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Operação Turbulência: um ano antes de ser preso pela PF, Carlos Lyra Filho já era investigado pela PF, após delação de Paulo Roberto Costa e Youssef

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Publicado em 15/07/2016 às 16:59
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De acordo com depoimento de Lyra, Câmara e Vasconcelos funcionava na Ernesto de Paula Santos (Foto: Google Street View)

Sem alarde, a Polícia Federal ouviu em depoimento o empresário pernambucano Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, - apontado como um dos cabeças de um suposto esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos - mais de um ano antes da deflagração da Operação Turbulência, no dia 21 de junho passado, no Recife.

O depoimento foi prestado no Distrito Federal, no dia 08 de abril de 2015, pela Polícia Federal de Brasília, conforme os autos das provas compartilhadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a Justiça Federal do Paraná, pela vara do juiz Sergio Moro, obtidas pelo Blog de Jamildo. A inquirição ocorreu sete meses após a queda do avião de Eduardo Campos, em Santos, quando o nome de Carlos Lyra ganhou notoriedade nacional, depois de assumir ter sido um dos compradores da aeronave.

Qual era o contexto?

Em delação premiada, no final de 2014, tanto o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa quanto o doleiro Alberto Youssef haviam informado a Polícia Federal que repassaram recursos para a campanha de 2010 dos alagoanos Arthur Lira e Benedito de Lira. O operador Youssef contou que usou duas empresas suas, MO Engenharia e Construtora Rigidez, para fazer as transferências. Nos depoimentos, eles também citaram pela primeira vez o nome da empresa fantasma Câmara e Vasconcelos, que estava no nome de Paulo Cesar de Barros Morato, que apareceu morto e envenenado em um motel de Olinda, um dia depois da operação da PF no Recife. Nos depoimentos a Força Tarefa da lava Jato, os dois colaboradores nacionais associaram ainda o nome de Carlos Lyra à Câmara e Vasconcelos e disseram que ele era agiota no Recife.

O que estava em jogo era buscar também informações da empresa JCL Fomento Mercantil, situada no Recife, também citada nas investigações e de sua propriedade. Carlo Lyra informou que fundou a JCL em 2003, depois de ter saído da Usina 13 de Maio. O empresário foi dono da usina em Palmares, recebida de herança do seu pai, mas depois foi adjudicada em um processo trabalhista.

Naquele depoimento, a PF começou perguntando ao empresário a razão de ele não ter declinado ter sido sócio das empresas Jocape Administradora e Gestora de bens e a Belag Administradora e Gestora de Bens. “Ia participar delas, mas os negócios não deram certo. Entrei e sai delas no ano de 2014”, respondeu. Curiosamente, ao menos em uma das empresas, Jocape, um dos sócios era Eduardo Freire Bezerra Leite, outro dois três acusados de serem os cabeças do esquema da Turbulência, neste ano.

Câmara e Vasconcelos

No depoimento em Brasília, a Pf perguntou a Carlos Lyra sobre sua relação com a Câmara e Vasconcelos. O empresário disse que teve alguma operações de fomento mercantil com a empresa entre os anos de 2011 e 2013, no valor total de R$ 500 mil, referente ao desconto de cheques. Ele também disse conhecer o sócio da Câmara e Vasconcelos, no Recife. No depoimento, também afirmou que sabia que até 2011 a firma ficava no interior de Pernambuco, Nazaré da Mata, e que a última vez que compareceu na empresa em questão ela estava sediada na avenida Conselheiro Aguiar, no prédio empresarial Excelsior. A PF chegou a mostrar, com ajuda do google, uma foto do prédio onde ficava o escritório de Paulo Morato que ele visitou, no número 187 da Rua Ernesto de Paula Santos, em Boa Viagem.

Na operação do mês passado, a PF caracterizou a Câmara e Vasconcelos como uma empresa de fachada, entre outras que eram controladas pelo falecido paulo Morato. Ela foi acusada de ter recebido cerca de R$ 19 milhões da OAS, oriundas de desvios das obras da Transposição do São Francisco.

No mesmo depoimento, Carlos Lyra, apesar de ter historiado como entrou na área de crédito e trabalhou com factoring, informou que não foi verificar a empresa e o padrão dos créditos da Câmara e Vasconcelos. Ele disse que, tido como uma pessoa íntegra e de cumprir compromissos, Paulo Morato teve uma indicação muito boa, embora não recordasse de quem.

