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Comissão da Verdade de PE revela documento sobre a prisão de Fernando Santa Cruz durante a ditadura

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Publicado em 17/02/2014 às 17:00
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A Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara promove na sede da OAB/PE, nesta terça-feira, 18 de fevereiro, a partir das 15h, sessão solene que marca os 40 anos do desaparecimento dos militantes pernambucanos da APML - Ação Popular Marxista-leninista – Fernando Santa Cruz e Eduardo Collier.

Durante o ato será entregue aos familiares de Santa Cruz, cópia de documento secreto, difundido pelo Ministério da Aeronaútica, Comando Costeiro, Quartel General, 2ª Seção referente a resposta a um pedido de Busca, nº 655/A2/COMCOS/78, sobre regresso ao Brasil de banidos, asilados e auto-asilado. Na ocasião, também será devolvido aos parentes dos dois desaparecidos, cópia do acervo fornecido pela família à comissão e já digitalizado pela Companhia Editora de Pernambuco (CEPE) e que fará parte do Memorial da Democracia.

Manoel Moraes, membro e relator da CEMVDHC fala da importância do documento secreto: “Os órgãos oficiais, até aquele momento, diziam aos familiares e aos organismos internacionais que Eduardo Collier e Fernando Santa Cruz respondiam processos na auditoria militar e, portanto, deveriam ser considerados foragidos. O que o arquivo revela é que, mesmo depois de reiteradas solicitações de informações sobre o sequestro dos militantes da APML, o Estado reafirmou esta versão. No escrito, temos um relatório classificado como secreto que informa Fernando como preso”.

Moraes faz ainda uma ressalva: “O fato de um documento da chamada comunidade de informações trazer esta revelação, qualifica ainda mais a ideia que o poder público tinha e tem dados oficiais sobre sua prisão. E que , mesmo diante disso, não respondeu aos membros e órgãos competentes o verdadeiro paradeiro de Eduardo Collier e Fernando Santa Cruz. Este fato pode e deve representar uma nova e importante etapa de internacionalização do caso, que foi nominado de 1844 na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)"”.

Lideranças estudantis, ambos tinham 26 anos e foram vistos pela última vez em 23 de fevereiro de 1974, num sábado de carnaval, em Copacabana, Rio de Janeiro, por ocasião das prisões efetuadas por agentes do DOI-CODI/RJ.

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