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17
maio

Com dificuldades para fechar as contas, e antes das eleições, setor público em Pernambuco foi quem mais contratou

17 / maio
Publicado por Leonardo Spinelli às 20:04

Segundo o IBGE, 56 mil pessoas ficaram desempregadas em Pernambuco no comparativo do primeiro trimestre 2017/2018. Foto: Bobby Fabisak

Em tempos de crise fiscal e com os estados e municípios ultrapassando seus limites de comprometimento de receita com o pagamento de salários, o grupo que mais aumentou em número de trabalhadores no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2017 foi justamente o de empregados do serviço público.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua  (Pnad Contínua) relativa a Pernambuco, o serviço público foi o que apresentou a maior alta de pessoal empregado, somando 95 mil pessoas a mais do que as identificadas no primeiro trimestre do ano passado: um crescimento de 16,2%, totalizando 680 mil pessoas no trimestre encerrado em março.

O rendimento desse grupo pouco variou, mantendo-se na casa dos R$ 3 mil em média. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse dado pode explicar resultado de um levantamento do Tribunal de Contas do Estado, divulgado pelo JC esta semana, mostrando que no último quadrimestre de 2017, 141 das 184 prefeituras pernambucanas (76%) excederam o limite de 54% da receita corrente líquida com despesas de pessoal, contrariando, assim, a Lei de Responsabilidade Fiscal. Com relação ao Estado, o governo havia fechado as contas de 2017 no limite da LRF, com comprometimento de quase 49% da Receita Corrente Líquida para pagar pessoal. No ano passado o Estado gastou R$ 18 bilhões com despesa de pessoal.

Outro segmento que aumentou o número de trabalhadores foi o de empregos domésticos, com crescimento de 17,5%, ou 37 mil pernambucanos e, principalmente, pernambucanas a mais, fechando o trimestre de março em 251 mil pessoas. Mas diferente do setor público, mais gente representa menor renda. O rendimento médio das empregadas caiu 5,5% do primeiro trimestre de 2017 para o de 2018, com um salário médio de R$ 639 no início deste ano.

A indústria, segmento que tem alto índice de formalidade, também contratou mais, fechando com um número 12,3% maior (saldo positivo de 43 mil trabalhadores), empregando 391 mil pessoas no Estado e com salários melhores. O rendimento deste grupo cresceu 13,5%.

A construção civil, por outro lado, ainda sofre com a crise e seus trabalhadores, mais ainda. O setor fechou 27 mil postos do início de 2017 para o início deste ano e empregava em março último, 254 mil operários, um número que demonstra, apesar da crise, o perfil intensivo de mão de obra. E quem ficou no mercado teve de se contentar com rendimentos menores. Segundo o IBGE, os salários desses trabalhadores caiu em 18,3% no período de um ano, o que representa R$ 237 a menos no orçamento mensal.

GERAL

Em números absolutos, a variação de desocupados em Pernambuco se manteve num nível estável, segundo o IBGE, na comparação do primeiro trimestre de 2018 com o de 2017.  A diferença é de 56 mil pessoas a mais que ficaram desocupadas na comparação entre os períodos, eram 690 mil no ano passado contra os atuais 746 mil.

A população ocupada no Estado manteve uma trajetória de crescimento, na avaliação do IBGE. Eram 3,34 milhões nos três primeiros meses de 2017, contra os atuais 3,45 milhões este ano, uma diferença a mais de 113 mil trabalhadores.

A maior contribuição, no entanto, veio do setor público, que contratou 102 mil pessoas de um ano para o outro, totalizando no primeiro trimestre 524 mil servidores.

Uma comparação que demonstra a precarização é relativo aos empregados do setor privado sem carteira assinada. Esse grupo aumentou na comparação dos trimestres, fechando em março último com 538 mil trabalhadores, ou 53 mil pessoas a mais em relação a 2017. Por outro lado, os trabalhadores do setor privado com carteira assinada foram reduzidos em 54 mil pessoas, levando a uma interpretação de que esse contingente saiu do emprego formal para a informalidade. Eram, ao final de março 1 milhão de trabalhadores do setor privado com carteira.

Outro número que mostra a movimentação do mercado de trabalho estão no grupo denominado Empregador (pessoa que trabalha explorando o seu próprio empreendimento, com pelo menos um empregado). Esse grupo também teve uma variação positiva de um ano para o outro, fechando com 36 mil pessoas a mais em março deste ano. No total eram 152 mil empregadores no Estado. O problema é que o pessoal que começou a empreender também passou a ganhar menos. O IBGE identificou que o rendimento desse grupo caiu 22,7%, com uma remuneração média, este ano, em R$ 4.223.

O número dos que trabalham por conta própria, por outro lado, caiu em 54 mil pessoas. Esse grupo é formado por aqueles que trabalha explorando o seu próprio negócio, sozinha ou com sócio, sem ter empregado. Para piorar a situação desse grupo, os que continuaram a trabalhar por conta própria tiveram de se contentar a ganhar menos 10,8%, numa redução de rendimento no final do mês em R$ 119. O rendimento médio dessa categoria era de R$ 987 no primeiro trimestre deste ano.  

FALTA TRABALHO

A taxa de desocupação do primeiro trimestre, no Estado de Pernambuco, atingiu 17,7%, o terceiro pior indicador do País segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na análise dos números, é possível verificar uma tendência de precarização do trabalho, mas também há alguns números que não são tão ruins.

Um número forte é o indicador de que falta trabalho para 1,57 milhão de pernambucanos, dado que o IBGE divulga como número de subutilização da força de trabalho, representando uma taxa de 33,8%. No ano passado essa taxa era de 31,6%, o também demonstra uma tendência de piora no cenário. 

Confira a tabela neste link. Os números de Pernambuco estão na aba 26


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