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Turbulência: Eduardo Ventola era beneficiário das contas da firma fantasma Geovani Pescados, que comprou avião de Eduardo Campos

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Publicado em 23/07/2016 às 14:13
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Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), dentro das provas compartilhadas pelo Supremo Tribunal federal (STF) com o Ministério Público Federal de Pernambuco e a Polícia Federal de Pernambuco, no bojo da operação Turbulência, aponta uma ligação maior entre o empresário Eduardo Freire Bezerra Leite e a empresa fantasma Geovani Pescados, que ao menos no papel apresentou-se como uma das compradoras do avião Cessna Citation que era usado na campanha de Eduardo Campos e acabou caindo em Santos, em agosto de 2014, matando o candidato a presidente do PSB.

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A empresa Giovani Pescados ganhou notoriedade nacional depois do acidente com o avião. O pescador recifense Geovane de Sá Barreto apareceu até no Jornal Nacional (veja reprodução acima), depois que o nome de sua empresa Geovane Pescados apareceu como uma das duas compradoras do jato de Eduardo Campos. Além da Geovane Pescados, a CRM Material de Construção também comprou o jatinho, pelo menos no papel.

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O pescador e a família moram em uma residência simples, no bairro da Imbiribeira. O endereço da susposta empresa é o mesmo da residência do pescador, na Rua Doutor Valdir Pessoa, nº 89, no bairro da Imbiribeira.

Em edição no dia 09 de julho, o Blog de Jamildo revelou que o pescador que “comprou” avião de Eduardo Campos disse às autoridades que foi enganado.

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Novas informações dos registros oficiais do caso dão conta que a Polícia Federal descobriu que - embora não conste como sócio da empresa Geovani Pescados - Eduardo Ventola consta como o representante legal da conta bancária movimentada pela empresa de fachada. O pescador foi levado a abrir uma conta no Bradesco pelas mãos de outra empresa que também era beneficiária das movimentações suspeitas relativas ao caso.

Dinheiro vindo da Câmara e Vasconcelos, de Paulo Morato

De acordo com os mesmos registros, as operações suspeitas da empresa Câmara e Vasconcelos somaram R$ 39 milhões, dois quais, em junho, a PF divulgou que R$ 18 milhões eram vindos da OAS. Há registros de transferências de R$ 1,3 milhão da Giovani Pescado para a Câmara e Vasconcelos e recebimentos também.

Antes que isto viesse a público, em depoimento na PF, um ano antes de morrer, Paulo Morato Morato disse que suas obras eram na orla de Jaboatão, onde a mesma OAS foi contratada pela Prefeitura e governo Federal, além de casas para o governo do Estado em Maraial e terraplenagem em Caaporã, na Paraíba.

Outro dado curioso referente a empresa fantasma Giovani Pescados é que ela recebeu mais de R$ 1 milhão em títulos da empresa West Pneus, transacionados pela Negocial Factoring, de propriedade de Eduardo Ventola. Para entender esta vertente, leia Operação Turbulência acha elo entre esquema local e operador uruguaio condenado na Lava Jato, por prestar serviços a Nestor Cerveró.

Os investigadores também relacionam que Eduardo Ventola é ou foi sócio de João Carlos Lyra, outro empresário apontado como cabeça do esquema, nas empresas Jocape Administradora e Gestora de Bens e Belag Administradora e Gestora de Bens. Leia ainda Empresa de terraplenagem na Refinaria Abreu e Lima é o elo entre esquemas da Lava Jato e Operação Turbulência.

Depoimento e mundo real

No mesmo dia da operação Turbulência, o pescador estava em alto mar, de acordo com a PF, não tendo sido localizado. A Justiça expediu contra Geovane um mandado de condução coercitiva, para que ele prestasse depoimento à PF.

Esse depoimento foi realizado no mês passado e Geovane de Sá Barreto disse às autoridades policiais que sequer sabia ser titular de uma Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI).

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Trata-se de um modelo de pessoas jurídicas moderno, de lei de 2011, onde uma empresa é constituída de uma só pessoas física titular de todo capital, sendo adequada para as micro e pequenas empresas.

