Ex-sócio de Eduardo Campos teria negociado propina de R$ 20 milhões na Petrobras, diz delator

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Publicado em 23/10/2015 às 9:18
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bezerra Paulo Roberto Costa (centro), primeiro delator da Lava Jato, citou deputados, senadores, governadores e ex-parlamentares que teriam sido beneficiários de recursos ilícitos.

O ex-presidente da Camargo Corrêa e delator da Lava Jato, Dalton dos Santos Avancini, afirmou aos investigadores da operação ter se encontrado em 2010 com o empresário e ex-sócio de Eduardo Campos, Aldo Guedes Álvaro no shopping Iguatemi, em São Paulo, para acertar o suposto pagamento de propina de R$ 20 milhões da empreiteira para abastecer o caixa 2 da campanha à reeleição do então governador de Pernambuco. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (23) pelo jornal O Estado de São Paulo.

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De acordo com o jornal, a primeira citação aos R$ 20 milhões foi feita pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Lava Jato – ele citou deputados, senadores, governadores e ex-parlamentares que teriam sido beneficiários de recursos ilícitos tirados de contratos de empreiteiras com a estatal petrolífera.

Aldo Guedes Álvaro é investigado pela Polícia Federal por suspeita de ser o verdadeiro dono do jatinho usado na campanha de Campos no ano passado e também foi alvo de buscas durante a Operação Politeia, desdobramento da Lava Jato que investiga políticos no Supremo Tribunal Federal.

ALDO GUEDES

Aldo-Guedes-1 Segundo advogado, Aldo Guedes nega encontro com Dalton Avancini e diz que nunca atuou no comitê financeiro da campanha de Eduardo Campos

Após a operação, em julho, o empresário deixou o cargo de presidente da Companhia Pernambucana de Gás, Copergás. Homem de confiança de Campos, Guedes era seu sócio na Fazenda Esperança, área de 210 hectares, e na Agropecuária Nossa Senhora de Nazaré, em Brejão (PE). Ele também é casado com uma prima da família.

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Ao JC, o advogado Ademar Rigueira, que representa o ex-presidente da Copergás, negou todas as acusações presentes na matéria. Ele disse que o ex-sócio de Eduardo Campos prestou um depoimento há dois meses em que informou nunca ter encontrado com Avancini e que nunca participou do comitê financeiro da campanha do ex-governador. "Aldo é uma pessoa pública, conhecida, era sócio de Eduardo, presidente da Copergás. O nome dele foi trazido porque ele é uma pessoa pública, mas ele nunca teve esse contato", afirmou Rigueira.

‘Contribuição’

Ainda segundo o Estadão, no encontro, relatou Avancini, Aldo teria cobrado a “contribuição” de R$ 20 milhões e afirmado que ela havia sido prometida pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa.

O valor deveria ser pago pelas empresas que tinham conseguido contratos nas obras da Refinaria de Abreu e Lima, megaempreendimento da estatal no Estado de Pernambuco, dentro do esquema de corrupção instalado na Petrobrás.

Na época diretor de Óleo e Gás da Camargo, Avancini afirmou a Aldo que a empresa não teria condições de arcar com este valor, o que teria deixado Aldo contrariado. “Que, observa que Antonio Miguel Marques (na época presidente da Camargo), ao que recorda, lhe informou que o teto máximo da contribuição a ser fornecida pela Camargo seria de 12 milhões de reais; que, ao informar a Aldo Guedes qual seria o teto da contribuição da Camargo, Aldo ficou contrariado e disse que isso não era o combinado, todavia acabou aceitando a proposta e mencionou que o valor deveria ser disponibilizado rapidamente”, relatou o executivo aos investigadores.

Avancini então respondeu que não poderia fazer a transferência tão rápido pois ” iria ser estudada uma forma de realizar o repasse”. Apesar de contrariado, Aldo Guedes acabou aceitando. Posteriormente, segundo o delator, a tarefa de viabilizar o repasse da propina foi encaminhada ao então gerente de contrato da Camargo Corrêa para a RNEST, Paulo Augusto Santos da Silva. O valor repassado para o caixa dois teria sido, então de R$ 8,7 milhões por meio de um contrato de fachada da empreiteira com a empresa Master Terraplenagem.

Veja o termo de delação premiada divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo:

A Camargo Corrêa vem colaborando com as investigações da Lava Jato e tem evitado comentar as delações de seus executivos. A reportagem entrou em contato com o PSB, mas não obteve retorno do partido até a conclusão do texto.

Quando questionado sobre a suposta propina a Campos, a sigla afirmou por meio de nota: “O Partido Socialista Brasileiro (PSB) informa que todos os recursos que financiaram as campanhas de Eduardo Campos para o governo de Pernambuco foram arrecadados legalmente. Inclusive, a conta referente a 2010 foi aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco.”

A reportagem do Estadão tentou contato por telefone com Aldo Guedes, mas o empresário não atendeu as ligações e nem retornou as mensagens. A reportagem também entrou em contato com o escritório do advogado de Aldo, mas não conseguiu falar com ele.

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