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set

Gizmodrome acerta na mistura de pop com rock progressivo

20 / set
Publicado por José Teles às 18:50

Eric Clapton, Ginger Baker e Jack Bruce formaram, em 1966, o Cream, senão o primeiro, o mais badalado dos supergrupos de rock. Os três eram respeitadíssimos na cena de blues londrina, mesmo assim receberam mais críticas desfavoráveis que do que elogios, tanto os discos, quanto os concertos, um duelo de egos que, não raro, resvalava para a autoindulgência.

Supergrupos nunca funcionaram a contento. Indiferente a isso, supergrupos continuam sendo formados. Um dos mais recente é o Gizmodrome, que já está com o álbum de estreia (com o mesmo nome da banda) em circulação. Stewart Copeland (The Police), Mark King (Level 42), Adrian Belew (ex-King Crimson, David Bowie, Frank Zappa) e Vittorio Cosma, este último, cantor e multi-instrumentista italiano, mais conhecido na Itália, onde o disco foi gravado.

Pela origem dos quatro esperava-se música com um viés progressivo. Não deu outra. O Gizmodrome uma banda de pop progressivo. Stewart, um dos mais influentes bateristas do rock, que mal abria a boca no The Police, é o principal vocalista do grupo, mas todos cantam, e bem. E fazem também música boa.

Mais do que isso, a Gizmodrome tem uma sonoridade absolutamente diferente de qualquer grupo pop contemporâneo. Mal comparando, é como se de repente o The Police se transformasse no Talking Heads, com a sofisticação rítmica e harmônica de Frank Zappa.

Soam com um grupo, mas mantêm as individualidades. Na faixa Spin This, por exemplo, Adrian Belew faz um solo que caberia bem no King Crimson, enquanto Mark King joga um contrabaixo pesado dialogando com a bateria de Stewart Copeland. Conseguem ser pop, sem abdicar da técnica esmerada quando tocam.

Strange Things Happens é o provável hit do álbum, é a mais pop das doze faixas. Copeland, o autor, diz que a música estava há décadas na gaveta. É um reggae, mas saindo do compasso tradicional do gênero, com uma melodia contagiosa, e um arranjo engenhoso, com  ótimas harmonias vocais.

Stewart Copeland engata uma levada meio maracatu em Zubatta Cheve, espécie de reggaeton progressivo, mais uma candidata a hit, mesmo que seja vcantada em italiano. O acompanhamento é como se cada um tivesse tocando uma música diferente. Mas há ordem e beleza neste caos.

Todos os arranjos do álbum são muito bons, inclusive o de Stark Naked, instrumental que fecha o repertório. Como geralmente acontece com supergrupos, o Gizmodrome deve ter vida curta, afinal cada integrante tem seus projetos próprios, e idiossincrasias que acaba influindo na continuidade do grupo;  E até que bom que dure pouco. Dificilmente, o quarteto irá fazer um disco melhor que este.

Confiram a Gizmodrome em Zubatta Cheve:


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