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Empresa de terraplenagem na Refinaria Abreu e Lima é o elo entre esquemas da Lava Jato e Operação Turbulência

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Publicado em 23/07/2016 às 11:00
Foto: Eudes Santana/Banco de Imagens da Petrobras
Foto: Eudes Santana/Banco de Imagens da Petrobras
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A Polícia Federal e o Ministério Público Federal encontraram um elo entre os esquemas de desvio de recursos públicos na Refinaria Abreu e Lima (em Suape, no litoral Sul de Pernambuco) e a Operação Turbulência, deflagrada no dia 21 de junho e que também apura desvios de obras públicas no Estado.

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A Operação Turbulência evidenciou o uso da empresa de terraplenagem Câmara e Vasconcelos, que era usada pela construtora OAS para desviar recursos das obras da transposição do São Francisco e outras obras.

A interligação entre o esquema da Turbulência e a Lava Jato se dá por meio da descoberta das operações da empresa Master terraplenagem, que atuava nas obras da refinaria, por meio da construtora Camargo Corrêa.

A chave para a elucidação do esquema aparece em provas compartilhadas pelo STF no inquérito. Trata-se de um dos vários outros braços da Lava Jato.

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No caso, como já de conhecimento em Pernambuco, a investigação foi aberta para apurar uma possível doação não declarada de R$ 20 milhões à campanha eleitoral da então reeleição do falecido ex-governador Eduardo Campos, em 2010.

A investigação apura a prática de sobrepreço em contratos bilionários firmados para a implantação da refinaria do Nordeste (Rnest), pela Camargo Corrêa, por meio da simulação da contratação da empresa Master Terraplenagem, para a suposta “locação de equipamentos, em março de 2011.

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Em agosto de 2014, logo após a queda do avião de Eduardo Campos, pessoas muito bem informadas da política local já citavam que o esquema de desvios da Petrobrás ocorria por meio de uma empresa de terraplenagem e citavam o nome de pessoas ligadas à área de factoring e agiotagem. Já se citava o nome de Eduardo Ventola, também um dos presos da Turbulência.

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No processo do STF, os investigadores sustentam que esses contratos da Master teriam sido constituídos em nome de ‘laranjas’ como o intermediário José Gomes de Oliveira.

O caso está em investigação no STF por conta da possível interferência do então secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho, atualmente ocupando o cargo de senador da República por Pernambuco. Senadores detém foro privilegiado no STF. Só podem ser julgados nesta esfera judiciária.

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De acordo com os dados do processo, no STF, na apuração do caso, os engenheiros da construtora foram inquiridos e admitiram que a Master de fato não executou qualquer serviço para a Camargo Corrêa.

Eles informaram ao MPF e a PF que, após os saques realizados da conta da construtora Master pelo intermediário “Zé Gomes”, o numerário era remetido para João Carlos Lyra Pessoa de Melo, apontado pela PF de Pernambuco como um dos cabeças do esquema na Operação Turbulência, com a ajuda da empresa fantasma Câmara e Vasconcelos Terraplenagem.

Imagem de terraplenagem na Refinaria Abreu e Lima (Foto: Eudes Santana/Banco de Imagens da Petrobras) Imagem de terraplenagem na Refinaria Abreu e Lima (Foto: Eudes Santana/Banco de Imagens da Petrobras)

“A despeito de o objeto apurado na aludida investigação em curso no STF ser específico e diverso do ora investigado (na Turbulência, operação independente da PF em Pernambuco), mais amplo, buscou-se o compartilhamento de provas ali reunidas justamente para se robustecer o cenário que neste feito vinha se revelando, da atuação da organização criminosa ora sob investigação neste caderno investigatório, através do investigado João Carlos Lyra, no evidente intuito de desvincular o dinheiro ilícito de sua origem criminosa”, descreve o desembargador federal Iran Lira de Carvalho, relator do caso da Turbulência no Tribunal Regional Federal da 5ª Região.

Teori-Zavascki-ministro-do-STF

Nesta sexta-feira, o Blog de jamildo informou que provas compartilhadas pelo ministro Teori Zavascki, relator da operação Lava Jato no STF, com o Ministério Público de Pernambuco e Polícia Federal no Estado mostravam que o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho operava uma espécie de ‘delivery’ de dinheiro na capital pernambucana, a serviço de operadores ligados ao doleiro Alberto Youssef, do Paraná.

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