lisérgico.

O quarteto, Ricardo Dias Gomes, Marcelo Callado, Gustavo Benjão e Gabriel Bubu, não destila mais a energia, juvenilidade e bom humor do primeiro álbum, porém está menos pretensioso do que no segundo. Fodidos Demais, Ainda continuam com cacoetes de álbuns anteriores, por exemplo, fazendo citações,. Em Aviso Diz, uma balada rock, que lembra os Titãs, aparece um sutil refrão de “Take My Breath Way” (hit do grupo Berlin, de 1986).

Na faixa título baixa a pretensão, com citações do livro Do Amor, de Stendhal, com guitarras distorcidas, meio Velvet Underground. Mas a banda faz opção pelo ecletismo, no disco tem até um frevo, ou uma tentativa de se fazer um frevo. Arnaldo Antunes é o convidado de Frevo da Razão,  aberto com som de guitarra baiana, a levada é de galope, com Arnaldo caprichando nos graves.

Carnavalizando o indie, a Do Amor vai de samba, um partido alto, Minhas Vozes, e aplica uma levada de da tradicional Marinheiro Só (com música paraense) em Metaleiro Vento, que tem o bom humor do disco de estreia (esta é remanescente das sessões de Piracema).  Fodido Demais neste caso não se encaixa em nenhum dos significados da expressão. Nem É fodido demais de bom, nem fodido demais de ruim. É um disco com momentos bons e ruins. Médio.

Confiram a Do Amor, ao vivo, em Frevo da Razão:


Veja também