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Crítica: A Grande Jogada, de Aaron Sorkin

21 / fev
Publicado por Ernesto Barros às 8:00

Jessica Chastain em A Grande Jogada, em cartaz nos cinemas: Foto: Diamond Films.

Criador das séries The West Wing e The News Room e roteirista dos filmes A Rede Social e O Homem que Mudou o Jogo, era mais do que esperada a estreia de Aaron Sorkin como diretor de cinema. E A Grande Jogada, que também entra em cartaz nesta quinta-feria (22/2), com a chancela de uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, mostra que ele é um nome para se manter à vista ainda mais a partir de agora.

Pode até soar um pouco negativo, à primeira vista, dizer que A Grande Jogada é um filme de roteirista. Mas não: se trata mesmo de um filme feito com um grande amor pelo cinema e pela palavra falada e afiada. Para fazer jus à personagem principal, a esquiadora Molly Bloom, a narrativa do filme assemelha-se ao fluxo de consciência da heroína inventada pelo irlandês James Joyce (rola uma brincadeira com isso, claro).

Molly Bloom , a indestrutível Jessica Chastain, é uma esquiadora que abandona a família, depois de uma prova malsucedida. Vai morar sozinha em Los Angeles. Com sede de vitória, amplificada pelo treinamento do pai, o psicólogo Larry (Kevin Costner, duro como pedra), ela descobre que pode ganhar muita grana bancando uma mesa de pôquer num hotel de luxo, ao ser contratada para organizar o jogo e convidar jogadores ricos a cada noite.

Como todo filme onde o fluxo de consciência sustenta a narrativa, vamos acompanhar a história de Molly, desde garotinha, estudante e mulher adulta, até quando está prestes a ir para a cadeia, numa ordem cronológica ao bel prazer das emoções. Num vai e vem constante, a vida da confusa Molly vai sendo desvelada principalmente quando entra em cena o advogado Charlie Jaffey (o genial Idris Elba), que luta por Molly como alguém que junta um complexo e fascinante quebra-cabeças.

Talvez o filme seja puritano demais em alguns momentos, apresentando Molly numa luz muito assexuada, mas isso atrapalha pouco a trajetória da personagem. A conturbada relação entre pai e filha, em certo sentido muito psicologizante, conduz a linha que levará o equilíbrio de Molly. Jessica Chastain, como sempre, entrega-se a mais uma via-crúcis do corpo. A Grande Jogada tem muitas semelhanças com outros filmes em que os personagens vão ao fundo do poço e voltam mais humanizados. Mesmo assim, Sorkin trouxe alguma coisa incomum ao filme ao acreditar que falando é que nos revelamos ao outro.


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