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Biometria facial já em teste nos ônibus da Região Metropolitana do Recife

16 / ago
Publicado por Roberta Soares às 8:11

A nova tecnologia vai dispensar a constrangedora biometria digital, que irrita os passageiros e atrasa o embarque. Fotos: Bobby Fabisak/JC Imagem

A biometria facial já é uma realidade nos ônibus da Região Metropolitana do Recife. Sem alarde, desde o fim de 2017 o setor empresarial vinha testando a nova tecnologia em 40 ônibus da Empresa Caxangá, que opera na Zona Norte da capital e do Grande Recife, e devido aos resultados positivos, a biometria chegará a toda frota de três mil coletivos a partir de novembro. Os novos equipamentos representam um investimento de R$ 15 milhões, que os empresários garantem ser totalmente privado, e a expectativa é de que agilize o embarque dos passageiros e reduza na metade as fraudes no uso das gratuidades.

Para os passageiros que usam corretamente os benefícios a que têm direito – VEM Estudante, Livre Acesso, Passe Livre e Rodoviários – só haverá vantagens. Como o nome já diz, a biometria facial é uma tecnologia que faz o reconhecimento pelas características da face. Ou seja, não haverá mais a identificação pela digital, implantada desde 2014 no sistema de transporte e que apresenta muitas falhas durante a leitura realizada nos validadores instalados nos ônibus. Por outro lado, a nova tecnologia representará maior fiscalização sobre o uso indevido dos cartões que dão benefícios tarifários aos usuários, evitando fraudes no sistema.

 

Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE), os passageiros nem perceberão a mudança quando a migração da tecnologia acontecer. “A única diferença é que, ao entrar no coletivo, o usuário não verá mais o validador da biometria digital, onde hoje ele coloca o dedo para ter sua identificação comprovada. Ele passará normalmente após aproximar o cartão VEM. E, enquanto passa, são feitas fotografias dele, por uma câmera instalada sobre o validador”, explica Bernardo Braga, consultor da Urbana-PE.

Quando a biometria digital identificar divergências entre a imagem registrada no cadastro do passageiro e as seis fotos retiradas no momento do uso do cartão VEM, as imagens serão enviadas para a Urbana-PE e checadas manualmente por funcionários da Urbana-PE para serem ou não validadas. No caso de irregularidade, o cartão é suspenso em 48 horas e o passageiro não conseguirá utilizá-lo novamente. Um processo administrativo é aberto para que o usuário tenha direito ao contraditório e à ampla defesa. Se ainda assim os esclarecimentos forem insatisfatórios, o cartão é bloqueado.

O objetivo é confirmar se o titular do benefício é quem está utilizando o cartão VEM. Os equipamentos que estão sendo testados atualmente nos 40 ônibus da Empresa Caxangá fornecem mensalmente 42 mil imagens de aproximadamente sete mil usuários dos grupos selecionados para o teste (VEM Livre Acesso e Rodoviários). Desse total de imagens, 61% têm sido identificadas como corretas, isto é, o usuário é o titular do cartão. E 39% são separadas para auditoria manual para terem a veracidade do uso confirmada. A Urbana-PE confirmou que tem cancelado cartões usados indevidamente, mas não quis divulgar a quantidade já que se trata de um teste.

 

FLAGRANTES
O combate às fraudes, principal objetivo do investimento empresarial, faz sentido pela dimensão que ela hoje representa no sistema. Durante a produção da reportagem a equipe do JC presenciou diversos usos indevidos na entrada no Terminal Integrado de Xambá, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Foram avós usando o VEM Estudante do neto, mulheres utilizando o VEM Livre Acesso de passageiros do sexo masculino e vice versa. Segundo a Urbana, a biometria facial gera provas inquestionáveis da fraude com relatórios que comparam o momento do pagamento da passagem com as fotos cadastradas no benefício. Lembrando que a nova tecnologia já é utilizada em muitos sistemas de transporte público do País e do mundo.


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