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Trabalho voluntário turbina o currículo e torna o profissional mais interessante

09 / jan
Publicado por Bruno Vinícius às 16:15

 

Foto: Guga Matos/JC Imagem
Maria Helena fez trabalho voluntário durante a Copa das Confederações, em 2013, e hoje trabalha na fábrica da Jeep. Foto: Guga Matos/JC Imagem

LUIZA FREITAS
lfreitas@jc.com.br

É comum que a virada de ano estimule a reflexão sobre as próprias ações e o planejamento de mudanças para o período que se inicia. Na conta, muitas vezes entra a intenção de ser uma pessoa melhor, se preocupar mais com o próximo, geralmente por motivação social ou religiosa. Mas, diante de um mercado de trabalho extremamente competitivo, boas ações se tornam um diferencial também para o currículo. As empresas costumam ver candidatos engajados como pessoas que trabalham bem em equipe, além de ajudar a saber se há uma identificação ideológica entre as partes.
Para facilitar o encontro de candidatos e empregadores com esse interesse em comum, o Linkedin criou, há três anos, um campo de preenchimento de trabalho voluntário. “Sempre dizemos que as pessoas são contratadas por experiência e demitidas por comportamento. Através desse tipo de atividade é possível saber mais sobre quem é a pessoa, as causas que defende e o que faz além do trabalho”, acredita a gerente de comunicação do Linkedin para a América Latina, Fernanda Brunsizian. A rede social tem hoje 45 milhões de usuários em todo o mundo e o campo de preenchimento é um dos que mais cresce, cerca de 10% por ano desde que foi lançado.
Há dois anos, o último levantamento feito pela rede social focada em netwoking mostrou que 42% dos recrutadores que usam a plataforma para procurar candidatos consideram o voluntariado como uma experiência com peso igual às demais. Mas Fernanda alerta que não adianta preencher a informação com qualquer dado. “É preciso ser muito verdadeiro. Se a pessoa só foi voluntária um dia na vida, se aquilo não é realmente uma atividade, não deve ser colocado”, recomenda a gerente de comunicação.
Com 25 anos, o estudante de engenharia química da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Paulo Marcelo Oliveira colhe os frutos de ter incluído o voluntariado no currículo. “Quando, na entrevista de estágio, eu comentei que já tinha feito trabalhos voluntários me disseram que era uma coisa ótima. Para a empresa isso mostra que consegui trabalhar com pessoas diferentes e me adaptar rápido aos ambientes”, lembra. Ele hoje é estagiário no Grupo Moura, uma das mais importantes empresas pernambucanas e do País.
A experiência prévia de Paulo foi durante o intercâmbio feito para os Estados Unidos através do programa Ciência Sem Fronteiras. Ele descobriu que lá o voluntariado é integrado à vida acadêmica e muito mais presente na realidade das pessoas em geral. “Fiz uma matéria que se chamava ‘liderança para engenheiros’ e éramos obrigados a fazer 25 horas de trabalho voluntário em uma creche. Os americanos valorizam muito isso porque eles entendem que é preciso retribuir para a sociedade o que ela deu a você”, afirma o estudante.

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Habilidades

E isso não inclui apenas trabalhos voltados para crianças, idosos e comunidades carentes, mais comuns no Brasil. A intenção é proporcionar alguma habilidade própria para o interesse comum. É o caso da engenheira de energia Maria Helena de Sousa, 25, que foi voluntária da Copa das Confederações em 2013, que contribuiu com o conhecimento em línguas estrangeiras.

“Aprendemos a lidar com pessoas de diferentes nacionalidades, a tratar gente de outros lugares. O que me atraiu para me inscrever foi o gosto pelo futebol, mas vi que em qualquer experiência com voluntariado o aprendizado é muito alto”, afirma Maria Helena, que hoje trabalha na fábrica da multinacional Jeep, em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. A engenheira também atuou como voluntária durante a graduação na UFPE e o intercâmbio para o Japão.
“Principalmente para jovens em início de carreira esse tipo de atividade ajuda a desenvolver dinamismo, senso de liderança”, afirma a sócia do Fesap Group no Recife – empresa de consultoria de capital humano –, Fabiana Azevedo. Segundo ela, o interesse das empresas por candidatos com experiência em voluntariado cresceu consideravelmente nos últimos quatro anos em Pernambuco. “Não é um ponto eliminatório, mas sim um diferencial importante”, garante.


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