“Paulo Morato afirmou possuir obras em diversas partes do Estado”. O nao era 2010 e havia um boom no Estado, contextualizou.

Neste mesmo ponto, os investigadores perguntaram se recordava que Paulo Morato havia lhe dito que sua empresa era uma garagem situada em Nazaré da Mata. Ele confirmou que não foi pessoalmente verificar e analisar a garagem de Paulo Morato. No caso, ele disse que foi na empresa de Paulo Morato em 2014, para pedir parte do dinheiro com o qual compraria o avião de Eduardo Campos.

A PF perguntou ainda se ele conhecia a Lagoa Indústria e Comércio, uma das três outras empresas fantasmas usadas no esquema e que estavam no nome de Paulo Morato. Lyra negou e também disse que não se recordava se os cheques que Paulo Morato levava para descontar com ele na JCL eram de empreiteiras ou de fornecedores delas.

Negociação para compra do avião de Eduardo campos

No seu encontro com os delegados da PF, em Brasília Carlos Lyra disse aos investigadores que planejava montar uma empresa de taxi aéreo em Pernambuco e queria ter Paulo Morato como sócio.

No depoimento, ele conta que era procurado por Paulo Morato para trocar cheques, mas em julho de 2014 foi ele que esteve na empresa de Paulo Morato, em Boa Viagem, para falar do novo negócio. Nesta época do ano, ele teria constatado que estava a venda no mercado a aeronave da A. F. Andrade, de São Paulo. Um mês depois, o avião explodiu no litoral de São Paulo.

À PF, Carlos Lyra disse que avaliou que a compra da aeronave era um bom negócio e foi levantar no mercado cerca de R$ 1,6 milhão para a compra, entre maio e julho de 2014.

Com Paulo Morato, ele disse ter pedido um empréstimo de R$ 159 mil e que a dívida já estava paga.

Com Eduardo Freire Bezerra Leite, da Ele Leite, único que disse ser amigo e não parceiro comercial, obteve R$ 720 mil.

Do próprio bolso, teria colocado R$ 195 mil.

Outros R$ 325 mil foram emprestados pelo meio irmão, Luiz Piauhylino de Melo Monteiro Filho.

Para a PF, chamou a atenção ele ter dito que R$ 400 mil veio da empresa CRM Materiais de Construção, embora ele não soubesse quem era o sócio, citando o nome Paulo Roberto. A PF depois descobriu que era uma das empresas fantasmas do esquema.

A Polícia Federal já desconfiava que a compra havia sido realizada por intermédio de laranjas e os relatórios da COAF apontavam operações suspeitas, em inquéritos que já haviam sido enviados pelo juiz Sérgio Moro ao STF, em 2015.

Em ao menos um deles, havia a informação de que a empresa CRM Materiais de Construção era uma empresa de fachada. A exemplo do que havia acontecido com o pescador Geovane Sá Barreto, dono da Geovane Pescados, também usada no esquema, a Policia Federal constatou que ela era controlada por um laranja, de nome Carlos Roberto de Macedo (CRM que dava nome a empresa).

Empresa que comprou jatinho usado por Eduardo Campos está em nome de um pescador

 

Alagoanos

Apesar de ter informado que sua família tinha usinas em oito cidades, comno União dos Palmares, São Miguel dos Campos., Guaxuma e São José das Lajes, Carlos Lyra disse que não conhecia o senador Benedito de Lira (PP-AL), pai do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), ambos investigados da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Lyra admitiu apenas que foi apresentado em 2012, por Eduardo Bezerra Leite, no escritório de Eduardo, ao deputado Arthur Lira e encontrou com o parlamentar duas vezes, casualmente, em Alagoas e São Paulo, em restaurantes. Ele havia explicado que ia a Alagoas porque a família tinha usinas e outros negócios lá. O tio dele era o dono do Grupo Carlos Lyra. Também garantiu que não emprestou recursos aos dois citados nem feito operações com a MO Consultorias Comerciais e Laudos.

No final de 2015 mesmo, a Polícia Federal indiciou o deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara – um dos mais importantes colegiados da Casa – e o pai dele, o senador Benedito de Lira (PP-AL), por suspeita de prática do crime de corrupção passiva em um dos inquéritos da Operação Lava Jato.

Em 2015, Carlos Lyra também negou ter feito doações eleitorais e disse não saber dizer se os controladores atuais da empresas de sua família em Alagoas conheciam o deputado e o senador do PP. Também negou ter feito, no Recife, contrato de mútuo, negando também ser agiota.

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