12
jul

Crítica: Arranha-Céu – Coragem Sem Limites, de Rawson Marshall Thurber

12 / jul
Publicado por Ernesto Barros às 15:09

Dwayne Johnson. Foto: Universal Pictures

Ele é maior salário de Hollywood da atualidade e este ano já estrelou três blockbusters. O ator Dwayne Johnson dispensou até o aposto “The Rock” por mérito de suas inúmeras aparições no cinema, dividindo seu tempo entre comédias e filmes de ação que deixam seus fãs boquiabertos. Sem nenhuma dúvida,  Arranha Céu – Coragem Sem Limites, de Rawson Marshall Thurber, que que estreia nesta quinta-feira (12/7) nos cinemas brasileiros, é o filme mais superlativo de sua carreira. Em praticamente todos os filmes em que atua, seus personagens são criaturas bigger than life (literalmente). Em Arranha-Céu, para provar que Johnson está acima de nós, meros homens comuns, o personagem dele, mesmo usando uma perna postiça, é capaz de desafiar as alturas mais altas e os vilões mais perigosos.

No prólogo do filme, vemos logo o agente Will Sawyer (Johnson) entrando numa pior, quando um homem-bomba quase mata toda a sua equipe. Numa simples elipse, ele ressurge anos depois com uma prótese na perna esquerda, casado e com dois filhos, agora tentando a sorte como dono de uma pequena empresa de segurança. Por meio de um irmão em armas, o ex-agente Ben (Pablo Schreiber, visto recentemente em Covil de Ladrões), que também estava na ação em que Sawyer saiu ferido, ele é convidado para ser consultor de segurança de O Pérola, o mais alto edifício do mundo, situado em Hong Kong, que está para inaugurar sua ala residencial.

Will, muito inseguro, leva a tiracolo a mulher, Sara (Neve Campbell, da série Pânico e de House of Cards), e os filhos Georgia (McKenna Roberts) e Henry (Noah Cottrell), que serão os primeiros hóspedes do hotel, uma luxuriosa estrutura de 220 andares. Construído pelo ricaço chinês Zhao Long Ji (Chin Han), o edifício é tão imponente que chega a atingir as nuvens, um modelo de tecnologia de ponta e praticamente imune a qualquer ataque, pelo menos é o que aprova Sawyer após uma vistoria.

Como o consultor não estava ali para tirar férias, em pouco tempo ele é traído e o prédio é invadido por bandidos, que logo tocam fogo num dos seus andares. Com esse circo pronto, o roteirista e diretor Rawson Marshall Thurber, que já havia trabalhado com Johnson em Um Espião e Meio, mostra que o ator desafia, não só a gravidade, como todas as convenções dos filmes de ação. Para começar, Arranha-Céu é uma mistura bem azeitada entre Duro de Matar e Inferno na Torre, mas com um toque de comédia que só funciona com Dwayne Johnson em cena.

Quer dizer, como seus personagens são capazes de qualquer coisa, ele pode tirar um sarro de tudo. Will Sawyer, por exemplo, acredita que a única coisa que ele precisa é de fita adesiva. Com essa licença poética, seu personagem desafia a gravidade a cada 10 minutos, fazendo coisas que Deus, em sua infinita paciência, duvidaria se Ele não estivesse vendo tudo. Como nada é para ser levado a sério, o filme funciona às mil maravilhas. Afinal, como acreditar que o personagem, sem uma perna e há 10 anos fora de combate, sem mantém naquela forma?

Mas isso, não é nada em comparação com os perrengues pelos quais passa na torre, quando é obrigado a entrar nela voando, ao pular da estrutura de um guindaste como se fosse um trampolim. Ou, ainda, escalando o prédio pela lateral, em que fica pendurado de cabeça para baixo e supera a situação. Os espectadores, assim como os moradores de Hong Kong, que veem as peripécias de Sawyer pela TV, ficam sem saber se riem ou se choram cada vez que o personagem se safa.

Embora o excesso chegue quase ao limite da exaustão, Rawson Marshall Thurber oferece alguns momentos visualmente brilhantes. A capacidade que ele tem de fazer de edifício um organismo vivo não deve ser desmerecida. Os efeitos visuais são elaborados com tanta perfeição que tudo parece possível. Alguns, com um olhar mais lúdico, fazem a diferença. A cobertura do edifício, formada por uma estrutura de TVs de alta definição é de arregalar os olhos.

Sua maior sacada é quando promove o encontro entre Sawyer e o vilão Kores Botha (o dinamarquês Roland Moller), com as TVs funcionando como uma sala de espelhos, numa das melhores sequências do filme, que remete àquela em que Bruce Lee luta com um vilão em Operação Dragão.
Como em quase todos os filmes em que atua, Dwayne Johnson parece que está fazendo o mesmo personagem, como se seguisse uma tipologia que, no conjunto, parece ser ter sido o caminho feito por outros astros hollywoodianos, de Errol Flynn a Johnny Weissmuller, de Charlton Heston a Arnold Schwarzenegger. Com 10 filmes para estrear até 2020, ninguém segura Dwayne Johnson.


Veja também