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fev

UFPE tem atraído, cada vez mais, alunos de fora de Pernambuco

10 / fev
Publicado por Margarida Azevedo às 3:01

Leonardo vem de São Paulo para cursar medicina no Recife. Foto: Leo Motta / JC Imagem

Sotaques estão, cada vez mais, fazendo parte de corredores e salas de aula da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Com a mobilidade proporcionada pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que utiliza as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a instituição tem atraído estudantes de fora do Estado, realidade observada também em outras universidades.

Medicina, um dos cursos mais disputados em todo o Brasil, é o destaque. Das 140 vagas ofertadas no câmpus Recife, este ano, apenas 53, o que representa 37,9%, ficaram com jovens pernambucanos (13 de ampla concorrência e 40 cotistas). As 87 restantes, ou 62,1%, foram para vestibulandos de outras unidades da federação. Os dados preliminares são da Pró-reitoria Acadêmica.

No ranking de preferência dos estudantes de fora, além de medicina, que ocupa o topo, aparecem oceanografia e cinema, ambos também na capital pernambucana, com 43,48% e 38% das vagas preenchidas, respectivamente, por residentes que não são do Estado. Vale destacar que nesse caso os índices observados são do Sisu de 2018. A pró-reitoria ainda não consolidou os indicadores de todas as graduações da seleção de 2019.

“Somos uma federação. Do ponto de vista legal, a lei garante igualdade para todos. A UFPE é pública e, portanto, pode ser ocupada por qualquer pessoa, de qualquer lugar. Nossa universidade está entre as 10 melhores do País e a melhor do Norte e Nordeste”, destaca o pró-reitor acadêmico, Paulo Goes.

“Em países desenvolvidos como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Alemanha, dificilmente o estudante faz universidade na cidade onde mora. A maioria vai pra outros lugares”, observa. Segundo ele, no geral, 80% das vagas da UFPE foram preenchidas por feras do Estado.

QUALIDADE

Das vagas de medicina no Recife, a maioria dos estudantes aprovados é de São Paulo (32, ou 22,9%). Leonardo Imada, 19 anos, é um deles. “Tentei, pelo Sisu, entrar nas Federais do Paraná e Minas Gerais. Como a nota não deu, pesquisei outras opções. A UFPE tem uma boa reputação, qualidade do ensino. Estou animado para começar o curso”, diz Leonardo, que tentava aprovação em medicina há três anos. Ele esteve na última segunda-feira no Recife para efetuar matrícula. Retornou para a capital paulista e virá de vez na próxima semana, porque as aulas começarão dia 18.

“Há uma grande demanda pelo curso de medicina. É uma profissão que tem altas remuneração e empregabilidade. Essa é uma das hipóteses para tantos alunos de fora de Pernambuco na UFPE”, observa Paulo. “Merece uma análise mais atenta do por que nossos alunos não estarem conseguindo ter notas maiores para barrar os concorrentes de medicina de fora de Pernambuco. Isso sinaliza, a meu ver, que é preciso rever a qualidade do ensino médio oferecido no Estado”, enfatiza o pró-reitor. Ele destaca que o desempenho dos feras cotistas pernambucanos foi melhor que os da ampla concorrência.

Professor de um dos maiores cursinhos pré-vestibulares do Recife, Fernando Beltrão considera que os estudantes de Pernambuco são bons.

“Seria um sistema justo se todas as universidades do País colocassem todas as suas vagas no Sisu. Mas na prática não ocorre. Na capital paulista não há nenhuma vaga de medicina no Sisu. USP, Unifesp, Unesp, todas fazem vestibulares. O aluno de lá participa do vestibular e ainda concorre pelo Sisu com a nota do Enem. Tem mais chances. Como não passa, vem para cá”, comenta.

“Ocorre um efeito dominó. Os pernambucanos, como não conseguem aprovação aqui, buscam universidades no Maranhão, no Piauí, na Paraíba”, diz Fernandinho.

“O ensino médio público de Pernambuco melhorou sensivelmente. As escolas privadas mantêm padrão de qualidade e algumas se destacam no País. Acredito que a qualidade da UFPE, o polo médico do Recife, o polo audiovisual são motivos para atrair alunos de fora”, destaca o presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Pernambuco, José Ricardo Diniz.

EXPERIÊNCIA

Luiz Gustavo Januzzi, 18, está no 3º período de oceanografia. “Em Aracaju, minha cidade, não tem a graduação. Se não fosse o Sisu, teria que ficar lá e cursar uma faculdade que não era a de minha preferência”, diz Gustavo. “Existem só 11 universidades que ofertam oceanografia. Por isso, a mobilidade é grande. Nossa preocupação é com a evasão, bastante alta”, comenta o coordenador do curso, Antônio Vicente Ferreira.

Para o coordenador de cinema, Fernando Weller, o fato de Pernambuco ser o 3º polo produtor de audiovisual é uma das justificativas para a alta procura da graduação na UFPE. “A presença de alunos de vários Estados enriquece as trocas”, observa. “Tenho amigos de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás. Metade da minha turma é de gente de fora”, relata o paraibano Paulo Pontes, 21, do 2º período de cinema.

Ocupação das vagas na UFPE,  em 2017

Ocupação das vagas na UFPE, em 2018

Ocupação das vagas de medicina, na UFPE, com origem dos candidatos, por Estado – 2017 e 2018

 


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