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Sarney diz em gravação que foram negociadas 'certas condições' no Congresso para Temer assumir

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Publicado em 25/05/2016 às 22:05
Foto: Antonio Cruz/ABr
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Novos trechos da conversa entre o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que teve acordo de delação premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nessa terça-feira (24), foram publicados pela Folha de S. Paulo nesta quarta (25). O peemedebista afirma que a oposição - mesmo citando apenas o PSDB - queria tirar o governo petista do poder e não aceitava sequer que o vice Michel Temer (PMDB) assumisse, até que foram propostas 'certas condições', não explicitadas na gravação.

Sarney fala ainda sobre revelações que podem ser feitas em possível delação premiada do empresário Marcelo Odebrecht, dono da construtora que leva seu sobrenome e que está preso em Curitiba por causa de esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato. "Odebrecht vem com uma metralhadora de ponto 100", diz o ex-presidente a Machado.

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A gravação também cita o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Olha, acabei de sair da casa do nosso amigo. Expliquei tudo a ele, em todos os detalhes, ele acha que é urgente, tem que marcar uma conversa entre o senhor, o Romero (Jucá) e ele", fala Machado, acrescentando que um aliado de Renan vazou que eles estaria com medo de ser preso, como aconteceu com o senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido).

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"Esse governo acabou, acabou, acabou. Agora, se a gente não agir... Outra coisa que é importante para a gente, e eu tenho a informação, é que para o PSDB a água bateu aqui também. Eles sabem que são a próxima bola da vez", continua o ex-presidente da Transpetro, após afirmar que o juiz federal à frente da Lava Jato, Sérgio Moro, estaria falando 'besteira'. "Eles sabem que não vão se safar", responde Sarney.

Leia a continuação desse trecho divulgado pela Folha:

"MACHADO - E não tinham essa consciência. Eles achavam que iam botar todo mundo de bandeja... Então é o momento dela para se tentar conseguir uma solução a la Brasil, como a gente sempre conseguiu, das crises. E o senhor é um mestre para isso. Desses aí o senhor é o que tem a melhor cabeça. Tem que construir uma solução. Michel tem que ir para um governo grande, de salvação nacional, de integração e etc etc etc

SARNEY - Nem Michel eles queriam, eles querem, a oposição. Aceitam o parlamentarismo. Nem Michel eles queriam. Depois de uma conversa do Renan muito longa com eles, eles admitiram, diante de certas condições

MARCHADO - Não tem outra alternativa. Eles vão ser os próximos. Presidente, não há quem resista a Odebrecht

SARNEY - Mas para ver como é que o pessoal...

MACHADO - Tá todo mundo se cagando, presidente. Todo mundo se cagando. Então ou a gente age rápido... O erro da presidente foi deixar essa coisa andar. Essa coisa andou muito. Aí vai toda a classe política para o saco. Não pode ter eleição agora

SARNEY - Mas não se movimente nada, de fazer, nada, para não se lembrarem..."

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Sarney ainda diz que não há saída para a presidente Dilma Rousseff (PT), afastada há duas semanas para aguardar o julgamento do pedido de impeachment contra ela. "Eles (deputados e senadores de oposição) não aceitam nem parlamentarismo com ela", opina. Em uma segunda conversa, Machado afirma: "Acabou o Lula." E Sarney responde que o ex-presidente petista deve estar deprimido, acrescentando que, na opinião dele, não houve 'solidariedade' de Dilma.

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