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jul

Laibach lança álbum inspirado em Friedrich Nietzsche

14 / jul
Publicado por José Teles às 21:09

Also Sprach Zarathustra, o quase impenetrável romance de Friedrich Nietzsche, de onde o nazismo tomou emprestado o termo übermensch (super-homem), um livro de extremos, dá título ao novo disco do não menos impenetrável grupo esloveno Laibach. Na estrada há 35 anos, quando a Eslovênia ainda era parte da Iugoslávia, o Laibach desde o começo incursiona sobre temas identificados com o totalitarismo, indiferente à crítica ou a público, adjetivos ou rótulos que lhe são impostos.

Em sua obra a banda não faz a menor concessão, com um estilo irrotulável. Já se tentou encaixa-la no nicho do rock industrial, porém a Laibach não faz rock, em nenhuma de suas variações. Avant-garde industrial é como a define a crítica americana. Mas o Laibach faz a música do Laibach. O que a caracteriza é a provocação. Regravou, por exemplo, o álbum Let it Be, do Beatles (mas deixou a canção título de fora). Suas provocações não se limitam aos discos.

Em 2015, tornou-se a primeira banda ocidental a se apresentar na Coréia do Norte, numa turnê ironicamente batizada de Dia da Libertação (Liberation Day Tour), marcando os 70 anos em que a Coreia se libertou do domínio japonês, com o final da II Guerra Mundial. No show na capital coreana apresentou um repertório formado em parte por canções do musical A Noviça Rebelde (The Sound of Music, música de Rodgers/Hammerstein).

A música do álbum Assim Falou Zaratustra é baseada na trilha sonora do musical do autor esloveno Matjaž Berger, que adaptou o livro de Nietzsche para o teatro. O Laibach chega perto do rotulável neste disco: o experimental. Aqui não há canções convencionais. Das doze faixas, cinco são instrumentais, com camadas superpostas de sons sintetizados. As outras são faladas/declamadas, em alemão no timbre gutural do vocalista Eber, fundador do grupo. Vor Sonnen Aufgang , penúltima faixa, é mais próximo que Laibach chega da canção convencional, com vocais femininos.

De início wagneriano, com o tema Von Sonnen Untergang, o disco termina com Von Den Drei Verwandlungen, “Das Três Metamorfoses”, que introduz Assim Falava Zaratustra. O que é, portanto, introdução do livro, aqui é o final do disco, difícil como o texto de Nietzsche.

A faixa dura 7 minutos e 29 segundos de um ruído, semelhante ao som de algo se movendo em alta velocidade (acima ou abaixo, não se sabe), lembra os acordes finais de A Day in the Life, que fecha o Sgt Pepper’s, dos Beatles. É longo, enervante. O ruído afasta-se, retorna, e termina com um fade out. Muito barulho por nada? Talvez, mas mexe com quem o escuta. O propósito da arte é este: levar a reflexões, questionamentos e inquietações.

Confiram a Laibach no clipe oficial de Vor Sonnen – Aufgang:

 

 

 

 


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