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Enem: professora do Colégio Santa Maria analisa o tema da redação

06 / nov
Publicado por Margarida Azevedo às 14:12

Foto: Raul Golinelli/ Olhares do Brasil / Fotos Públicas
Foto: Raul Golinelli/ Olhares do Brasil / Fotos Públicas

“Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil” é o tema da redação do Enem 2016. Na avaliação da professora Ana Cristina Verdasca, do Colégio Santa Maria, tradicional escola particular do Recife, o candidato deve ficar atento a dois “limites” colocados nesse tema:

1º – Na argumentação, o estudante tem que abordar o que está sendo feito para combater a intolerância religiosa. Não pode falar apenas sobre a religião. O tema pede que ele aponte que caminhos estão sendo adotados para vencer a intolerância. “O combate tem que aparecer na argumentação. O estudante precisa mostrar quais medidas estão sendo tomadas, o que vem sendo (ou não) feito”, observa Ana Cristina.

2º – O tema restringe a reflexão ao Brasil. É claro que o candidato pode citar situações de intolerância religiosa ocorridas mundo afora, já que os problemas de imigração na Europa são bastante divulgados. Mas o foco pedido no tema é o Brasil.

“Intolerância e liberdade de expressão foram dois temas bastante debatidos por professores de redação no País todo. Só receio que, como o tema fala de intolerância religiosa, o estudante dê margem para radicalismo no seu texto. O perigo é o candidato atacar alguma religião, abrindo espaço para desrespeitar os direitos humanos, um dos motivos que dá nota zero na prova”, destaca Ana Cristina.

“Quando se fala de fé, é necessário ter muito cuidado para não ser intolerante. No Brasil, por exemplo, políticos muitas vezes misturam suas crenças religiosas com questões políticas. Acho que essa seria uma boa abordagem dos estudantes na redação do Enem”, complementa a professora do Colégio Santa Maria.

Outra possibilidade é mostrar que os meios de comunicação, muitas vezes, ao invés de combater a intolerância, acabam enfatizando ainda mais a segregação e a marginalização de determinados grupos. “Nas redes sociais, principalmente, ideias separatistas são vistas com frequência e encaradas, muitas vezes, com naturalidade”, acrescenta Ana Cristina.

Ela lembra que a dos vestibulandos que prestaram atenção em aulas de história, sociologia e filosofia poderão ser favorecidos na construção da dissertação.


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