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Justiça Federal decide manter na prisão mais dois dos cabeças do esquema da Operação Turbulência

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Publicado em 12/07/2016 às 16:03
Foto: Divulgação
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Na semana passada, a Justiça Federal negou um pedido de liberação da prisão de um dos empresários presos pela Polícia Federal na Operação Turbulência, deflagrada no dia 21 de junho e que investigava suposto desvio de R$ 600 milhões de cofres públicos para abastecer campanhas políticas. No caso, o primeiro dos acusados a pedir para sair da prisão foi o empresário Apolo Santana Vieira, apontado pela PF como um dos cabeças do esquema de lavagem de dinheiro.

Nesta terça-feira, a Segunda Turma do TRF5 reuniu-se para julgar mais dois Habeas Corpos de dos envolvidos na Operação Turbulência: Eduardo Freire Bezerra Leite e João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho. A sessão começou às 13h e acabou ainda há pouco, com a a decisão pela manutenção das prisões. Os dois empresários também são chamados de cabeças do esquema da Operação Turbulência.

Nesta segunda-feira, o Blog de Jamildo revelou que a Operação Turbulência acha elo entre esquema local e operador uruguaio condenado na Lava Jato, por prestar serviços a Nestor Cerveró. De acordo com dados da investigação policial, a Polícia Federal achou um elo entre a empresa West Pneus, que se relacionava com o esquema local, da Operação Turbulência, e um operador uruguaio Oscar Enrique Algorta Rachet, já condenado na Lava Jato, por Sérgio Moro, por prestar serviços ao ex-diretor Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, também condenado na Lava Jato e um dos delatores da investigação nacional.

Nesta terça-feira, o Blog de jamildo já havia revelado que as diligências de campo da Polícia Federal em Pernambuco, no bojo da Operação Turbulência, descobriram, em relação ao lote de empresas relacionadas com o cabeça do esquema Apolo Santana Vieira, que elas eram fantasmas e funcionavam em locais inusitados, como um central de medicamentos e até um distribuidora de bebidas.

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Apolo Santana Vieira é um dos líderes do grupo desbaratado pela PF de Pernambuco no dia 21 de junho. Além dele, também foram presos os empresários Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho e Eduardo Freire Bezerra Leite, também apontados como cabeças do esquema de desvios de recursos públicos, com objetivo de financiar campanhas eleitorais.

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Em comum, três das quatro empresas ligadas a Apolo Vieira tinham no papel relação com o mercado de pneus. Ainda em 2009, o Ministério Público em Pernambuco denunciou o empresário por um suposto esquema de fraudes na importação de pneus, que renderam prejuízos de R$ 100 milhões. O processo corre até hoje na Justiça federal do Estado.

A empresa A. M. Pontes Pneus LTDA também é apresentada pela PF como uma empresa fantasma. As iniciais pertencem a Antônio Martins de Pontes, apontado como laranja do esquema. Além de residir em um local humilde, entre os anos de 2006 e 2015 ele apresentou média salarial de um a três salários mínimos.

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“Os dados, portanto, são incompatíveis com as movimentações milionárias detectadas em sua suposta empresa” descreve a PF.

“Como se não bastasse, chama a atenção que Antônio Martins Pontes, ao menos entre 2005 a outubro de 2015, manteve vínculos empregatícios em outras empresas envolvidas na investigação (como Tonimar de Araújo Ribeiro, bandeirantes Distribuidora de Pneus e TS Comércio, Importação e Exportação)”, observa a autoridade policial.

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A Polícia Federal descobriu que a empresa estava já baixada, não estava mais ativa e que em seu endereço funcionava a empresa America Farma Medicamentos. Memso assim, a A. M. Pontes realizou diversas operações suspeitas, sendo a maior parte delas por meio de emissão de títulos. Nestes títulos, figuravam como beneficiários diversas pessoas que integravam a organização criminosa, principalmente os líderes João Carlos Pessoa de Melo Filho e Eduardo freire Bezerra Leite, além de empresas vinculadas a eles.

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A  outra empresa citada é a Tonimar de Araujo Ribeiro ME, igualmente da área de pneus, como a Bandeirantes, também é uma empresa fantasma. De acordo com os agentes da PF o endereço da empresa fantasma é o mesmo onde de fato funciona a America Farma Medicamentos LTDA.

O sócio laranja em questão chama-se Tonimar de Araujo Ribeiro. De acordo com a investigação, ele mora em um local que não guarda consonância com os valores vultosos movimentados por sua suposta empresas.

Na sua conta, a COAF comunicou que sua empresa emitiu 13 títulos no valor de R$ 2,1 milhões, todos no ano de 2015. Todos os títulos tinham como beneficiária a empresa M. S. Pescados, que também participada do esquema.

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Mera coincidência que duas das empresas fantasma funcionem no mesmo local de uma distribuidora de medicamentos? Pode ser. No entanto, a PF descobriu uma estranha ligação.

A empresa TS Comércio, Importação e Exportação, apontada como relacionada ao esquema da Operação Turbulência, já teve em seus quadro societário Tânia Maria Ribeiro. A mesma mulher integra, atualmente, o quadro societário da empresa America Farma Ltda, que etsá instalada no mesmo endereço de papel das empresas A. M. Pontes e Tonimar Pneus.

Depois da Turbulência, em Pernambuco, a Polícia Federal colocou na rua uma operação para investigar suposto desvio na área de medicamentos.

Pescados, sempre os pescados

A quarta empresa ligada ao empresário Apolo Vieira, na operação Turbulência, chama-se M.S. Pescados e tem a sua esposa Diana Margarida Ferry Vieira como uma dos dois sócios.  O outro é um laranja, de nome Paulo Gustavo Cruz Sampaio. Ele é denominado assim pela PF porque possui vínculos empregatícios com a empresa D’Marcas Comércio LTDA. A empresa pertence a Apolo Vieira e seu sócio italiano Matteo Bologna. A D’Marcas é uma das empresas processadas pelo MPF, na denuncia do esquema de pneus de Suape.

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O dado mais curioso em relação a M. S. Pescados é que, no seu endereço, funciona a Qualimar Comércio importação e Exportação. Oficialmente, os documentos não afirmam que ela é uma das empresas investigadas.

No começo do caso, um pescador humilde do Recife foi apontado como o comprador do avião, mas depois ele se disse enganado.

Central de bebidas

No esquema de fraudes da Operação Turbulência, os investigadores acharam uma descoberta intrigante. Até uma empresa de bebidas foi usada para receber recursos e ajudar a camuflar o suposto desvio. O nome dela é Felizz Distribuidora de Bebidas, que tem como sócia Cassia Diniz de Mattos Abrantes.

A empresa estaria supostamente fechada há dois anos, mas teria realizado operações expressivas com a já famosa Câmara e Vasconcelos, que era controlada no papel pelo testa de ferro Paulo César Morato.

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“A operação chama a atenção pelos altos valores envolvidos e por não ser usual que uma distribuidora de bebidas receba recursos desta monta de uma empresa fantasma”, afirmam, referindo-se a aportes de R$ 161 mil e até R$ 542 mil.

Nesta segunda-feira, o Blog de Jamildo já reportou o caso da West Pneus, com sede em Goiás e que é suspeita de integrar o esquema local.

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