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Publicado em 25/05/2017 às 16:30
Foto: Ricardo Stuckert/Arquivo Presidência da República
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Por José Paulo Cavalcanti Filho

Lula é réu, a partir desta segunda, pela sexta vez. Hexa não é mais luxo. Agora, por conta do Sítio de Atibaia. Sua defesa, como no caso do Triplex, é que os imóveis não são dele. Nada assinou. Nenhuma promessa de compra e venda. Nenhuma escritura. Um argumento que faz lembrar David Irving, ao sustentar não haver provas da existência das câmaras de gás. Do próprio Holocausto. E das responsabilidades de Hitler, nesses episódios. A historiadora Americana Deborah Lipstadt disse que o britânico usava dados falsos. Irving processou Lipstadt. E perdeu. Acaba de ser lançado, em Paris, “Le Procès du Siècle”. Contando a história desse processo. Um filme de Mick Jackson, inspirado no livro de Lipstadt “My Day in Court with a Holocaust Denier”.

Em essência Irving, como outros historiadores, sustenta não se poder provar seja Hitler responsável pelo que aconteceu aos judeus. Dado por não haver memorandos, nem testemunhas, confirmando isso. Sobretudo, porque jamais assinou qualquer papel com autorização para tantas mortes. Segundo ele, sem assinatura não há prova. Lá, como cá. Naquele tempo, como hoje.

Principal operador na execução dessa política de extermínio foi Adolf Eichmann. Na Gestapo, era diretor de “Assuntos referentes aos Judeus”. Segundo os defensores dessa tese, teria agido sem conhecimento do Führer. Em livro autobiográfico (“Ich: Adolf Eichmann”), Eichmann confessa: Me disseram, em conversa, que o Führer (Hitler) havia ordenado a destruição física do oponente judeu. O escritor Willem Sassen confirma isso: Eichmann não pediu ordem escrita. O desejo de Hitler, expresso através de Himmler (“Comandante militar das SS”) e Heydrich (“Chefe do Gabinete Central de Segurança do Reich”), era bom o suficiente para ele.

Mais tarde, quando a derrota lhe parecia inevitável, Hitler começou a eliminar provas, ou mesmo indícios, que o ligassem ao genocídio. Obstrução da Justiça, hoje se diria. Assim ocorreu quando os SS abandonaram Auschwitz–Birkenau. Destruindo não apenas documentos, como o próprio edifício em que funcionavam as câmaras de gás. Destruíram, igualmente, os campos de extermínio de Treblinka, Sobibór, Belzec e Chelmmo. Como, também, tentaram eliminar evidências físicas de seus crimes. Cem mil corpos foram retirados de valas comuns por tratores, após o que acabaram esmagados e queimados; sendo, já reduzidos a cinzas, devolvidos à terra em fazendas rurais.

Resumindo. A pergunta é se a ausência de um documento, assinado por Hitler, seria suficiente para negar ter sido ele responsável pelo Holocausto. No fundo, ignorando o fato de que processos penais quase nunca exigem provas tão evidentes como fotos, vídeos, assinaturas. No caso dos campos de concentração, por sorte, alguns documentos surgiram depois. Mas, basicamente, temos depoimentos dos sobreviventes. Sem nada em comum, entre eles. Como nas delações premiadas de agora. O que nos leva à questão básica de saber se, ausente uma assinatura, depoimentos ou documentos assim valeriam, como prova, para condenar alguém.

Seria cômodo, para Hitler, reduzir o problema a só uma questão de assinaturas. Problema, contra ele, é não ser crível que algo assim tão enorme pudesse ter ocorrido longe de seus olhos. Ou de seu comando. Sem conhecimento, e consentimento, da autoridade maior. Do chefe. Coincidências... Por isso, perante o julgamento da história, só resta negar. Por a culpa em outros, se possível mortos. E dizer não.

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