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Ajustes em semáforos reduzem congestionamentos na saída da Zona Sul do Recife

18 / abr
Publicado por Roberta Soares às 7:30

Foto: Arnaldo Carvalho/Drone/JC Imagem

 

Sair de carro da Zona Sul do Recife, nos horários de pico da manhã, está mais fácil. E mesmo sem mexer na Faixa Azul da Avenida Antônio de Góis, implantada em janeiro na via e que desde então tem provocado inúmeras críticas dos motoristas do transporte individual, apesar do ganho de 35% na velocidade dos ônibus. É o que garante a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), após novos ajustes no conjunto de semáforos que incluem, basicamente, a expansão das programações dos equipamentos localizados no fim de Boa Viagem e no Pina. A redução do tempo de deslocamento, afirma a gestora do trânsito da capital, chegou a 47%, em média, quando comparada com o fim de fevereiro.

Desde a fase pós-Carnaval e o fim das férias, quando os veículos voltaram às ruas com força, que nós começamos a fazer um monitoramento pesado da região. Sabíamos que ajustes precisavam ser feitos e começamos a trabalhar. Nos dedicamos a esses ajustes e agora vemos que os ganhos são reais. Agora, é claro, há o limite da tecnologia e das vias provocado pela quantidade de veículos”,

João Braga, secretário de Mobilidade do Recife

O ganho foi verificado nos três corredores de saída da Zona Sul que descarregam o tráfego na Avenida Antônio de Góis: Via Mangue e as Avenidas Conselheiro Aguiar e Boa Viagem. Na prática, significa dizer que quem levava 20 minutos para percorrer os quatro quilômetros que separam a Rua José Maria de Miranda, em Boa Viagem (altura do Citibank e do Itaú Personnalité), agora, após os novos ajustes na rede semafórica, está levando quase 10 minutos. De forma geral, segundo os cálculos da CTTU, o tempo médio de deslocamento nesse trecho tem sido de 14 minutos para os três corredores de saída.

Explicando de uma forma simples para que as pessoas entendam, o que a CTTU promoveu no conjunto de semáforos da região foi uma reprogramação ampliada dos semáforos. Antes das mudanças, os equipamentos tinham entre quatro e cinco programações. Esses ciclos foram ampliados para 12 programações no horário das 6h30 às 11h da manhã, definidos com base em contagens de veículos e informações de trânsito coletadas da nuvem do Google Maps. Em alguns cruzamentos, por exemplo, como o da Via Mangue com a Avenida Antônio de Góis, a programação semafórica foi aumentada para 180 segundos, divididos igualmente para cada via, ou seja, 90 segundos (1,30 minutos) em cada sentido.

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“Desde a fase pós-Carnaval e o fim das férias, quando os veículos voltaram às ruas com força, que nós começamos a fazer um monitoramento pesado da região. Sabíamos que ajustes precisavam ser feitos e começamos a trabalhar, tanto com a consultoria que dispomos (Fratar, antiga Tectran, de Minas Gerais) como com a empresa que faz a gestão da rede semafórica (a pernambucana Serttel). Nos dedicamos a esses ajustes e agora vemos que os ganhos são reais. Agora, é claro, há o limite da tecnologia e das vias provocado pela quantidade de veículos”, explica o secretário de Mobilidade do Recife, João Braga.

O mais importante do ganho que temos obtido na saída da Zona Sul é que referendamos a Faixa Azul da Antônio de Góis ao mostrar que não era ela quem estava impactando na circulação, até porque os coletivos que a utilizam já trafegavam na via antes de terem a faixa exclusiva. Os ajustes na rede semafórica mostraram isso”,

Gustavo Sales, gerente geral de Engenharia de Tráfego da CTTU

Segundo a Serttel, o modelo utilizado na saída da Zona Sul é o TrafGO, uma nova geração de sistema de controle inteligente de semáforos, desenvolvido pela empresa e que utiliza a inteligência artificial para otimizar ciclos, defasagens e frações de verdes dos semáforos, reduzindo o tempo de deslocamento dos veículos. Diferentemente do sistema de controle de tráfego adaptativo em tempo real, a programação é feita remotamente na central de controle da CTTU e pré-programada nos equipamentos. O TrafGo, entretanto, está sendo testado pela Serttel numa parceria com a prefeitura. Não faz parte do contrato atual com a empresa.

“O mais importante do ganho que temos obtido na saída da Zona Sul é que referendamos a Faixa Azul da Antônio de Góis ao mostrar que não era ela quem estava impactando na circulação, até porque os coletivos que a utilizam já trafegavam na via antes de terem a faixa exclusiva. Os ajustes na rede semafórica mostraram isso. Também é preciso considerar o impacto das obras de restauração da BR-101, que trouxe um volume de veículos para a região que antes não existia. Só para se ter ideia, a Via Mangue teve um acréscimo de quase dois mil veículos do fim do ano passado para cá”, pontua Gustavo Sales, gerente geral de Engenharia de Tráfego da CTTU.


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