publicidade
19
mar

Enquanto atividade econômica anda a passos lentos, reforma fiscal fica pra depois

19 / mar
Publicado por Leonardo Spinelli às 19:12

Previdência é uma reforma de longo prazo e vai ter que ser tratada nessa eleição, diz Jatobá. Foto: Ricardo B. Labastier / Acervo JC Imagem

Num momento em que o governo abandonou a pauta econômica e o ajuste fiscal para se deter na questão da segurança pública, o Banco Central divulgou nesta segunda (19) que a atividade econômica em janeiro registrou uma pequena retração de 0,56% em relação a dezembro. Apesar da redução, não há perspectiva de curto prazo que mude o cenário de retomada lenta da economia. Já a questão fiscal, no entanto, pressiona as contas do governo num médio e longo prazo e, portanto, é um tema que deverá ser abordado obrigatoriamente pelo próximo presidente da República.

O número do Banco Central consta no Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), mostrando que o comportamento no mês de janeiro foi influenciado pela queda de 2,4% da produção industrial, avanço de 0,9% do varejo e recuo de 1,9% do volume de serviços. Na comparação de janeiro de 2017 com janeiro de 2018, no entanto, o ICB-Br mostra um crescimento de 2,97%. O ICB-Br é conhecido como o “PIB do Banco Central”.

“A rigor o índice do BC confirma a tendência que já se esperava, com a atividade economica mostrando padrão de recuperação modesto, nada dramático. A gente vem notando que os números intensos desapareceram da rotina, não têm acontencido mais. A recuperação é bem lenta, é modesta e acontece ainda de forma incipiente. Apesar da melhora, não há cenário de crescimento forte”, comenta o economista-chefe da da Nova Futura Investimentos, Pedro Silveira.

Dessa maneira, acredita o diretor-executivo da Finacap, Luiz Fernando Araújo, a previsão é de recuperação contínua ao longo do ano. “Talvez esse número do BC legitime a redução da Selic nesta quarta-feira. Projetamos uma nova redução de 0,25 pontos na taxa de 6,75% ao ano. A inflação está baixa a economia ainda não se recuperou e com isso a dúvida do mercado é em relação a 2019. Qual será a intensidade da Selic para o próximo ano e isso afeta as apostas para quem está no pré-fixado. Se a atividade voltar muito rápido, é necessário subir os juros para segurar a inflação. Caso contrário, a inflação vai ficar parada e os juros também passarão mais tempo estacionado”, diz, salientando que espera uma Selic de 8% para o ano que vem.

“Tem a questã política. Se ganhar a eleição um candidato de esquerda e populista, os juros vão subir por conta do dólar, o gringo vai sair, o mercado interno se retrai e aí, o BC terá de subir as taxas para controlar a inflação. No caso de um candidato de centro-direita amigável, teremos um efeito contrário mas que também impacta nos juros. Se a economia crescer rápido, teremos pressão de demanda no consumo e aí o BC terá de intervir por causa da inflação.”

O economista Jorge Jatobá avalia que o índice do BC mostra um dado positivo que é o crescimento da atividade no comparativo de janeiro a janeiro. Para ele, a mudança de prioridades do governo, passando da questão fiscal para a segurança, e a Câmara, liderada por Rodrgio Maia, outro candidato, evitando temas espinhosos de reformas microeconômicas (como o cadastro positivo) gera incertezas de longo prazo.

“Tudo isso deteriora as expectativas e isso se reflete nas nostas de risco do Brasil e também nos juros. Com isso, há uma piora de expectativas, fica mais arriscado empresatar ao governo. A Previdência é uma reforma de longo prazo e vai ter que ser tratada nessa eleição. Os candidatos serão cobrados pela sociedade a falar sobre o tema”, avalia.


Veja também