'Nós não vamos aceitar mansamente a prisão do Lula', diz Gleisi Hoffmann

Douglas Fernandes
Douglas Fernandes
Publicado em 13/03/2018 às 7:27
Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Leitura:

Estadão Conteúdo - A cúpula do PT já admite que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser preso antes da Páscoa, em 1º de abril, e por isso decidiu intensificar a campanha para cobrar a reação dos militantes nas ruas.

Ao abrir na tarde de ontem um seminário sobre segurança pública, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), disse que o partido vai com Lula "até as últimas consequências" e não aceitará de braços cruzados a prisão. "Se eles querem trucar, saber se nós vamos pagar, nós vamos pagar para ver", afirmou. "Nós não vamos aceitar mansamente a prisão do Lula."

Logo em seguida, porém, a presidente do PT destacou que não estava pregando ofensiva violenta. Em janeiro, a senadora chegou a dizer que, para prender Lula, seria preciso "matar gente". "Antes que me questionem, não estou falando aqui que vai ter revolução. Mas a militância do nosso partido e dos movimentos que sempre lutaram ao nosso lado não vai aceitar isso pacificamente."

LEIA TAMBÉM

» Cármen Lúcia receberá advogado de Lula nesta quarta

» ‘Tem que colocar em pauta’, diz Marco Aurélio sobre prisão após 2° instância

» Governado pelo PT, Ceará vira exemplo de controle fiscal

» Gleisi critica demora do STF em julgar habeas corpus preventivo de Lula

Gleisi criticou o que definiu como "inércia" do Supremo Tribunal Federal ao não analisar a legalidade de prisões em casos de condenação pela segunda instância antes de esgotados todos os recursos judiciais. "O que estão fazendo com Lula é uma coisa sem precedentes na história deste País e fere frontalmente a Constituição. Agora caminha-se para outra vez ela ser rasgada pela inércia do Supremo de não decidir uma coisa que é vital para a sociedade, e não só para Lula", disse.

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) deve julgar o recurso impetrado pela defesa de Lula entre os dias 26 e 28 deste mês. O PT não tem qualquer expectativa de reverter ali a sentença que condenou Lula a 12 anos e 1 mês de prisão no caso do triplex do Guarujá. Diante desse cenário, a defesa do ex-presidente pede que o Supremo julgue com urgência ações que tramitam na Corte, sob o argumento do princípio constitucional da presunção de inocência.

"Às vezes ouço dizerem que estamos pressionando o Supremo pelo julgamento. Não é pressão, mas o direito do presidente Lula ter resposta. Isso vale para qualquer cidadão. Esperamos que o Supremo faça isso para que possamos atravessar esse ano de 2018 com alguma normalidade democrática", disse o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, coordenador do programa de governo de Lula.

Últimas notícias