CRÍTICA

Planeta dos Macacos: A Guerra mostra símios mais humanos

Terceiro filme da nova franquia estreia nesta quinta-feira (3/8)

Ernesto Barros
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Ernesto Barros
Publicado em 02/08/2017 às 6:03
Fox Films/Divulgação
Terceiro filme da nova franquia estreia nesta quinta-feira (3/8) - FOTO: Fox Films/Divulgação
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Em seus mais de 120 anos de história, o cinema criou personagens magníficos – humanos, animais e até robôs –, que os espectadores carregam em seus olhos e corações por toda a vida, como Carlitos, King Kong, Scarlett O’Hara, Tarzan, Hall, R2D2, Dr. Spock e muitos outros. Quem acaba de entrar nesta galeria, sem nenhuma dúvida, é o macaco César, o incrível personagem criado pelo ator inglês Andy Serkis nos três filmes da nova franquia Planeta dos Macacos, o pesadelo distópico idealizado pelo escritor francês Pierre Boule, no romance que ele escreveu em 1963.

Em Planeta dos Macacos: A Origem, o primeiro filme da nova série, realizado em 2011, os olhos dos macacos impressionavam de tal maneira que pareciam devorar a alma dos espectadores, como se viessem cobrar uma dívida ancestral. Desse filme até Planeta dos Macacos: O Confronto, de 2014, César cresceu como líder entre sua raça, embora uma divisão interior, senão uma dívida com seus criadores, o deixasse num permanente desconforto perante os macacos, que sofreram horrores nas mãos dos humanos.
Um dos principais méritos da nova franquia é a perfeita integração entre suas partes. Até agora, os três capítulos se mostraram homogêneos, com Planeta do Macacos: A Guerra chegando ao ápice de uma ideia que funde drama e ação sob uma camada pesada, mas imperceptível, de milhares de efeitos especiais. Da captura de movimentos dos atores – que ganham roupagem digital como símios –, às batalhas nas selvas, tudo converge para o naturalismo.

Mas essa técnica, que se transformou em poeira jogada nos olhos do público infantojuvenil, funciona de outra maneira nas mãos de Matt Reeves. Autor do roteiro – o mais complexo dos três filmes –, o diretor de Cloverfield: Monstro demonstra uma habilidade incrível no andamento de Planeta dos Macacos: A Guerra, além de um completo entendimento emocional dos seus personagens. César, especialmente, que mais uma vez sofre perdas tremendas, ao ponto de se transformar num animal sanguinário.
Na trama, ele lidera um pequeno grupo em retirada. Fogem dos humanos, vítimas de vírus mutante. Numa noite, são atacados por um regimento liderado por um militar conhecido como O Coronel (Woody Harrelson, em seu melhor papel em anos). O saldo é terrível para ele: a mulher é assassinada e seu filho mais novo, Cornelius (Devyn Dalton), é raptado.

DUPLA JORNADA

Como o filme tem um sentido de dupla jornada – tanto no plano geográfico, como no humano –, César e seus companheiros vão encontrar personagens que vão ajudá-lo em sua humanização, ou melhor, em sua compreensão da compaixão, um atributo que ele, enquanto animal, talvez não tivesse. Mas, ao contrário, é esse saber para além da vingança que pontua o seu caminho. Um menina perdida, que já não tem a capacidade de falar e pensar – devido a mutação do vírus, os humanos estão em processo regressivo –, surge para mostrar a Cesar, através da sabedoria de Maurice (Karin Konoval), o macaco que ajuda a manter o grupo unido, que os seres humanos já não são mais o inimigo.

Até mesmo O Coronel, uma figura louca e carismática, decalcada do Coronel Kurtz, do livro O Coração das Trevas (o personagem de Marlon Brando em Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola), não se confirma mais com um antagonista. Mesmo com o sangue fervendo ao ver o homem que matou sua mulher, César supera o ódio ao perceber qual o destino daquele humano que, em algum momento, seria morto (afinal, para os macacos, “humano bom é humano morto”).

Permeado por diálogos críveis e cenas de ação vertiginosas, Planeta dos Macacos: A Guerra é espetáculo cinematográfico que Hollywood anda com dificuldade em realizar. Ao contrário de tantos filmes descartáveis, esse consegue ficar na memória e alimentar discussões. Não deixa de ser um filme de verão, mas sua qualidade e dose de humanidade não são deixadas de lado para conquistar o público a qualquer custo.

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