Início dos testes da Transposição do São Francisco gera debate na Alepe

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Publicado em 14/10/2014 às 10:22
Foto: Marcela Balbino/BlogImagem
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O debate sobre o início dos testes no sistema de bombeamento da Transposição do Rio São Francisco chegou à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Nessa segunda-feira (13), o deputado estadual Alberto Feitosa (PR) se posicionou contra a captação de água no Lago de Itaparica para fazer a alimentação de um reservatório do Eixo Leste da obra, que deu início aos testes. A situação do lago é considerada crítica porque ele está com apenas 17% de sua capacidade hídrica, nível compatível com o da seca de 2011.

Os testes dos canais ocorrem levando água do Lago de Itaparica para subestações da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf). O Lago de Itaparica fica em Petrolândia, no Sertão do São Francisco. No último dia 10, o Blog de Jamildo já havia mostrado as críticas do prefeito da cidade, Lourivaldo Simões (PR), ao início dos testes neste momento.

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"Todas as tentativas de diálogos com Chesf, ONS e ANA a resposta tem sido a mesma. Eles nos dizem que temos de garantir a produção elétrica porque a crise energética, somada a seca, levou o sistema a beira de um colapso. Não consigo entender como é mais importante produzir energia em detrimento de manter água para a vida das pessoas", questionava o prefeito.

De acordo com o Ministério da Integração Nacional, os testes no sistema de bombeamento foram iniciados nessa segunda-feira (13), o que vai encher os canais até a primeira Estação de Bombeamento. A previsão é que a primeira meta do Eixo Leste, que é levar água até o reservatório Areias, no município pernambucano de Floresta, esteja em pré-operação até o final do ano.

Trecho da Transposição em Floresta. Foto: Marcela Balbino/BlogImagem Trecho da Transposição em Floresta. Foto: Marcela Balbino/BlogImagem

Na Alepe, Feitosa afirmou ainda agricultores de uma área de cinco mil hectares de perímetro irrigado estão vivendo em racionamento de água em função dos baixos índices do lago. Na cidade, o assunto tem gerado protesto de populares.

Em apoio ao colega, o deputado estadual Rodrigo Novaes solicitou a realização de uma audiência pública com prefeitos da região e representantes da Agência Nacional de Águas (ANA), do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf).

No plenário, o deputado estadual Augusto César (PTB) saiu em defesa dos testes, lembrando que existe um canal de obra pronto e que o cumprimento das etapas da obra é importante para evitar o colapso de abastecimento na região, como teria ocorrido com a Adutora do Pajeú.

Há quatro dias, o diretor de Energia e Construção da Chesf, José Ailton de Lima, afirmou que a vazão atual do Rio São Francisco é de 1.100 m/s e que as bombas irão puxar apenas 7m/s nessa fase de testes. "Isso é irrisório", garantiu ao Blog de Jamildo.

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ELEIÇÕES - O início dos testes do sistema de bombeamento da Transposição ocorre em meio ao segundo turno da eleição presidencial. "Não sei se de repente vamos assistir nos guias eleitorais que o Canal da Transposição está funcionando para enrolar os sulistas", questionou o prefeito de Petrolândia na semana passada.

Em agosto, a presidente Dilma Rousseff (PT), acompanhada do ex-presidente Lula (PT), esteve nas obras da Transposição em Cabrobó, no Sertão pernambucano, para gravar imagens para o guia eleitoral petista.

A Transposição do São Francisco é orçada em R$ 8,2 bilhões e é dividida em dois canais. O Eixo Leste cruza Pernambuco e Paraíba, enquanto o Norte segue para o Ceará e o Rio Grande do Norte. A expectativa é que mais de 12 milhões de pessoas sejam beneficiadas.

A obra teve início em 2007, no segundo mandato de Lula, orçada em R$ 4,5 bilhões. O Eixo Leste deveria ter ficado pronto em 2010 e o Norte, em 2012.

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