Na avaliação das autoridades, assim, tudo isto distanciava Giovane Barreto, no mundo real, do perfil para atuar nos vultosos movimentos financeiros detectados pela COAF, bem assim da participação da compra de um avião Cessna, como o citado no caso. No papel, pelo menos, a compra teria custado R$ 1,7 milhão, pago por meio de 16 depósitos bancários.

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“O negócio estava a cargo de pessoas que não comprovaram estofo econômico para tanto, dentre essas o modesto pescador Geovane de Sá Barreto”, descrevem as autoridades, no processo em questão.

Outros presos

No dia 21 de junho, dia da deflagração da Operação Turbulência, os policiais federais levaram à prisão quatro empresários em Pernambuco, apontados como líderes de um esquema criminoso descoberto quando as autoridades tentavam investigar quais seriam os verdadeiros donos do jatinho que transportava o ex-governador Eduardo Campos (PSB) durante a campanha presidencial de 2014.

Quatro empresários foram presos preventivamente naquela manhã, dos quais apenas um, João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, afirmou ter comprado o avião. Também foram presos Eduardo Freire Bezerra Leite, Apolo Santana Vieira, Arthur Roberto Lapa Rosal. Um quinto empresário, Paulo César de Barros Morato, teve mandado de prisão decretado e estava foragido, depois apareceu morto em um motel em Olinda.

Entenda o caso

A Operação Turbulência, que levou à prisão de três empresários em Pernambuco nesta terça-feira (21), começou no início do ano para investigar quais seriam os verdadeiros donos do jatinho que transportava o ex-governador Eduardo Campos (PSB) durante a campanha presidencial dele, em 2014, quando ele morreu após a queda do avião. Inicialmente seriam duas empresas, uma delas a Geovane Pescados, em nome de Geovane Barreto, um pescador.

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As suspeitas começaram pelo fato das duas empresas serem muito pequenas, de ramos diferentes, comprando um avião de valor milionário.  “É suspeito uma empresa de pescados ter adquirido um avião. É uma empresa de pescados em nome de um pescador que nem foi localizado porque está em alto mar pescando”, afirmou a delegada da Polícia Federal Andrea Pinho. A Justiça expediu contra Geovane um mandado de condução coercitiva, para que ele prestasse depoimento à PF. Além da Geovane Pescados, a CRM Material de Construção também comprou o jatinho.

Durante as investigações, a PF descobriu a participação de várias outras empresas de fachada e de “laranjas”. Até agora, foram identificadas 18 contas bancárias de envolvidos no esquema, sendo a maioria de empresas jurídicas e apenas duas de pessoas físicas. Dezessete contas são registradas em Pernambuco, a maioria na Região Metropolitana do Recife, e algumas com o mesmo endereço. Apenas uma é de Goiás, pertencente à empresa West Pneus.

» Ouça a íntegra da coletiva de imprensa da Polícia Federal que explicou o caso:

Pelo menos de 2010 para cá, a movimentação nas 18 contas somam R$ 600 milhões. Ainda não se sabe a origem e o valor exato do dinheiro usado na compra do jatinho, mas o valor estaria incluso nesse montante.

Quatro empresários foram presos preventivamente nesta manhã, dos quais apenas um, João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, afirma ter comprado o avião. Também foram presos Eduardo Freire Bezerra Leite, Apolo Santana Vieira, Arthur Roberto Lapa Rosal. Um quinto empresário, Paulo César de Barros Morato, teve mandado de prisão decretado e está foragido.

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De acordo com a Polícia Federal, dos cinco empresários com mandado de prisão decretado, três deles eram os “líderes” do esquema – servindo como ‘testa de ferro’ de políticos, distribuindo recursos ilícitos “lavados nas 18 contas bancárias” para as campanhas eleitorais. Duas dessas seriam as de Eduardo Campos (PSB) em 2010, para a reeleição ao Governo de Pernambuco, e em 2014 para a presidência.

Os recursos seriam desviados de contratos da Petrobras e de obras da Transposição do Rio São Francisco. Foram compartilhadas nessa investigação provas recolhidas pela Justiça Federal do Paraná e do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Lava Jato.

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