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The Rising Storm, a banda desconhecida mais famosa do mundo

20 / set
Publicado por José Teles às 7:39

The Rising Storm animando bailinhos em 1967

That Thing You Do é um pequeno grande filme de Tom Hanks, de 1996. No Brasil chamou-se The Wonders – O Sonho Não Acabou. Como é bastante comum em filme gringo que passa no Brasil, é danado pro título dizer o inverso da história. Feito Easy Rider (1968) de Dennis Hopper, que aqui batizaram de Sem Destino. Ora, os dois motociclistas que protagonizam o filme, Dennis Hopper e Peter Fonda, viajam com destino certo e sabido: vão pro Mardi Gras, o carnaval de Nova Orleans.

The Wonders – O Sonho não acabou conta a história de uma bandinha de garagem que, depois de muita treta interna, é contratada por uma pequena gravadora. Quando o single de estreia, cujo título dá nome ao filme, está começando a subir nas paradas, o vocalista se invoca, e no meio da primeira turnê deixa a banda. The Wonders se torna mais uma one hit wonder, grosso modo, artista de um único sucesso. Para ela, ao contrário do título, o sonho acabou. Bandas como a The Wonders existiram e vão existir sempre.

A americana The Rising Storm, cuja carreira vai de 1965 a 1967, poderia ser mais uma, entre as milhares de bandinhas de garagem, passaram sem deixar vestígios. O grupo foi formado por adolescentes do ensino médio, na Phillips Academy, em Andover, Massachussets, por Bob Cohan (guitarra), Todd Cohen (baixo), Charlie Rockwell (teclados), Tom Scheft (bateria), Tony Thompson (guitarra e vocal) e Rich Weinberg (guitarra e vocal).

Talvez nem fosse preciso citar nomes, a Rising Storm não decolou. Pouca gente escutou Calm Before, seu primeiro e único álbum, em 1967. Eles tampouco tinham pretensão ao sucesso. Foram feitas apenas 500 cópias do LP. No ano seguinte, a banda acabou. Os rapazes entraram na faculdade. Cada qual seguiu um rumo na vida.

Voltaram a se encontrar nos anos 80, todos já formados, e estabelecidos na vida. Continuaram com a banda, mais ou menos como um hobby, agora já aparecendo nas enciclopédias especializadas, convidados para reuniões de fãs de bandas de garagem.

Com o interesse em discos de vinil, em raridades dos anos 60, a cotação do álbum de estreia da Rising Storm foi para a estratosfera. Cópias do disco trocaram de mãos por até dez mil dólares. O interesse passou do disco para a banda, coberta de elogios no livro Unknown Legends of Rock ‘n’ Roll, (Lendas Desconhecidas do Rock ‘n’ Roll) de Ritchie Unterberg.

A música do Rising Storm é de primeiríssima, quase toda de originais, com alguns covers (um deles é In the Midnight Hour, da Wilson Pickett).  Como toda banda de garagem, as falhas são facilmente detectáveis. O que o pessoal toca só dá pro gasto. Mas a inépcia é compensada pelo envolvimento com o que fazem. Calm Before traz algumas pérolas pop que resistiram ao tempo.

The Rising Storm é comparável a algumas das melhores bandas do gênero, Count Five, The Remains, ou Monks. O único erro do grupo foi gravar mais dois álbuns (Alive Again at Andover, em 1983 e Second Wind, em 1999). Se ficasse no LP de estreia seria perfeito. A chama criativa de bandinhas de garagem tem vida curta.

Em julho de 2017, o sexteto celebrou, em Boston, o cinquentenário, agora mais famoso do que jamais imaginaram ser quando faziam o curso médio, e tocavam em bailinhos para colegiais. O New York Times publicou uma longa matéria sobre a reunião da The Rising Storms. Os músicos, alguns já setentões, ou chegando aos 70, estão com a agenda cheia. Calm Before foi relançado em CD e vinil, e um documentário está sendo feito sobre o grupo. Este filme, sim, merece o subtítulo “o sonho não acabou”.

Confiram The Rising Storm em Don’t Look Back:

 

 


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