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No Senado, Caiado quer discutir samba-enredo por "denegrir" imagem do setor agropecuário

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Publicado em 12/01/2017 às 12:57
Foto: Pedro França/Agência Senado
Foto: Pedro França/Agência Senado
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O líder do Democratas no Senado, Ronaldo Caiado (GO), pretende realizar uma sessão temática no plenário da Casa para investigar o samba-enredo deste ano da Imperatriz Leopoldinense, tradicional escola do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. A música fala sobre o agronegócio, o desmatamento e a história do povo indígena.

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Caiado parece não ter gostado do tema “Xingu, o clamor que vem da floresta”, e mostrou indignação com a letra do samba que, segundo ele, "denigre a imagem do setor com calúnias generalizadas sobre a atuação da classe rural brasileira, respeitada mundialmente pela eficiência e tecnologia aplicadas, além de ser responsável há vários anos pelo saldo da balança comercial do País".

A Imperatriz pretende, através do tema, fazer uma crítica ao setor agropecuário. Um dos trechos do samba-enredo diz: “O belo monstro roubas as terras dos seus filhos, devora as matas e seca os rios. Tanta riqueza que a cobiça destruiu. Sou o filho esquecido do mundo, minha cor é vermelho de dor, o meu canto é bravo e forte, mas, é hino de paz e amor.”

xingu

Caiado ainda defende a apuração dos patrocinadores do samba-enredo "difamatório". "Assim que retornarem as atividades legislativas vou buscar a realização de sessão temática para discutirmos em plenário os motivos que levaram a Imperatriz Leopoldinense a autorizar um samba-enredo que denigre a imagem do agronegócio, único setor, que diante de uma crise devastadora, deverá ser superavitário. Há tantos graves problemas que o país passa, como a violência, o tráfico de drogas, as facções criminosas e uma escola de samba se ocupa em difamar o setor que deveria ser enaltecido e homenageado na Marquês de Sapucaí", argumenta Caiado.

Ouça na íntegra o samba-enredo:

A partir do início do ano legislativo e após a eleição da mesa diretora dia 2 de fevereiro, o senador vai propor a promoção da sessão temática para que o assunto entre na pauta antes do Carnaval.

A Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab), por meio de nota, destacou que repudia o samba-enredo e critica “a abordagem generalista proposta pela Imperatriz Leopoldinense sobre o produtor rural, não separando o “joio do trigo”, é incorreta, injusta e inadequada, com viés tipicamente alarmista característica da linha de pensamento pseudo ambientalista”.

No site oficial da Imperatriz, a escola afirma que a escolha foi uma homenagem ao Parque Nacional Indígena do Xingu, localizado ao norte do estado de Mato Grosso, numa zona de transição florística entre o Planalto Central e a Floresta Amazônica. 

No último ano, a Imperatriz também falou sobre a vida rural brasileira, em uma homenagem à música sertaneja, em especial à dupla Zezé di Camargo e Luciano.

Confira abaixo a letra de 'Xingu, o Clamor que Vem da Floresta':

Brilhou a coroa na luz do luar!

Nos troncos a eternidade a reza e a magia do pajé!

Na aldeia com flautas e maracás

Kuarup é festa, louvor em rituais

Na floresta, harmonia, a vida a brotar

Sinfonia de cores e cantos no ar

O paraíso fez aqui o seu lugar

Jardim sagrado, o caraíba descobriu

Sangra o coração do meu Brasil

O belo monstro rouba as terras dos seus filhos

Devora as matas e seca os rios

Tanta riqueza que a cobiça destruiu!

Sou o filho esquecido do mundo

Minha cor é vermelha de dor

O meu canto é bravo e forte

Mas é hino de paz e amor!

Sou guerreiro imortal derradeiro

Deste chão o senhor verdadeiro

Semente eu sou a primeira

Da pura alma brasileira!

Jamais se curvar, lutar e aprender

Escuta menino, Raoni ensinou

Liberdade é o nosso destino

Memória sagrada, razão de viver

Andar onde ninguém andou

Chegar aonde ninguém chegou

Lembrar a coragem e o amor dos irmãos

E outros heróis guardiões

Aventuras de fé e paixão

O sonho de integrar uma nação

Kararaô, Kararaô, o índio luta por sua terra

Da Imperatriz vem o seu grito de guerra!

Salve o verde do Xingu, a esperança

A semente do amanhã, herança

O clamor da natureza a nossa voz vai ecoar

Preservar!

Reprodução Reprodução

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