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Esquema criminoso da Operação Turbulência foi desbaratado com ajuda de doleiros ligados a Alberto Youssef

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Publicado em 09/07/2016 às 9:44
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Os nomes dos empresários Roberto Trombeta e Rodrigo Morales não eram conhecidos em Pernambuco, mas, além das diligências de campo no Estado, eles foram fundamentais para o desbaratamento do esquema criminoso investigado e denunciado na Operação Turbulência, deflagrada no dia 21 de junho passado, pela Polícia Federal de Pernambuco.

O contador Roberto Trombeta e seu sócio Morales são delatores da Operação Lava Jato, desde o ano passado. Inicialmente, Trombeta virou alvo da Polícia Federal após seu contato telefônico ser identificado no celular do doleiro Alberto Youssef, um dos delatores primeiros e principais instrumentos do esquema de corrupção e propinas instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014. Trombeta e o sócio fecharam acordo de delação premiada com a força-tarefa do Ministério Público Federal e posteriormente as declarações foram homologadas pela Justiça.

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Qual a relação com Pernambuco?

Após investigar a compra do jatinho usado pelo ex-governador Eduardo Campos (PSB), que morreu após queda do avião durante a campanha presidencial de 2014, a Polícia Federal descobriu um esquema de lavagem de dinheiro com atuação principalmente em Pernambuco. Segundo a PF, há indícios de que os recursos eram desviados da Petrobras e da Transposição do Rio São Francisco supostamente para campanhas do socialista.

Quando deflagrou a operação no Estado, no mês passado, a PF informou que um grupo de empresários locais - com destaque para Carlos Lyra, Eduardo Bezerra Leite e Apolo Santana Vieira - havia se reunido para desviar cerca de R$ 600 milhões, desde ao menos 2010. Como a origem dos recursos seriam as obras da Transposição e a refinaria da Petrobras, um dos principais focos era a empresa Câmara e Vasconcelos, de propriedade do empresário Paulo César Morato, que apareceu morto, envenenado, um dia depois das prisões. A PF acusava a empresa de ter recebido quase R$ 19 milhões da OAS, oriundos das obras da transposição. Ele estava foragido e era apontado como teste de ferro do esquema.

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Pois bem. O contador Roberto Trombeta era ligado à OAS, basicamente. Trombeta foi então o primeiro operador ligado à construtora baiana OAS a colaborar com as investigações da lava Jato.

No final de agosto de 2015, portanto menos de um ano atrás, o contador Roberto Trombeta fechou um acordo de delação premiada em que ofereceu informações de detalhes do uso de empresas de fachada para lavar o dinheiro da OAS e da UTC, resultantes de contratos com a Petrobras. O acordo foi homologado pelo juiz Sergio Moro.

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De acordo com informações já divulgadas em âmbito nacional, Trombeta tinha relação com grandes empreiteiras desde os anos 1990, a título de consultoria tributária. Nas investigações junto ao MPF, o empresário admitiu que, além de assessoria tributária, o contador era responsável por montar e operar empresas de fachada que, firmavam contratos fraudulentos com empreiteiras, para lavar dinheiro desviado da estatal. Por meio destas empresas que não tinham funcionários nem prestavam serviços, o contador gerava o dinheiro vivo para pagamento de propina.

Assim, a elucidação do caso em Pernambuco, como em outros estados, ocorre em boa medida por conta do compartilhamento de provas pela Justiça Federal. O MPF em Pernambuco, de fato, informou que a operação tem como bases relatórios de inteligência fiscal do COAF e documentos bancários apresentados pelo colaboradores premiados.

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O principal alvo de seus depoimentos foi a OAS. Ele entregou informações de pagamentos realizados pela empreiteira no exterior através de uma empresa offshore.

Em fevereiro deste ano, Trombeta quase perde as vantagens do acordo de delação, no qual em troca de benefícios judiciais pagaram R$ 25 milhões, depois de ter sonegado informações às investigações. Neste momento, ele entregou também o suposto esquema da CAOA.

Os dois contadores aparecem em documentos da panamenha Mossack Fonseca como diretores de companhias offshore ligadas ao empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, dono da rede de concessionárias CAOA e da montadora Hyundai no Brasil, e detentor de um patrimônio declarado de R$ 833 milhões em 2014. O empresário Oliveira Andrade foi investigado por duas operações do Ministério Público e da Polícia Federal, a Zelotes, que apura sonegação, e a Acrônimo, sobre a suposta compra de medidas provisórias de interesse da indústria automobilística. Seus advogados negam irregularidades.

Em depoimento à PF, em 3 de junho de 2015, Alberto Youssef contou que conheceu Roberto Trombeta em 2011, na casa do executivo Valmir Pinheiro Santana, da UTC Engenharia.

“Algum tempo depois passaram a fazer negócios; que geralmente as operações consistiam em entrega de reais vivos para os referidos, em troca de pagamentos feitos no exterior, geralmente na conta da Santa Thereza Services no PKB Bank, localizada na Suíça”, afirmou na época o doleiro, um dos delatores da Lava Jato.

Lavanderia para Alagoas também, com ajuda de Alberto Youssef

No mesmo dia da operação no Recife, o site de Veja revelou que a empresa-fantasma de Paulo César Morato, a Câmara e Vasconcelos Locação e Terraplenagem, pagou propina a senador e deputado alagoanos. Os documentos mostram que também havia outra ligação com Alberto Youssef.

A revista informou que a Operação Turbulência descobriu uma ligação entre uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e o senador Benedito de Lira (PP-AL) e o deputado Arthur César Pereira de Lira (PP-AL). Apesar de não serem alvos diretos da Operação Turbulência, os dois parlamentares são investigados em procedimentos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de terem recebido propina de contratos fraudados na Petrobras. Lira-pai e Lira-filho já tiveram 4,2 milhões de reais em bens bloqueados por decisão do ministro Teori Zavascki, relator do petrolão no STF.

Os parlamentares, alvos da Operação Lava Jato, teriam recebido propinas por meio da empresa-fantasma que integra o esquema que movimentou cerca de 600 milhões de reais desde 2010.

"Uma das empresas utilizadas pelo grupo criminoso sob apuração - a Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem Ltda. - fora beneficiária de recursos provenientes de empresas controladas por Alberto Youssef, mais especificamente a Empreiteira Rigidez Ltda. e a MO Consultoria Ltda. Tais repasses suspostamente teriam sido efetuados como pagamentos de vantagens indevidas ao senador Benedito de Lira e ao deputado federal Arthur César Pereira de Lira, conforme acordos de colaboração premiada", diz a PF, em seu pedido de compartilhamento de informações da Operação Lava Jato enviado ao Supremo Tribunal Federal, que deferiu o acesso ao inquérito envolvendo os parlamentares do PP.

De acordo com o documento, as empresas Geovane Pescados Eireli e Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem Ltda. registraram movimentações de recursos de forma atípica e suspeita. Ao longo das diligências, descobriu-se, então, que se tratavam de meras firmas de fachada, utilizadas para escamotear o fluxo de dinheiro sujo e o destinatário final.

"O modus operandi apurado até o momento é bastante assemelhado ao investigado no bojo da Operação Lava Jato", diz a PF, destacando que as informações da Lava Jato do inquérito envolvendo Benedito e Arthur Lira são de "extrema relevância".

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