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Operação Turbulência acha elo entre esquema local e operador uruguaio condenado na Lava Jato, por prestar serviços a Nestor Cerveró

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Publicado em 11/07/2016 às 10:24
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Logo após a morte trágica de Eduardo Campos na queda do avião, as pessoas muito bem informadas deste Estado comentavam que a elucidação do caso passaria por uma factoring que operava no Pina, controlada justamente por um dos empresários presos na Operação Turbulência, no dia 21 de junho último. O que não se imaginava é que as engrenagens do esquema de desvios de verbas públicas tivesse tentáculos internacionais.

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De acordo com dados da investigação policial, a Polícia Federal achou um elo entre esquema local da Operação Turbulência e um operador uruguaio Oscar Enrique Algorta Rachet, já condenado na Lava Jato, por Sérgio Moro, por prestar serviços ao ex-diretor Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, também condenado na Lava Jato e um dos delatores da investigação nacional.

Como a Polícia Federal chegou ao operador uruguaio?

Para o público, a pista foi dada no mesmo dia em que a operação foi deflagrada. No meio da infinidade de empresas laranjas locais (18), cujas contas foram esmiuçadas pelas diligências em campo, a PF citou o nome da empresa West Pneus, com sede em Goiás. Era a única fora da Região Metropolitana do Recife (RMR). E isto chamava a atenção.

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A despeito de estar sediada em Goiás, a empresa West Pneus tinha a maior parte dos seus títulos de crédito negociados pela empresa pernambucana Negocial Factoring Fomento Mercantil, que funcionava na capital pernambucana, mais especificamente no bairro do Pina.

Nas operações com esses títulos, os terceiros beneficiados com as diversas operações suspeitas foram vários investigados, como João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, Eduardo Freire Bezerra Leite e Apolo Santana Vieira. Nestas operações, Apolo Vieira usava também a empresa Bandeirantes Comércio e Renovação de Pneus, que desde 2009 já havia sido denunciada pelo Ministério Público Federal por formação de quadrilha e sonegação de impostos, no montante de R$ 100 milhões, a partir de Suape.

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Os três empresários locais foram presos na operação da Policia Federal e apontados como cabeças do esquema, que teria desviado mais de R$ 600 milhões em verbas públicas, tanto das obras da Transposição do São Francisco como das obras da Refinaria Abreu e Lima.

Também nas operações com os títulos da West Pneus, feitos pela Negocial, estava o testa de ferro Paulo César de Barros Morato, proprietário de empresas de fachada como Lagoa Indústria e Comércio e Câmara e Vasconcelos Terraplenagem. Paulo César Morato apareceu morto por envenenamento em um motel em Olinda, um dia depois de decretada a sua prisão. Ele estava foragido da Polícia Federal.

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A exemplo de Paulo César Morato, entre os beneficiários dos títulos aparecia ainda o italiano Matteo Bologna, sócio de Apolo Santana Vieira em várias empresas e também incluído pelo Ministério Público Federal na quadrilha denunciada há sete anos, a partir de importação de pneus em Suape.

Homem de Nestor Cerveró

A empresa West Pneus tinha endereço formal no Estado de Goiás, mas os agentes da Polícia Federal constataram que ele não estava operando.

No papel, ela tinha como sócios Cledeilson Nogueira de Souza, de Goiás, e uma empresa estrangeira, a Coralfink S. A., com sede em Montevidéu, no Uruguai. A Coralfink tinha como acionista o advogado uruguaio Oscar Enrique Algorta Rachet.

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A PF descobriu que, no mesmo endereço declarado da Coralfink S. A. ficavam várias outras empresas, entre elas o Estúdio Algorta e Associados, escritório pertencente a Oscar Algorta. O escritório apresenta-se como especializado em assuntos jurídicos, notariais, contábeis, fiduciários e investimentos.

Não era só isto. Nas investigações, a PF registrou que Oscar Algorta já foi denunciado e condenado na operação Lava jato, por Sérgio Moro, na 13ª Vara Federal do Paraná.

Oscar Algorta foi o operador que criou a empresa Jolmey S.A., uma off-shore, localizada no mesmo endereço da Coralfink. A Jolmey teria lavado dinheiro para encobrir as vantagens indevidas por Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras.

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Paraíso fiscal e lavagem de recursos internacionais

Nas investigações da Operação Turbulência, as autoridades policiais em Pernambuco ressaltam que a Jolmey não está sendo investigada e não guarda relação com os fatos apurados na presente investigação.

“No entanto, diante do modus operandi a ela relacionado na Lava Jato e, dada a grande quantidade de Off Shore que tem sede declarada no mesmo local do escritório de Oscar Algorta, seria razoável concluir que este se trata de um grande operador de lavagem de dinheiro com atuação no Uruguai, que é um conhecido paraíso fiscal”, descrevem.

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“Assim, o fato de a Coralfink ser uma Siafi (  ) e integrar, no Brasil, o quadro societário da West Pneus Ltda, uma empresa de fachada, apenas reforça a tese de que as movimentações financeiras realizadas pela West Pneus seria uma forma de lavagem de recursos mantidos indevidamente no exterior”, afirmam a Policia Federal e o Ministério Público.

Quem recebeu recursos da West Pneus ?

De acordo com as investigações da Polícia Federal em Pernambuco, a empresa goiana emitiu R$ 641 mil em títulos, todos negociados com a Negocial factoring Fomento Comercial. Há vários exemplos de movimentações com cabeças do esquema.

Em quatro título, o empresário Eduardo Freire Bezerra Leite, preso no mês passado, foi o terceiro beneficiado com valores de R$ 238 mil.

João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, outro empresário preso no mês passado no Recife pela PF, foi beneficiado com um título de R$ 125 mil.

Já a Bandeirantes Pneus, do empresário Apolo Vieira e o sócio italiano Matteo Bologna, recebeu uma TED no valor de R$ 361 mil.

A mesma West Pneus emitiu cinco títulos no valor de R$ 768 mil, para a conta da empresa Lagoa industrial. Menos conhecida no esquema de fraudes em Pernambuco, a empresa era controlada, pelo menos no papel, pelo empresário Paulo César de Barros Morato, mais conhecido por controlar a já famosa Câmara e Vasconcelos Terraplenagem. Como se sabe, Morato apareceu morto em um motel em Olinda, envenenado, um dia depois da deflação da operação Turbulência.

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