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Recife chega ao segundo turno sem debater Turbulência e Lava Jato

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Publicado em 29/10/2016 às 8:29
Foto: Sérgio Bernardo / JC Imagem
Foto: Sérgio Bernardo / JC Imagem
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Com os partidos na mira de operações da Polícia Federal, os candidatos a prefeito do Recife Geraldo Julio (PSB) e João Paulo (PT) chegam ao segundo turno, neste domingo (30), sem debater Operação Turbulência e Lava Jato.

A fim de evitar um impacto negativo das investigações nas campanhas municipais, os candidatos decidiram seguir o provérbio português "quem tem telhado de vidro não atira pedra ao do vizinho" e focaram o debate e as críticas no âmbito municipal.

Ainda assim, durante entrevistas realizadas ao longo da campanha, o prefeito Geraldo Julio não deixou de alfinetar o PT no âmbito nacional, criticando a gestão econômica da ex-presidente Dilma Rousseff.

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Enquanto isso, o petista tentou criar uma imagem negativa atrelando a gestão de Geraldo ao governo do presidente Michel Temer. “O governo Temer está propondo enormes retrocessos para o País com o apoio de vários governadores e prefeitos, a exemplo do governador Paulo Câmara (PSB-PE) e do atual prefeito do Recife", disse João Paulo.

Antes das eleições, havia a expectativa de que o PSB, investigado na Turbulência, seria alvo dos outros candidatos a prefeito da capital pernambucana que fazem oposição ao socialista Geraldo Julio, que tenta se reeleger.

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No entanto, em entrevista à Rádio Jornal, o gestor avaliou que o fato não iria interferir na sua campanha eleitoral. “O PSB é favorável a todo tipo de investigação e todo tipo de apuração. A direção nacional, por diversas vezes, por meio de nota oficial, já deixou isso claro. Não há nenhum processo desse que tenha sido julgado, tudo está em fase de investigação. O partido está à disposição, colaborando para que tudo seja apurado”, disse.

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Já o candidato João Paulo, admitiu, durante entrevista concedida à TV Jornal, dificuldades do Partido dos Trabalhadores depois da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e afirmou que as eleições municipais estão mais difíceis que as anteriores devido à difícil situação do PT.

Ainda assim, o petista afirmou que o impeachment de Dilma e os desdobramentos da Lava Jato não devem respingar sobre a sua postulação. "Se de um lado temos a Lava Jato, do outro existe a Operação Turbulência. Portanto não acho que ele ou o PSB queiram replicar isso no Recife", destacou. Segundo ele, a campanha pela cadeira do Executivo municipal tem que girar em torno dos problemas da cidade e não com foco em questões nacionais.

TURBULÊNCIA

Foto: Rodrigo Lobo/Acervo JC Imagem Foto: Rodrigo Lobo/Acervo JC Imagem

Calo para o PSB, a Operação Turbulência investiga suspeita de lavagem de dinheiro em Pernambuco e Goiás, a partir de análises de movimentações financeiras de empresas envolvidas na aquisição do avião de campanha a presidente do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), padrinho político de Geraldo Julio. A aeronave em questão é a mesma do seu acidente fatal em 2014.

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A investigação analisa o desvio de recursos entre 2010 e 2016. Neste período, o PSB passou por três campanhas em Pernambuco: a reeleição de Eduardo Campos ao governo do Estado, em 2010, a eleição de Geraldo Julio à Prefeitura do Recife, em 2012, e a eleição de Paulo Câmara ao governo, em 2014, além da corrida presidencial com Eduardo e Marina Silva, também em 2014.

A Direção Nacional do partido disse, após a deflagração da operação, apoiar as investigações e ter certeza que não restariam dúvidas de que a campanha de Eduardo Campos não cometeu nenhum ato ilícito.

LAVA JATO

João Paulo - Recife / Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

O desgaste após a deflagração da Operação Lava Jato fez com que o Partido dos Trabalhadores perdesse muito do seu capital político. Principalmente por ter sua principal estrela no foco das investigações, o ex-presidente Lula.

A análise do resultado das urnas no primeiro turno mostra que o PT, partido que governou o País por 13 anos seguidos, sofreu a pior derrota entre todas as legendas sob qualquer aspecto. Em número de prefeituras, a queda fará o partido voltar praticamente 12 anos no tempo.

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Em 2004, embalado pela vitória de Lula em 2002 e antes do escândalo do mensalão, o partido elegeu 411 prefeitos. O número continuou crescendo nas eleições seguintes, até os 644 do último pleito (a conta considera os prefeitos eleitos inclusive após votações suplementares ou novas eleições).

Em 2016, apenas 256 petistas foram eleitos no primeiro turno, além dos sete que disputarão o segundo turno. Mesmo no melhor cenário, com todos eles vencendo, a queda em relação a 2012 será de 59%, a maior de todas as legendas.

RETA FINAL

Fotos: Társio Alves/Divulgação Fotos: Társio Alves/Divulgação

João Paulo, que é um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em Pernambuco, alcançou 23,76% dos votos válidos no primeiro turno e tem a missão de virar a eleição para se tornar o único prefeito eleito pelo PT em uma capital no Nordeste, considerado um dos últimos redutos políticos dos petistas.

Ele busca ainda retomar o domínio que o partido teve justamente com ele, entre 2001 e 2008, e com seu sucessor, João da Costa, preterido em 2012 de uma tentativa de reeleição por Humberto Costa, que acabou perdendo para Geraldo Julio.

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O último cargo de João Paulo foi o comando da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que deixou m maio deste ano por causa do afastamento da ex-presidenta Dilma Rousseff. Nas eleições municipais deste ano ele tem como vice o deputado estadual Sílvio Costa Filho (PRB) na chapa Recife Pela Democracia, formada por cinco partidos (PRB / PT / PTN / PT do B / PTB).

Foto: Andréa Rêgo Barros/PSB Foto: Andréa Rêgo Barros/PSB

Enquanto o petista tenta descobrir como alcançar uma virada, Geraldo conta com apoios importantes em campanha. Pernambuco é o grande polo do PSB desde os tempos de Miguel Arraes.

O socialista conta com o apoio do governador Paulo Câmara, do ex-governador Jarbas Vasconcelos, do ministro da Defesa, Raul Jungman e da família de Eduardo Campos. No dia da votação (2), o candidato compareceu a sua sessão acompanhado do governador Câmara, de Renata, viúva de Eduardo Campos, dos três filhos e do neto.

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Geraldo é servidor concursado do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) e nunca tinha disputado uma eleição antes de 2012, quando foi eleito no primeiro turno com 51,15% dos votos válidos. Na época, começou com menos de 7% das intenções de voto.

O crescimento expressivo se deu pelo empenho do então governador Eduardo Campos, também do Partido Socialista Brasileiro. Hoje, Geraldo Júlio disputa a reeleição com o apoio de 20 partidos políticos – a Frente Popular do Recife, maior coligação do pleito. O atual vice, Luciano Siqueira (PCdoB), permanece na chapa da reeleição.

A disputa entre os dois políticos coloca em posições opostas partidos que já foram aliados por muitos anos. Até o lançamento da primeira candidatura de Geraldo Julio, o PSB e Campos – em 2014 candidato à presidente da República, eram parte da base do PT na prefeitura.

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