‘Para obter o prêmio da delação, o sujeito fala até que incendiou Roma’, diz José Eduardo Cardozo

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Publicado em 15/09/2017 às 17:55
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Em entrevista ao programa Resenha Política, do NE10, na TV JC, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo criticou o que considera excessos das delações premiadas.

“É quase uma tortura. Você prende para a pessoa delatar. Nestas condições, eu falo até que incendiei Roma, não foi Nero. A pessoa, nestas condições, como em uma tortura, fala o que o investigador quer ouvir”, afirma.

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Como exemplo, José Eduardo Cardozo citou a delação do petista Delcídio do Amaral, que acabou não se confirmando em relação ao suposto uso de um ministro do STJ para barrar a Lava Jato.

O que é curioso é que, como parlamentar, Cardozo foi um dos autores das mudanças na legislação, como a lei da ficha limpa e a introdução da delação premiada. “Eu pensava que, depois de investigações, as pessoas seriam presas e, diante de provas e após muitas investigações, como o Estado brasileiro pode fazer, os criminosos iriam se convencer que não teriam outra saída do que entregar os cabeças, colaborar. Mas o que se viu foi uma inversão. Se prende para a pessoa colaborar. E o prêmio das delações é oferecido aos chefes das organizações criminosas”, comentou.

Assista à entrevista com Cardozo

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