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31
maio

Sensação de inflação é maior do que a registrada pelos índices oficiais. Por quê?

31 / maio
Publicado por Leonardo Spinelli às 17:05

Gasolina ficou mais cara 16,9% em 12 meses segundo IPCA, que no geral fechou em 2,76% . Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem

A greve dos caminhoneiros foi estimulada pela inflação dos preços do diesel depois que a Petrobras passou a fazer ajustes diários no produto, seguindo os preços do mercado internacional e também pela cotação do dólar, que estão em alta. Como o diesel é um produto básico para a atividade, os caminhoneiros protestaram e conseguiram vantagens em cima de um governo enfraquecido politicamente, uma conta que toda a sociedade vai ter que dividir.

Enquanto os caminhoneiros sofriam com o diesel, a inflação em 12 meses encerrados em abril marcava 2,76%, um índice bem menor do medido pelo IPCA para o grupo combustíveis, que cresceu 15,8% no mesmo período, uma diferença cinco vezes maior.

Essa mesma sensação de inflação descontrolada que os caminhoneiros sentiram, o cidadão comum também sente no bolso em outros produtos que são importantes. Apesar de a inflação oficial estar “comportada”, inclusive abaixo da meta estabelecida pelo Banco Central,  boa parte da população tem a sensação de carestia. Isso acontece porque há produtos e serviços utilizados diariamente pelos consumidores que aumentaram de preço bem acima do índice geral.

No IPCA, os grupos que mais subiram de preços têm um peso de 51% na composição do índice: Habitação, Transporte, Saúde e Educação tiveram reajustes médios de 5,5% nos últimos 12 meses, uma variação praticamente em dobro da inflação geral. E dentro de cada um desses grupos há itens que tiveram reajustes de dois dígitos no período, a exemplo dos combustíveis. São produtos e serviços consumidos diariamente pelo cidadão.

No grupo habitação, por exemplo, um dos componentes que mais pesaram foi justamente os combustíveis e energia, com uma variação de 10,31% em 12 meses. O botijão de gás ficou mais caro em 12,04% e energia elétrica residencial 10,12%. No grupo transporte, foi a gasolina que mais pesou no bolso do brasileiro comum, com uma variação de 16,93% em 12 meses encerrados em abril.

Mas não é só a energia para rodar os carros ou ligar a luz que ficaram bem mais caros de um ano para o outro. Na saúde, os brasileiros estão pagando 10,21% a mais pelo item Serviços de Saúde, mas o que mais ficou mais caro neste grupo no período foram os planos de saúde, com majoração de 12,72%, um item que pesa muito no orçamento familiar, principalmente dos aposentados.

CURSOS

Em Educação, os preços também ficaram mais salgados neste último ano, principalmente para as famílias que têm crianças. As despesas com ensino fundamental subiram 7,56%, educação infantil 7,53% e creche 8,74%. Os cursos de idiomas também passaram a pesar mais, com aumento de 7,69%  no período.

No Grande Recife, os grupos que mais impactaram no bolso do cidadão local estão no grupo Habitação, Saúde e Educação. Juntos os três grupos geraram uma despesa 6,16% maior no bolso, com um peso de 33% as despesas mensais do recifense, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em habitação, os reajustes do cimento em 12 meses somaram aumentos acumulados de 19,27% de maio do ano passado até abril deste ano, enquanto que o peso dos combustíveis foram reajustados em 20,71%, percentual maior do que o registrado em nível nacional. Mas o maior vilão mesmo foi a energia elétrica, que ficou mais cara 22% segundo o acompanhamento do IPCA. Na Saúde, o mesmo quadro nacional se repete localmente, com os Serviços de Saúde aumentando em 11,12% e Planos em 12,84%.

O recifense também teve uma inflação forte nos serviços de educação. O gasto com a educação infantil e o ensino fundamental aumentou mais de 8,5% em 12 meses. O destaque neste grupo, no entanto, aconteceu nos cursos de informática, com majoração de 9,51%.

Com a greve dos caminhoneiros é possível que o preços dos alimentos passem a contribuir para mais inflação. Até agora boa parte dos alimentos estavam com valores comportados e, inclusive, puxando a média da inflação para baixo. Aguardemos as próximas divulgações.

 


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