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Alvo da Operação Turbulência, comprador de avião de Eduardo Campos caiu em contradição ao depor em inquérito da Lava Jato

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Publicado em 10/07/2016 às 16:29
Foto: Reprodução
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O empresário pernambucano João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, que se notabilizou nacionalmente em 2014, ao assumir a compra do avião Cessna que caiu em Santos matando o presidenciável Eduardo Campos, entrou em contradição em 2015 ao depor nos inquéritos da Operação Lava Jato, antes mesmo da deflagração da Operação Turbulência, no dia 21 de junho passado, no Recife.

Empresa que comprou jatinho usado por Eduardo Campos está em nome de um pescador

Alvo da Operação Turbulência, Apolo Vieira teria usado familiares e até irmã em esquema de fraudes

No papel, ao menos, a compra da aeronave teria custado R$ 1,7 milhão, pago por meio de 16 depósitos bancários. Junto com mais dois empresários, Eduardo Freire Bezerra Leite e Apolo Santana Vieira, todos posteriormente apontados como integrantes de uma quadrilha criminosa que movimentou R$ 600 milhões oriundos de contratos públicos, João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho chegou a divulgar notas oficiais assumindo a transação.

Todos os três empresários foram presos no dia 21 de junho, dia da deflagração da Operação Turbulência, apontados como líderes de um esquema criminoso descoberto quando as autoridades tentavam investigar quais seriam os verdadeiros donos do jatinho que transportava o ex-governador.

A Polícia Federal já desconfiava que a compra havia sido realizada por intermédio de laranjas e os relatórios da COAF apontavam operações suspeitas, em inquéritos que já haviam sido enviados pelo juiz Sérgio Moro ao STF, em 2015.

Em ao menos um deles, havia a informação de que a empresa CRM Materiais de Construção era uma empresa de fachada. A exemplo do que havia acontecido com o pescador Geovane Sá Barreto, dono da Geovane Pescados, também usada no esquema, a Policia Federal constatou que ela era controlada por um laranja, de nome Carlos Roberto de Macedo (CRM que dava nome a empresa).

No inquérito, João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho alegava que teria usado a conta da CRM Materiais de Construção para a aquisição da aeronave de Eduardo Campos, PR AFA31. De acordo com os autos do processo, este sócio teria emprestado R$ 400 mil para a aquisição da aeronave. No entanto, conforme frisam as autoridades policiais no processo, João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho não soube informar quem era o tal sócio. Não soa estranho receber uma transferência tão elevada de uma pessoa que não se conhece, a não ser que ela seja laranja?

Há uma coleção de empresas fantasmas no meio do processo.

No entanto, a empresa que ficou mais conhecida depois da deflagração da operação foi a empresa de fachada Câmara e Vasconcelos Locação e Terraplenagem LTDA, que tinha como sócio o testa de ferro Paulo Cesar de barros Morato. O empresário apareceu morto por envenenamento em um motel de Olinda, no dia 22 de junho. Um dia antes, a PF, na Operação Turbulência, Morato havia sido acusado formalmente, agora em público, de integrar uma organização criminosa, tendo a Câmara e Vasconcelos recebido cerca de R$ 19 milhões da OAS, que trabalhava nas obras da Transposição do São Francisco.

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Esquema bem maior

Durante as investigações, a PF descobriu a participação de várias outras empresas de fachada e de “laranjas”. Até agora, foram identificadas 18 contas bancárias de envolvidos no esquema, sendo a maioria de empresas jurídicas e apenas duas de pessoas físicas. Dezessete contas são registradas em Pernambuco, a maioria na Região Metropolitana do Recife, e algumas com o mesmo endereço. Apenas uma é de Goiás, pertencente à empresa West Pneus.

Pelo menos de 2010 para cá, a movimentação nas 18 contas somam R$ 600 milhões. Ainda não se sabe a origem e o valor exato do dinheiro usado na compra do jatinho, mas o valor estaria incluso nesse montante.

De acordo com a Polícia Federal, dos cinco empresários com mandado de prisão decretado, três deles eram os “líderes” do esquema – servindo como ‘testa de ferro’ de políticos, distribuindo recursos ilícitos “lavados nas 18 contas bancárias” para as campanhas eleitorais. Duas dessas seriam as de Eduardo Campos (PSB) em 2010, para a reeleição ao Governo de Pernambuco, e em 2014 para a presidência.

Os recursos seriam desviados de contratos da Petrobras e de obras da Transposição do Rio São Francisco. Foram compartilhadas nessa investigação provas recolhidas pela Justiça Federal do Paraná e do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Lava Jato.

João Carlos Lyra é enteado do ex-deputado federal por Pernambuco Luiz Piauhylino Monteiro (PSB), que já foi aliado de Eduardo Campos.

Veja promete em índice reportagem sobre propina na campanha eleitoral em Pernambuco, mas texto não saiu na revista, em 2015

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Lavanderia para Alagoas também, com a ajuda de Youssef

No mesmo dia da operação no Recife, o site de Veja revelou que a empresa-fantasma de Paulo César Morato, a Câmara e Vasconcelos Locação e Terraplenagem, pagou propina a senador e deputado alagoanos. Os documentos mostram que também havia outra ligação com Alberto Youssef.

A revista informou que a Operação Turbulência descobriu uma ligação entre uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e o senador Benedito de Lira (PP-AL) e o deputado Arthur César Pereira de Lira (PP-AL). Apesar de não serem alvos diretos da Operação Turbulência, os dois parlamentares são investigados em procedimentos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de terem recebido propina de contratos fraudados na Petrobras. Lira-pai e Lira-filho já tiveram 4,2 milhões de reais em bens bloqueados por decisão do ministro Teori Zavascki, relator do petrolão no STF.

Os parlamentares, alvos da Operação Lava Jato, teriam recebido propinas por meio da empresa-fantasma que integra o esquema que movimentou cerca de 600 milhões de reais desde 2010.

“Uma das empresas utilizadas pelo grupo criminoso sob apuração – a Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem Ltda. – fora beneficiária de recursos provenientes de empresas controladas por Alberto Youssef, mais especificamente a Empreiteira Rigidez Ltda. e a MO Consultoria Ltda. Tais repasses suspostamente teriam sido efetuados como pagamentos de vantagens indevidas ao senador Benedito de Lira e ao deputado federal Arthur César Pereira de Lira, conforme acordos de colaboração premiada”, diz a PF, em seu pedido de compartilhamento de informações da Operação Lava Jato enviado ao Supremo Tribunal Federal, que deferiu o acesso ao inquérito envolvendo os parlamentares do PP.

De acordo com o documento, as empresas Geovane Pescados Eireli e Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem Ltda. registraram movimentações de recursos de forma atípica e suspeita. Ao longo das diligências, descobriu-se, então, que se tratavam de meras firmas de fachada, utilizadas para escamotear o fluxo de dinheiro sujo e o destinatário final.

“O modus operandi apurado até o momento é bastante assemelhado ao investigado no bojo da Operação Lava Jato”, diz a PF, destacando que as informações da Lava Jato do inquérito envolvendo Benedito e Arthur Lira são de “extrema relevância”.

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