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04
set

Coreia do Norte prepara o sétimo teste com míssil para passar recado à China

04 / set
Publicado por Leonardo Spinelli às 16:30

Líder norte-coreano, Kim Jong-un (centro), roubou o protagonismo do presidente chinês, Xi Jinping. Divulgação, Coreia do Norte / AFP

Enquanto os Estados Unidos articulam medidas mais duras contra a Coreia do Norte, em resposta a seu sexto e mais potente teste nuclear, o pequeno país comunista de Kim Jong-un prepara o sétimo teste com míssil balístico de longo alcance, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap news, embora não tenha divulgado detalhes específicos. A fonte da notícia seria um relato da agência de espionagem da Coreia do Sul a parlamentares do país.

Segundo o Ministério sul-coreano da Defesa, um dia depois de Pyongyang anunciar o “sucesso” de um teste nuclear e de reivindicar a posse de uma bomba H, há indícios de que a Coreia do Norte “prepara um novo disparo de míssil balístico”. O ministro sul-coreano da Defesa, Song Young-Moo, disse ainda que seu país acredita que a Coreia do Norte miniaturizou com sucesso uma arma nuclear para que seja instalada em uma ogiva.
“Acreditamos que entra em um míssil balístico intercontinental”, declarou o ministro aos deputados no Parlamento, depois do mais potente teste nuclear realizado por Pyongyang até o momento. Nesse contexto, Seul e Washington reforçarão o escudo de defesas antimísseis (THAAD) já instalado na Coreia do Sul, informou a pasta.

“Muito em breve serão deslocados temporariamente outros quatro lançadores restantes, após consultas entre Coreia do Sul e Estados Unidos, para contra-atacar as crescentes ameaças nucleares e de mísseis procedentes do Norte”, acrescentou.
O anúncio foi feito algumas horas depois de a Coreia do Sul realizar um exercício com mísseis balísticos em resposta ao teste nuclear norte-coreano de domingo.

No treinamento, foram utilizados “mísseis balísticos sul-coreanos do tipo Hyunmoo e caças F-15K”. O alcance dos alvos simulados foi equivalente à distância da área de testes nucleares norte-coreano Punggye-ri, na região nordeste do país. Em fotografias divulgadas por Seul, os mísseis Hyunmoo aparecem em uma rampa de lançamento na costa leste do país.

Após o teste, o governo dos Estados Unidos advertiu que poderia dar uma “reposta maciça militar” ante qualquer ameaça da Coreia do Norte. O presidente Donald Trump denunciou ações “muito hostis e perigosas para os Estados Unidos” por parte de Pyongyang, antes de liderar uma reunião com sua equipe de Segurança Nacional, incluindo o secretário da Defesa, Jim Mattis, na Casa Branca.

Os EUA pediram ao Conselho de Segurança da ONU, nesta segunda-feira (4), que imponha “as medidas mais duras possíveis” contra a Coreia do Norte. Apenas as sanções mais duras vão nos possibilitar resolver esse problema pela diplomacia”, alegou a embaixadora dos EUA na organização, Nikki Haley, em uma reunião de emergência do órgão.

O embaixador sul-coreano Cho Tae-Yul aperta a mão da embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley. Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou reunião de urgência nesta segunda, 4 de setembro. STEPHANIE KEITH / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

 

Os testes da Coreia do Norte deixaram apreensivos até mesmo os organizadores dos Jogos Olímpicos de Inverno marcado para acontecer entre os dias 9 e 25 de fevereiro de 2018. “Evidentemente acompanhamos de perto a situação. Estamos em contato com todos os países envolvidos”, informou o Comitê Olímpico Internacional (COI) em e-mail enviado à AFP.

RECADO À CHINA

Para especialistas em Coreia do Norte, o último teste nuclear pode ser percebido como uma maneira de pressionar a China a convencer Washington a abrir um diálogo com Pyongyang. O sexto teste atômico de Pyongyang, de longe o mais potente, coincidiu no domingo (3) com a abertura na China da cúpula do Brics (acrônimo para se referir a Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Ao realizá-lo, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, roubou o protagonismo do presidente chinês, Xi Jinping, enquanto Pequim continua a ser, teoricamente, o principal aliado do regime de Pyongyang. Sinal do desconforto do regime chinês frente a essa afronta, o teste nuclear norte-coreano foi mencionado de forma protocolar nesta segunda-feira na imprensa oficial do país. Já o Pentágono evocou “uma resposta militar enérgica”, agitando a possibilidade de uma guerra às portas da China.

“Com esse último teste, Kim Jong-un parece querer pressionar os líderes chineses”, disse David Kelly à AFP. Kelly trabalha no centro de pesquisa China Policy, com sede em Pequim. “Em suma, a mensagem é: ninguém brinca com a minha cara”, diz esse especialista em questões geopolíticas. Segundo ele, Kim Jong-un tem a impressão de que é “a vítima do jogo entre Washington e Pequim”.

No início de 2017, a China suspendeu a compra de carvão da Coreia do Norte, uma fonte de receita crucial para a dinastia dos Kim, e aprovou as sete séries de sanções adotadas este ano pela comunidade internacional. Destinatário de 90% das exportações norte-coreanas, o gigante asiático continua, porém, na mira do presidente americano, Donald Trump, que exige mais pressão sobre o turbulento vizinho. Trump ameaçou suspender as relações comerciais com os países que fazem negócios com a Coreia do Norte. Nesse sentido, Pyongyang procura mostrar que “novas sanções vão ter o mesmo efeito”, ou seja, novos testes nucleares e de mísseis, explica Kelly.

 

Enquanto isso, a AFP reportou que o presidente americano, Donald Trump, faz o jogo de Pyongyang e corre o risco de enfraquecer uma aliança de décadas com a Coreia do Sul, a qual criticou após o teste nuclear norte-coreano, ameaçando romper um acordo comercial. Mais de 24 horas depois do anúncio de Pyongyang, Trump não teria conversado com o presidente sul-coreano, Moon Jae-In, embora tenha tratado do assunto com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.

Em uma série de tuítes após o teste nuclear de domingo (3), Trump denunciou a atitude da Coreia do Norte, mas também emitiu críticas ao Sul. Enquanto isso, um navio militar dos EUA realizou pesquisa submarina na base de Jeju. Além disso, a Agência sul-coreana Yonhap informou que Trump e o president da Coreia do Sul, Moon Jae-in, concordam utilizar os limites da carga útil de mísseis sul-coreanos, reportou a AFP.

“A Coreia do Sul já se deu conta, como lhes disse: um apaziguamento com a Coreia do Norte não funcionará, entendem apenas uma coisa!”, tuitou, dirigindo-se a Moon, defensor do diálogo com o regime de Kim Jong-un.
No sábado (2), Trump disse que avalia a possibilidade de retirar seu país do acordo de livre-comércio com a Coreia do Sul, um texto que, segundo os especialistas, é um dos pilares da estreita relação entre dois países aliados há quase 70 anos.
Os ataques de Trump contra Seul surpreenderam. Os especialistas estão convencidos de que esses tuítes intempestivos agravam a situação em plena crise internacional.


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