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Crítica: A Freira, de Corin Hardy

06 / set
Publicado por Ernesto Barros às 12:00

Taissa Farmiga. Foto: Warner Bros./Divulgação

Depois de sete filmes de sucesso – duas partes de Invocação do Mal, três de Sobrenatural e duas de Annabelle –, sem contar os dois Jogos Mortais em que esteve envolvido, o produtor, roteirista e diretor malaio, naturalizado australiano, James Wan, amarga o primeiro fracasso da carreira. O esperado A Freira, que há meses a Warner/New Line caprichava no marketing, não corresponde às expectativas que os fãs do gênero terror depositavam nele. O filme estreia nesta quinta-feira (6/9), em circuito nacional, e na sexta (7/10), nos Estados Unidos e outros países.

Afinal, a entidade Valak, que se traveste de freira maligna e já havia aparecido em Invocação do Mal 2 e Anabelle 2, ganhou força e Wan tirou da manga um novo personagem para seu universo compartilhado. Talvez o fato de o cineasta ter delegado o filme para Corin Hardy, um diretor menos experiente, ao contrário dos anteriores, realizados pelo colega Leigh Whannell, o veterano John R. Leonetti e o talentoso David F. Sandberg, tenha feito com que A Freira não alcance o mesmo equilíbrio.

A verdade mesmo é que o filme naufraga em vários aspectos, a começar pelo roteiro de Gary Duberman (de Anabelle e Anabelle 2 – A Criação do Mal). Apesar da introdução forte, a apresentação dos personagens é um tanto desastrosa, especialmente o galante Frenchie (Jonas Bloquet, de Elle), que solta umas piadinhas sexistas para a noviça Irene (Taissa Farmiga), que se dirige até convento na Romênia, na companhia do Padre Burke (o mexicano Demián Bichir, de Uma Vida Melhor), para investigar o suposto suicídio de uma religiosa.

Não se pode negar que há um esforço de Corin Hardy em criar um ambientação sinistra nesse convento, onde seria a morada de Valak, um entidade demoníaca que teria reentrado no mundo após o lugar ser bombardeado durante a Segunda Guerra Mundial. Embora o cenário seja perfeito – o filme foi realmente filmado na Romênia, a terra do conde Drácula –, Corin Hard não tem pulso forte para deixar os espectadores sofrendo lentamente, aproveitando toda a atmosfera gótica do convento e seus arredores, com cemitérios, masmorras e porões.

Ao invés disso, apela para uma meia dúzias de sustos que levantam o espectador da cadeira e nada mais. Em outras palavras, colocar o padre e a noviça a correr atrás de sombras fugitivas, num expediente que se mostra cansativo para o público e os atores.

Só quando o padre, a noviça e o francês galante se juntam para enfrentar a freira demoníaca é que o filme ganha mais força, mas nada além do que fosse esperado. A freira (Bonnie Aarons) tem seus momentos, mas suas entradas não escondem o uso excessivo de efeitos especiais. Agora, só resta desejar sorte aos próximos capítulos do universo compartilhado por James Wan e companhia.


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