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Wilson Pickett com o melhor que gravou entre 1965 e 1972

27 / nov
Publicado por José Teles às 10:59

Em 11 de maio de 1965, Wilson Pickett e o guitarrista Steve Cropper tiravam um som, num quarto de um Holiday in, em Memphis. Cropper com a Fender Telecaster desplugada, Pickett com um violão. Os dois passaram a tocar uma levada, em dois acordes. A letra praticamente parodiando um gospel. Bastou trocar “Jesus” por “Girl”. Entre os dois acordes abria-se um espaço com uma infinidade de opções para preenchê-lo.

Donald Duck Dunn, bateria, e Al Jackson, baixo, preencheram parte do espaço, afinal era uma canção baseada mais em cima do ritmo do que da melodia. Steve Cropper tocava riffs sincopados econômicos, cada um deles coincidindo com a baqueta de Dunn tocando no prato da bateria, Mal se escuta o piano de Joe Hall, as intervenções de sax de Floyd Newman em contraponto ao canto de Pickett (tem mais dois sax e um trompete). Ao produtor Jerry Wexler bastou a sacada de um mandar ver um pouco de delay.

Estava pronta In the midnight hour, que definiria a soul music, o som do estúdio da Stax, receberia centenas de regravações, uma influência que seria exercida mundo afora. Uma música à qual o adjetivo “seminal” é quase obrigatório. Mas faça-se justiça a um grupo de rhythm and blues, The Lark, que obteve um sucesso menor com The Jerk, uma tentativa de emplacar mais uma dança da moda. Os dois acordes e a levada de In the midnight hour foram assumidamente chupadas de The Jerk.

Pickett ganha uma homenagem nos dez anos de morte (na verdade onze, faleceu em 2006), a caixa Wilson Pickett: the complete Atlantic albums collection (Atlantic/Rhino). São dez CDs, que abrangem os sete anos do cantor na gravadora. A fase de mais vigor, inovação, vai até 1969, quando gravou uma matadora versão de Hey Jude (Lennon/MCartney).

Uma época em que se gravavam dois, até três álbuns num só ano. Pickett lançou apenas um em 1966, The Exciting Wilson Pickett, do clássico Land of 1.000 dances. E, 1967, lançou dois, The Wicked Pickett e The sound of Wilson Pickett. O primeiro tem outra marcante, Mustang Sally, o Segundo Funky Broadway.

Bobby Wommack era o principal fornecedor de canções para Wilson Pickett. Sua música predomina nos dois álbuns gravados em 1968, I’m in love e Midnight mover. Por esta época, a black music americana, sobretudo o soul, e o pop da Motown, embora continuasse forte nas paradas, deixou perdeu pique deixou de ser tanto criativa quanto influente.

Wilson Pickett inclina-separa o rock, que não era a dele. Hey Jude (1969) traz uma versão soul de Born to be wild,  o irado hit do Steppenwolf, que não se encaixa no estilo de Pickett. Pior seria no álbum Right on (1970), em que ele grava a juvenil Sugar sugar, composta para Os Archies, um grupo que nem existia, era personagem de desenho animado.

Ele se recupera com o próximo álbum, com a ajuda de Jerry Butler, fez In Philadelphia, um volta ao soul, em algumas faixas notáveis, como Enginer nr.9. Os arranjos o reaproximam de seus primeiros discos, e ele imprime soul a cada uma das faixas, sem se preocupar com as paradas. O disco final da caixa é Don’t knock my love (1972), uma compilação de canções lançadas em compactos, destaque para a balada soul Pledging my love, na linha de Otis Redding.

Confiram Wilson Pickett em Land of 1.000 dances:


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