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10
maio

Índices do IBGE mostram que inflação alta prejudica mais os mais pobres

10 / maio
Publicado por Leonardo Spinelli às 18:16

O peso dos alimentos na mesa do trabalhador com poucos recursos é bem maior em relação ao mais rico. Foto: Diego Nigro / JC Imagem

Os números da inflação de abril divulgados nesta quinta (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deixam evidentes que um cenário de inflação baixa favorece muito mais aos trabalhadores de menor renda e que o contrário –  a inflação alta – tende a ser mais cruel justamente com aqueles que ganham menos.

A comparação já pode começar pelos preços dos alimentos, que neste ano de 2018 segue benigno conforme os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O índice ficou em 0,22% em abril, mas o grupo Alimentação e Bebidas teve alta de 0,09%. Isso num mês acostumado a ver variações mais expressivas. A alta de 0,09% do mês passado foi a menor para meses de abril desde 2007, quando foi de 0,03%. Em abril do ano passado esses preços haviam subido 0,58% e, em abril de 2016, 1,09%.

O peso dos alimentos na mesa do trabalhador com poucos recursos é bem maior em relação ao mais rico. Mas essa comparação não fica apenas no empirismo.

Quando o IPCA é comparado ao movimento registrado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), também divulgado nesta quinta-feira de maio, fica claro o maior prejuízo que a inflação causa no bolso do mais pobre.

Para fazer a comparação é necessário, primeiro, saber que o IPCA mede o comportamento dos preços às famílias que têm rendimento de um até 40 salários mínimos, o que representa um orçamento de mais de  R$ 38 mil. Um universo muito mais amplo de perfil familiar em relação ao INPC foca sua pesquisa para famílias com rendimentos de até cinco salários, ou R$ 4.770.

Em abril de 2016, quando a inflação brasileira atingiu o seu ápice em 12 meses para o mês de abril, o IPCA fechou em 9,28%, enquanto o INPC foi bem mais duro, fechando em 9,83%. Um ano antes, em 2015, quando a inflação também estava fora de controle, o IPCA de 12 meses havia fechado em 8,17%, com o INPC também mais severo: 8,34%.

No Recife, o mesmo movimento. Em 2015 o IPCA para a cidade foi de 7,47% e o INPC, 8,34%. Em 2016, a relação foi de 9,82% para 9,83%.

Quando a comparação é feita neste momento de inflação controlada, a coisa muda de figura, com o INPC – que mede com maior eficiência o movimento de preços para os mais pobres -, mais favorável. No acumulado de 12 meses até abril de 2018, o IPCA no Brasil variou 2,76% enquanto o INPC fecha em 1,69% no período. Para o Recife, destaque-se, o INPC não passou nem de 1%, fechando em 12 meses em 0,86%.

Veja as tabelas comparativas no link:

https://docs.google.com/spreadsheets/d/14OeLYDPPtoBqiblI8bBNRxK0gFepXRHtXI2jRmGIg5o/edit?usp=sharing

 


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