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Operação Turbulência: em um mês, quatro empresários presos, um morto e muitas dúvidas

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Publicado em 21/07/2016 às 7:20
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
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Pernambuco é o centro das investigações sobre a Operação Turbulência, deflagrada pela Polícia Federal há exatamente um mês para desarticular um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.

A apuração iniciada a partir do questionamento sobre a compra do jatinho em que o ex-governador Eduardo Campos (PSB) morreu, vítima de acidente aéreo há dois anos, chegou ao grupo que pode ter movimentado R$ 600 milhões, com parte do montante em recursos ilícitos da Refinaria Abreu e Lima e da Transposição do Rio São Francisco.

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Nesses 30 dias, porém, poucas perguntas foram respondidas e o saldo das investigações é de quatro empresários presos e outro encontrado morto num motel em Olinda, em circunstâncias misteriosas até hoje.

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Desde o dia em que a operação foi deflagrada, a Polícia Federal tem mantido silêncio sobre a investigação. Foi divulgado que o esquema tem três líderes entre os presos, mas os nomes deles não são confirmados pela PF.

Provas compartilhadas com a Operação Lava Jato, porém, revelam que os responsáveis eram João Carlos Lyra de Mello Filho, Eduardo Freire Bezerra Leite e Apolo Santana Vieira. O suposto papel de cada um dentro da organização, no entanto, é uma incógnita.

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Os advogados dos três entraram com pedidos de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 5ª Região e tiveram as solicitações negadas pela Segunda Turma. Os desembargadores acompanharam o entendimento do Ministério Público Federal (MPF) de que há indícios de que os três comandavam a organização.

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A defesa reclama. Para Nabor Bulhões, defensor de João Carlos Lyra - e também do empreiteiro Marcelo Odebrecht na Lava Jato -, manter o empresário preso torna as duas operações muito parecidas.

Ademar Rigueira, Pque representa os outros dois, vai além e acusa a Justiça de tentar forçar uma delação premiada através da prisão dos acusados. Ambos prometeram recorrer da decisão, mas sabem que isso significa que os empresários devem ficar no Cotel por mais tempo, pelo menos um mês, mesmo que a liberdade seja aprovada em instâncias superiores depois do recesso do judiciário.

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Considerado 'laranja' no esquema, Arthur Lapa Rosal também está no Cotel e não solicitou a liberdade à Justiça ainda.

Paulo César Morato

O último acusado que foi alvo de mandado de prisão preventiva há um mês é Paulo César de Barros Morato, também visto como 'laranja'. O empresário era o dono da Câmara e Vasconcelos, contratada por R$ 18 milhões para fazer a terraplanagem nas obras do Rio São Francisco.

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De acordo com as investigações, há indícios de que a empesa era fantasma. Um ano antes da deflagração da Turbulência, o nome da empresa já havia entrado no radar da Lava Jato, depois da delação premiada do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Morato foi ouvido.

Único foragido, ele foi encontrado morto no dia seguinte à ação em um motel de Olinda. Até agora, o único resultado divulgado pela Polícia Civil, à frente do caso, é que havia uma substância chamada organofosforado, conhecida popularmente como chumbinho, no corpo do empresário. Nos primeiros dias após a morte, o secretário-executivo de Defesa Social, Alexandre Lucena, afirmou que a tese de que Morato foi assassinado estava praticamente descartada, mas nada foi divulgado ainda sobre as conclusões das outras perícias.

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Há uma polêmica sobre o fato de a Polícia Civil estar conduzindo as investigações. O deputado estadual Edilson Silva (PSOL) chegou a pedir ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicite ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a PF assuma o caso.

O argumento é de que a operação envolve políticos do PSB, partido cujo vice-presidente é o governador Paulo Câmara, que controla a secretaria. A Polícia Federal mantém uma equipe acompanhando o inquérito presidido pela delegada Gleide Ângelo e afirma que só toma a frente da apuração se for provado que a morte está ligada à Turbulência. Não há previsão para a conclusão da investigação.

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