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Operação Turbulência: empresário morto usou mecânico e seu irmão como laranjas na Câmara e Vasconcelos Terraplenagem

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Publicado em 18/07/2016 às 17:30
Paulo César Morato FOTO:
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Ao menos um ano antes da deflagração da Operação Turbulência, em maio do ano passado, a Polícia Federal de Pernambuco teve a confirmação de que a empresa Câmara e Vasconcelos, apontada como pivô do escândalo de desvios de dinheiros em obras da transposição e refinaria da Petrobras, tinha como donos dois laranjas locais.

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O nome da empresa local, além de ter sido envolvida na compra do avião do ex-governador Eduardo Campos, após o incidente de agosto de 2014, no final daquele mesmo ano já havia sido citada como empresa de fachada tanto pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, como pelo doleiro Alberto Youssef, no bojo da operação da Lava Jato. Os dois associavam a empresa, até então desconhecida da PF, como uma das formas encontradas para repassar recursos aos políticos alagoanos Arthur Lira e Benedito de Lira, ambos do PP de Pedro Correia e Eduardo da Fonte.

O repasse de recursos, oriundo de desvios da Petrobras, ocorreram após a eleição de 2010, quando o deputado estadual Arthur Lira virou deputado federal e o pai dele, Benedito de Lira, então deputado federal, elegeu-se senador da República.

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Quando foi esquadrinhar a Câmara e Vasconcelos, a Polícia Federal em Pernambuco chamou os pernambucanos Ernani Dias de Morais Filho e Hélio Dias de Morais, para depor. Os dois depoimentos ocorreram no dia 25 de maio de 2015.

O auxiliar financeiro Ernani Dias Morais Filho, de Camaragibe, confirmou que havia sido sócio da empresa, mas apenas entre setembro de 2009 a agosto de 2012, a pedido do irmão, Hélio Dias de Morais.

Ernani disse a PF que o real dono da empresa era Paulo e que ele não sabia sequer o sobrenome dele (Morato).

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Da mesma forma, o laranja negou conhecer os repasses de Youssef e disse que nunca ouviu falar da M. O. Engenharia nem da Construtora Rigidez, duas das empresas de fachada que Youssef usou para encobrir o envio dos recursos. Também disse que não conhecia Arthur Lira nem Benedito de Lira, muito menos que doações eleitorais da Câmara e Vasconcelos. O sócio-laranja também disse que nunca havia conhecido João Carlos Lira Pessoa de Melo, outro dos alvos da Operação Turbulência e que Youssef havia apontado como agiota no Recife, ligado à Câmara e Vasconcelos.

O outro laranja ajudou a entender melhor o esquema da Câmara e Vasconcelos.

Hélio Dias de Morais, mecânico, com apenas o primeiro grau incompleto, dono de uma oficina na Madalena, no Recife, confirmou ter sido sócio da empresa investigada pela PF, mas disse que o verdadeiro dono era Paulo Cesar, de quem afirmou não saber nem o sobrenome.

Os dois se conheceram porque Paulo Cesar era cliente da oficina.

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Hélio Dias de Morais disse a PF que Paulo Morato pediu a ele e ao irmão Ernani para figurarem como sócios da Câmara e Vasconcelos porque Paulo Cesar estava com o nome sujo. Em contrapartida, Hélio Dias de Morais receberia um pró-labore mensal. Além da vantagem financeira, a firma também ficaria responsável pela manutenção dos caminhões que eram encaminhados por ele, em nome da Câmara e Vasconcelos.

Na apresentação realizada pela PF, no dia 21 de junho passado, o nome dos dois ex-sócios foram citados formalmente como laranjas, oficialmente pela PF. Paulo César Morato, no  mesmo dia, foi dado como foragido, tendo aparecido morto e envenenado no dia seguinte, 22 de junho, em um motel de Olinda.

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