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Cresce busca por intercâmbio para profissionais acima dos 30 anos

29 / ago
Publicado por Bruno Vinícius às 10:30

Ariana viajou para Cape Town, na África do Sul, para aprimorar inglês. A estadia foi de três semanas. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
Ariana viajou para Cape Town, na África do Sul, para aprimorar inglês. A estadia foi de três semanas. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Passar uma temporada no exterior para fazer intercâmbio deixou de ser uma prática apenas de adolescentes ou jovens que cursam parte do ensino médio em colégios fora do País ou buscam um curso de língua estrangeira. Também não é mais exclusividade de universitários ou acadêmicos.

Atualmente, a experiência tem sido muito buscada por profissionais mais experientes, na casa dos 30 ou 40 anos, inclusive com a carreira já estabilizada e em posições de destaque no mercado. Os principais objetivos são o desenvolvimento do idioma, o conhecimento de culturas distintas e um aprendizado mais técnico em sua área de atuação. Há até quem se desligue da empresa pensando em prolongar a estada e, assim, ter uma vivência maior no estrangeiro.

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De acordo com a diretora da unidade Boa Viagem da CI Intercâmbio, Ângela Guedes, entre os cursos mais procurados, está o de língua inglesa, tanto para quem deseja um primeiro contato com o idioma quanto para aprimoramento. “Pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar fora quando mais jovens e agora têm condições financeiras buscam aprender inglês, que é um conhecimento muito valorizado no mercado”, revela. Foi o caso da gerente Norte/Nordeste da Faber-Castell, Ariana Sá, hoje com 36 anos, que passou três semanas na África do Sul estudando inglês no mês de junho.

“Tinha conhecimentos básicos da língua, mas meu cargo demanda mais. Acabei não priorizando o inglês antes e optei por viajar porque provoca uma imersão total. O aprendizado acaba sendo mais intenso”, explica. Hoje, Ariana está conciliando o trabalho com aulas particulares da língua, e planeja realizar mais dois intercâmbios de curto prazo nos próximos dois anos.

O curso de língua estrangeira também está disponível na maioria das agências de intercâmbio na modalidade instrumental, na qual o profissional pode aprender um vocabulário mais específico do seu dia a dia de trabalho em áreas como negócios, gestão, finanças, jurídico e médico, entre outros. Outra opção procurada pelos intercambistas são os cursos de extensão e de profissionalização, geralmente realizados em universidades vinculadas às empresas de viagem, com duração que pode chegar a dois anos.

“Esses permitem ao profissional adquirir um conhecimento mais técnico e relacionado com a sua profissão no exterior. As áreas são diversas, como marketing, administração internacional, entre outras”, ensina a diretora da STB Recife, Marina Motta.

PLANEJAMENTO

Nem toda experiência profissional no exterior será valorizada pelo mercado de trabalho. Tudo depende dos valores da companhia e da posição que o colaborador desempenha. Para não ser mal visto pela empresa ao se ausentar para um intercâmbio, deve-se dialogar com os gestores e escolher a melhor época para viajar. “Uma das primeiras considerações é se perguntar: o que eu espero de retorno desse intercâmbio? O que eu estou buscando com uma temporada fora do País?”, orienta a coach e sócia-diretora do Sistema Humano Integral, Laura Magalhães. O profissional também deve se preocupar em mostrar as vantagens dessa experiência para a própria organização, e de que forma diferente ele poderá contribuir no retorno ao Brasil.

Ainda de acordo com Laura, o ideal é alinhar os desejos pessoais com a filosofia e necessidades da empresa para ter o melhor da experiência. “No geral, pessoas com um intercâmbio no currículo são tidas como preocupadas com o aprendizado contínuo, mas se a viagem não agregar para o trabalho cotidiano, ele pode ficar mal visto”, complementa. Quem acabou de assumir uma posição de liderança também deve esperar mais um pouco para se ausentar, pois esses primeiros momentos de contatos são fundamentais para construir uma parceria com os outros colaboradores.

E caso o profissional não consiga dialogar com os gestores e deixe seu emprego para fazer um longo intercâmbio, ele deve pensar a longo prazo em qual será seu próximo passo no retorno ao país e como a experiência pode ajudá-lo a se encaixar no mercado. “É importante mirar nas próximas oportunidades e saber onde ele pode chegar com essa escolha”, conclui Laura.


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