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Hora de encarar o mercado de trabalho

27 / ago
Publicado por Davi Souza às 12:30

Com a redução dos investimentos do governo para o setor público, concurseiros procuram alternativas para voltar ao mercado de trabalho. Foto: Divulgação

Em junho, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo vai desacelerar concursos para desinchar a máquina pública. Como efeito, vários concurseiros estão largando os estudos para tentar voltar ao mercado de trabalho. Entretanto, muitas dessas pessoas, que deixaram de lado, muitas vezes, até os antigos empregos para se dedicarem exclusivamente ao sonho de se preparar para entrar no setor público, terminam passando por dificuldades em voltar ao mercado após os meses, e até mesmo anos, longe de suas atividades de formação.

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No mês de maio, especificamente no dia 22, Guedes já havia sinalizado a paralisação nas contratações de novos servidores. Durante palestra em Brasília, ele classificou o funcionalismo de “superburocratas”. “Vamos travar os concursos. Vamos ter uma classe burocrática com mais qualidade e menos gente”, disse.

A volta para o mundo empresarial pode ser bastante penosa para aqueles que optaram por passar muito tempo longe. De acordo com o especialista em Recursos Humanos da empresa Soar, Allan Lopes, quando o concurseiro escolhe passar um período longo de tempo se dedicando exclusivamente aos concursos, ele escolhe também não adquirir experiências e desenvolver habilidades dentro de uma corporação, complicando a recolocação no mercado.

“O que pode aliviar um pouco a dificuldade para se recolocar, é explicar e detalhar bem no currículo o que foi feito no tempo que ele se afastou do meio empresarial, e quais as motivações que o levou a desagregar-se do mercado”, acrescenta Allan.

Ex-concurseiro e formado em administração, Gabriel Pontes conta que após um ano e meio estudando, e outro um ano procurando emprego, participou de apenas 4 seleções de trabalho e está sentindo muita dificuldade para se colocar no mercado. Sua principal dificuldade é a falta de experiência, já que nunca desempenhou um emprego com carteira assinada. Após se formar, Gabriel se dedicou exclusivamente aos estudos para concursos, mas após muitas tentativas, decidiu enfrentar o mercado de trabalho e hoje encara um outro tipo de concorrência.
“Eu estava um pouco desacreditado em relação aos concursos. Era muito difícil para passar, principalmente nos de órgãos federais, por isso desisti. E, ao voltar meu foco para o mundo empresarial, me senti um pouco perdido, sem saber por onde começar e enviar currículo, ou qual corporação condizia com meu perfil”, diz Gabriel.

CONTRIBUIÇÕES

Por mais que o concurseiro não tenha desenvolvido uma experiência profissional no tempo em que passou se dedicando aos estudos, essa característica, pode, no entanto, ser um diferencial no perfil profissional. A especialista em RH do Senac, Jéssica Acioly explica que estudantes de concurso, em sua grande maioria, são disciplinados, focados, e estratégicos. “Estas são características que agregam ao desempenho dos profissionais em possíveis empregos”, diz a especialista.

Jéssica diz ainda que a partir da decisão de voltar ao mercado de trabalho, “o indivíduo necessita escolher uma área de atuação, e após a escolha, precisa traçar um planejamento de foco, estudando quais empresas podem contratá-lo, e qual o tipo de perfil profissional ele pode se adaptar”, diz.

Ex-concurseira, a redatora de criação de uma agência de publicidade, Ana Carla Santiago retornou ao mercado após um ano estudando para concurso, quando foi despertada pela curiosidade sobre o cotidiano profissional. Ela focou na área de sua formação, e obteve um emprego com a ajuda de um dos contatos da rede de relacionamento da profissional.

“Falei com uma amiga que estava em atividade numa agência de marketing e publicidade, e ela me chamou para ajudar em uma campanha política. Trabalhei na campanha, e após o período eleitoral, continuei trabalhando na agência como redatora”, explica a jornalista. Ainda neste período Ana estava tentando estudar para o concurso enquanto trabalhava, “mas por conta da necessidade de uma renda e por faltar tempo, tive que optar por focar no meu trabalho na agência”, afirmou Ana Carla.


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