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Recife mantém desligamento da fiscalização de velocidade a partir de 1º de agosto

07 / jul
Publicado por Roberta Soares às 18:00

Equipamentos de fiscalização eletrônica de velocidade deixarão de notificar infrações nos horários de pico da manhã e da noite, por 30 dias. Fotos: JC Imagem

A Prefeitura do Recife não voltou atrás na sua decisão e a partir do dia 1º de agosto os equipamentos de fiscalização eletrônica de velocidade instalados nas vias da capital pernambucana deixarão de multar, nos horários de pico, os motoristas que excederem o limite das vias, infrações consideradas média, grave e gravíssima, com valores que vão de R$ 130,16 a R$ 880,41. O desligamento foi um pedido do vereador do Recife Marco Aurélio (PRTB), atendido pessoalmente pelo prefeito Geraldo Júlio. Será um teste em toda a cidade, até o dia 31 de agosto, nos horários de pico da manhã (6h às 8h30) e da noite (17h30 às 19h). Os testes vão acontecer enquanto técnicos da própria prefeitura elaboram o Plano de Mobilidade Urbana da cidade que prevê a redução da velocidade máxima das ruas da cidade para 50 km/h e apesar de a fiscalização eletrônica proporcionar reduções de até 80% no número de acidentes, segundo dados também municipais.

 

A intenção do teste, pelo menos oficialmente, é avaliar se, livre do medo de serem multados, os motoristas andam mais rápido na altura dos equipamentos de fiscalização e, assim, a circulação de veículos (principalmente de automóveis, vale ressaltar) fica mais rápida. Nos bastidores, sabe-se que a decisão de deixar de notificar os infratores (na verdade, os equipamentos continuarão ligados, mas não haverá a validação da autuação) não foi bem aceita na gestão municipal, principalmente entre o corpo técnico da Secretaria de Mobilidade e da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), que é contra o teste. Prova disso é que a prefeitura levou mais de 24 horas para confirmar à reportagem se a operação seria ou não mantida, embora o teste tenha sido anunciado desde abril pela assessoria da Câmara do Recife e pela equipe do vereador Marco Aurélio.

Outra prova de que o assunto é polêmico e confuso dentro da prefeitura é que, a medida que a data do início dos testes se aproxima, as informações começam a ficar truncadas. Em abril, a CTTU informou oficialmente que a cidade possuía 64 equipamentos de controle de velocidade e que, desses, apenas três – situados na área chamada Zona 30, no Bairro do Recife – não seriam desligados. Agora, a informação repassada pela Secretaria de Mobilidade é outra: existem 74 equipamentos na capital – incluindo os cinco novos que estão sendo instalados –, mas nem todos farão parte dos testes. A definição de quais ficarão sem multar seria feita no decorrer deste mês.

Por nota, a CTTU informou que não estão incluídas nos testes as infrações de avanço de semáforo, parada sobre faixa de pedestres, conversão proibida e invasão das faixas exclusivas para o transporte público. Ou seja, quem praticar será autuado. Em abril, quando também se pronunciou por nota, a prefeitura justificou a decisão de atender ao pedido do vereador com o argumento de que são baixos os índices de acidentes de trânsito com vítimas nesses horários de pico, representando uma média de 4% do total de ocorrências em todo o ano. Diz, ainda, que a equipe técnica vai acompanhar de perto os testes e, caso sejam constatados danos à mobilidade e aos índices de acidente, a fiscalização será retomada após o período de testes. A promessa é que um relatório de avaliação dos resultados seja feito após o fim dos testes.

O vereador Marco Aurélio tem, basicamente, quatro argumentos para defender o pedido feito ao prefeito Geraldo Júlio. Em primeiro lugar, diz que o objetivo é melhorar a circulação para todos os veículos e não apenas para o automóvel. Depois, alega que a lentidão do trânsito nos horários de pico é tanta que é impossível um condutor exceder a velocidade limite das vias, reduzindo as chances de colisões ou atropelamentos. Na sequência, que existe uma indústria de multas na cidade e, com medo de ser multado – lembrando que a infração de excesso de velocidade pode chegar a R$ 880,41 –, os condutores reduzem excessivamente a velocidade quando passam pelos equipamentos, travando ainda mais o trânsito. E, por fim, que em outras vias que têm a fiscalização desligada eventualmente, como as estradas durante os feriados, não há registro de colisões nem mortes.

“Existe um movimento na cidade que defende complicar a vida dos carros para forçar os motoristas a deixá-los em casa, mas sou contra isso porque, na verdade, não temos um sistema de transporte público eficiente e confortável nem ciclovias para oferecer segurança a quem quer pedalar. Por isso, não podemos punir quem anda de carro. Sou a favor de todos os modais, não apenas do automóvel. E o teste é para isso. Para ver se a circulação melhora para todos”, afirma Marco Aurélio.

Em abril, a CTTU havia informado que iria desligar os equipamentos abaixo:


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