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Garota que conta histórias nos becos ganha livros e novo espaço para reunir as crianças

21 / jun
Publicado por Amanda Tavares às 7:19

A menina Steffany Rafaelly da Silva, 11 anos, que conta histórias às crianças nos becos de Roda de Fogo, comunidade onde mora, na Zona Oeste do Recife, teve, nesta quarta-feira (20), mais um sonho realizado. Ganhou 100 livros e um presente ainda maior: um espaço onde poderá reunir os colegas para contar suas histórias.

Stefanny ganhou novo espaço para contar histórias para as crianças da comunidade. Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Os presentes foram levados por servidores da Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer da Prefeitura do Recife, entre eles a secretária da pasta, Ana Paula Vilaça e a secretária-executiva de Esportes, Yane Marques. “Assim que vimos a reportagem publicada no JC (em abril), ficamos comovidos com o bom exemplo dado por Steffany e iniciamos uma campanha entre os servidores para arrecadar livros e dinheiro para a compra de almofadas. Assim, pensamos que ela poderia contar as suas histórias de forma mais confortável”, declarou Ana Paula Vilaça.

A adesão dos servidores foi tamanha que contagiou até quem não trabalha no local. “Quando soube da história, minha mãe se prontificou a costurar as almofadas”, contou Yanne.

Ao saber que um dos sonhos de Steffany era ter um espaço mais adequado para ensinar aos colegas, já que no beco fica impossível se reunir em dias de chuva, os servidores lembraram do Programa de Esportes e Lazer da Cidade (Pelc), cujas atividades são realizadas em vários polos no Recife, entre eles a Associação de Grupos de Mães da Amizade, nos Torrões, perto da casa da garota.

“Lembramos que na Associação já eram realizadas atividades de leitura e recreativas. Fomos à casa de Steffany e a convidamos para conhecer o espaço. Ela gostou e então decidimos abrir as portas para que ela seja mais uma frequentadora do local”, explicou a coordenadora do Pelc, Olga Pontes.

Ao receber o presente, Steffany demonstrou alegria ao conhecer outras crianças, mas foi enfática ao dizer que continuará com as “aulas” nos becos de onde mora. “Meus amigos estão lá, todos os dias, e vamos continuar. Lá é mais fácil reunir todo mundo.Vou guardar os livros novos aqui (na Associação), mas vou levar alguns para casa de vez em quando, para contar as histórias aos meus amigos que não puderem vir”, argumenta.

“O nosso objetivo é oferecer um espaço a mais, já que o sonho de Steffany era ter uma sala. Incentivamos para que ela venha quantas vezes quiser, mas respeitamos a sua vontade de continuar as atividades no local onde mora. O exemplo dela é lindo, serve de inspiração para outras crianças”, enfatizou Ana Paula.

SOLIDARIEDADE

A primeira reportagem sobre a história de Steffany foi publicada pelo JC no dia 1º de abril e repercutiu em vários estados brasileiros e também no exterior. Algumas pessoas se mobilizaram para ajudá-la fazendo doações de alimentos e materiais escolares.

Uma das pessoas que se propôs a ajudar, mas prefere não se identificar, resolveu bancar os estudos da menina até que ela consiga chegar ao ensino superior e, desde maio, ela passou a estudar numa escola particular na Zona Oeste.

O secretário de Segurança Urbana do Recife, Murilo Cavalcanti, convidou-a a frequentar o Compaz Ariano Suassuna, no Cordeiro, onde ela participa de atividades esportivas, de leitura e também recebe reforço escolar.


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