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Enem completa 20 anos com desafio de mudar

12 / set
Publicado por Margarida Azevedo às 18:40

Rodrigo Aragão, fera de engenharia, gosta das questões contextualizadas do Enem. Foto: Filipe Ribeiro / JC Imagem

Uma das maiores avaliações do planeta, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) completa duas décadas em 2018. Foram 157 mil inscritos em 1998, número que cresceu consideravelmente ao longo do tempo. Para realizar as provas deste ano, marcadas para 4 e 11 de novembro, são contabilizados 5,5 milhões de candidatos. Prestes a chegar à vida adulta (21 anos), o desafio é modificar o exame para se adequar ao novo formato do ensino médio, a ser implantado depois da aprovação da Base Nacional Curricular Comum (BNCC) referente a esta etapa da educação básica brasileira.

Não há definição ainda de quando essas alterações começarão a valer. Mas o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, está montando uma proposta para apresentar ao Ministério da Educação (MEC), órgão ao qual é vinculado, ainda este ano. A hipótese mais provável é de que as modificações nas provas só vigorem em 2020, já que as escolas precisarão de um prazo para se adaptar ao novo currículo. O texto da BNCC do ensino médio está sendo analisado pelo Conselho Nacional de Educação.

De caráter voluntário, o exame nasceu com o objetivo de avaliar o estudante que estava concluindo a educação básica. Aos poucos, foi aumentando a adesão, até que o maior impulso veio em 2009, quando o MEC criou o Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Por meio de uma plataforma digital que concentra vagas de todas as universidades federais e outras estaduais, os estudantes deixaram de ser submetidos a vários vestibulares para fazer apenas o Enem.

A mudança, ao ampliar o acesso ao ensino superior, exigiu mais investimentos em segurança. Afinal, de uma simples avaliação, o exame passou a ser a porta de entrada para concorridos cursos de graduação em instituições públicas. Também para as faculdades privadas, uma vez que para se candidatar a bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) ou obter ajuda do governo, por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), é preciso participar da avaliação.

OPINIÕES

“O Enem é importante também pela inteligência de dados. Permite que cada escola avalie seu conjunto de alunos e cada aluno individualmente. Os últimos dados divulgados pelo MEC do Saeb (70% dos estudantes terminam o ensino médio com aprendizado insuficiente em português e matemática, por exemplo) mostram o desastre que está o ensino médio”, destaca o presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Pernambuco, José Ricardo Diniz. “O exame precisa evoluir, atender os novos itinerários formativos que estão postos no novo ensino médio”, defende.

O presidente da comissão do vestibular da Universidade de Pernambuco (UPE), Ernani Martins, elogia a democratização do ensino superior com o Enem, mas destaca a necessidade de a avaliação considerar aspectos regionais. “Por que não se discute, por exemplo, o horário de aplicação das provas? Candidatos de Estados como Pernambuco, que não adotam o horário de verão, fazem os testes no horário da fome”, diz.

No Estado, o exame começa às 13h, mas o acesso aos prédios é permitido até o meio-dia. “O calendário acadêmicos das universidades está atrelado ao Sisu. Antes o Enem era realizado em outubro, depois passou para novembro. Deveria haver sincronia com as demais políticas de educação”, sugere Ernani.

O pró-reitor de graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Paulo Goes, ressalta a importância da avaliação para o ensino médio e afirma que um dos pleitos das universidades federais junto ao Inep é a antecipação da aplicação da prova de redação. No entendimento dele, isso agilizaria a divulgação do resultado do Sisu e, consequentemente, facilitaria a organização das instituições de ensino.

“O Enem tem questões contextualizadas com situações do dia a dia, com assuntos atuais. Exige conhecimento de mundo. Eu gosto, mas é preciso atenção para administrar o tempo de resolução das provas”, afirma Rodrigo Aragão, 17 anos, fera de engenharia do Colégio Santa Maria, localizado em Boa Viagem, Zona Sul do Recife.

“Acho legal porque basta o Enem e a gente concorre em várias universidades pelo Sisu, em vez de fazer vários vestibulares. Pretendo concorrer para medicina na UFPE. Se não der, posso tentar o ProUni ou Fies”, diz Midiã Damaris, 16 anos, aluna do 3º ano da Escola Estadual Ginásio Pernambucano, que fica em Santo Amaro, área central da capital pernambucana.


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