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Crítica: Nasce uma Estrela, de Bradley Cooper

10 / out
Publicado por Ernesto Barros às 21:56

Lady Gaga e Bradley Cooper. Foto: Warner Bros./Divulgação

Uma das mais duradouras histórias do cinema americana, já incrustada na mente e no coração de gerações de espectadores de todo o mundo, Nasce uma Estrela está de volta às telas, a partir desta quinta-feira (11/10), em sua quarta versão. Assim como a última, realizada em 1976, a trama trágico-amorosa desenrola-se entre um rock star e uma cantora aspirante, descoberta num show de drag queens e que depois conquista todos os holofotes, enquanto seu mentor e amante desce na espiral sem fim da dependência alcoólica e química. Como na versão original e nos dois remakes seguintes, não há um final feliz, mas o que toca o público é algo muito maior do que isso, justamente a dor gerada pela impossibilidade de alguém superar seus medos e demônios pessoais.

Cada um dos três filmes anteriores teve seu momento de glória em sua época, sempre com um grande reconhecimento do público para além de suas qualidade artísticas. Esta nova versão parece que já nasceu fadada ao sucesso. Para começar, traz duas estrelas, uma do cinema e outra da música, perfeitas para dar vida a esses dois personagens icônicos dos cinema americano. De um lado, a superstar Lady Gaga, em seu primeiro papel de protagonista, que parece ter esperado todos esses anos de exposição midiática justamente para viver Ally, uma garçonete de voz divina, impedida de mostrar seu talento por causa das linhas um tanto avantajadas do seu nariz. Do outro, o astro Bradley Cooper, depois de três indicações ao Oscar como ator, que assumiu as funções de diretor, roteirista e protagonista, como o roqueiro Jackson Maine.

Sem dúvida, trata-se de uma ousadia e tanto, que Cooper dá conta do recado em cada uma de suas funções. Na abertura, para que não tenhamos dúvidas de que é capaz de tocar e cantar, o ator/diretor canta e toca guitarra num longo plano sem cortes. No plano seguinte, ele já diz quem é Jackson Maine: um homem solitário, que termina os shows e entra logo num carro, fugindo da multidão na companhia de uma garrafa de bebida. É numa fuga dessas que ele vai dar de cara com um bar que, apenas uma vez por semana, apresenta dublagens de drag queens.

É lá que ele ouve e vê uma falsa drag queen cantando La Vie en Rose com a própria voz. A primeira noite deles, com direito a uma confusão onde Ally dá um soco na cara de um homem e ainda canta um trecho de uma canção, é puro amor à primeira-vista. É de arrepiar quando Lady Gaga aumenta o timbre de sua voz. E mais ainda quando Ally é convidada, ou melhor, empurrada, para cantar com Jackson em dueto a canção Shallow, durante show dele, o que a torna numa celebridade da noite para o dia.

Apesar de já conhecermos a espinha dorsal de toda a trama, a história recontada por Bradley traz elementos bastante ricos na construção dos personagens. Mas do que as outras versões, o personagem que ele interpreta ganhou um passado, o que explica muito de sua dependência e dificuldade em se manter longe do álcool e das drogas. Os encontros que tem com Bobby (o veterano Sam Elliott), o irmão mais velho, tentam exorcizar a sombra do pai alcoólatra e uma carreira musical abortada em pleno voo.

Com uma estrutura narrativa simples, apoiada na interpretação dos personagens e nos shows, o filme segue a ascensão de Ally e a derrocada de Jack, sem que isso denote decadência ou inveja, algo que perpassava a psicologia do personagem em suas versões passadas. A questão da dependência é vista como uma doença, inclusive com o roqueiro frequentando um reunião do AA. Plena de emoção, a história de Nasce uma Estrela já passa dos 80 anos e continua a destroçar os corações dos românticos mais empedernidos.


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