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Bolsonaro representa esse antifeminismo, diz Priscila Lapa

Douglas Fernandes
Douglas Fernandes
Publicado em 22/09/2018 às 19:40
Foto: Reprodução/TV Jornal
Foto: Reprodução/TV Jornal
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Líder das pesquisas na corrida presidencial, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) apresenta uma disparidade quando se compara o seu percentual de intenção de votos entre o eleitorado masculino e feminino. Para a cientista política Priscila Lapa, o fenômeno tem dois fatores: o movimento para fortalecer a representação das mulheres na política e o fato do capitão reformado ser, segundo ela, um representante do antifeminismo.

Em entrevista ao programa 20 Minutos da TV Jornal com o cientista político Antônio Lavareda, a especialista afirma que Jair Bolsonaro "atiçou" esse movimento de mulheres contrários a ele, a exemplo da campanha #EleNão que ganhou as redes sociais. Ela ressalta, contudo, que há também mulheres que se dizem ser representadas pelo presidenciável do PSL e acreditam que há outras questões mais relevantes do que a pauta feminina.

"Eu acho que uma pauta feminina vem com força nessa eleição e nesse caso o candidato Bolsonaro representa esse antifeminismo por meio de declarações, de posturas políticas. Ele consegue protagonizar uma pauta antifeminina. Ele atiçou esse movimento de mulheres que procuraram nesse ponto da pauta um espaço de mobilização de mulheres, de trazer com toda a força agora. Tinha uma conjuntura favorável para isso acontecer porque já havia essa discussão anterior da mulher ocupar mais espaço na política. Então, é como elas tivessem se sentido atingidas por isso", disse a cientista política.

"A gente viu que não na mesma proporção há uma reação daquelas que dizem: 'sim, eu voto (em Bolsonaro). Ele me representa, essa não é a questão mais relevante da eleição'. Então, essa discussão da representação feminina seja por um discurso feminino, realmente, ou por um candidato que protagonize esse antagonismo às mulheres, vai ter um efeito depois dessa eleição", completou.

Questionada sobre a sua expetativa sobre o crescimento da representação feminina no Congresso, a especialista disse apostar na manutenção do atual quadro de baixo número de deputadas e senadoras apesar das mudanças na legislação eleitoral. Para Priscila Lapa, a obrigação dos partidos reservarem 30% do fundo eleitoral para candidaturas de mulheres foi um avanço. A especialista lembra que a vinculação da quantidade postulante e os recursos do financiamento de campanha era uma pauta antiga. Ela ressalta, contudo, que as siglas conseguem "mascarar" essa obrigatoriedade.

"Os partidos utilizaram algumas estratégias de trazer mais mulheres para ocupar o cargo de vice. Isso foi uma tendência que aconteceu e isso aí mascarou de certa forma a utilização dos recursos para as candidaturas proporcionais. Isso foi muito denunciado no período de formação das chapas. Eu acredito que isso vai fazer com que as coisas permaneçam mais ou menos como elas estavam até então", afirmou.

Segundo Priscila, o fim do financiamento privado de campanha e o consequente barateamento das campanhas não fizeram com que as mulheres disputem a eleição de maneira menos desigual. Ela cita como uma das barreiras as poucas mulheres no comando de partidos.

"Eu acho que a gente tem poucas mulheres, por exemplo, exercendo os cargos de liderança partidária e, na hora de mobilizar os partidos em torno dessas candidaturas, isso ainda faz muita diferença", disse.

A cientista política vê uma polarização no debate sobre a representação das mulheres na política e a falta de compreensão de "não, necessariamente, mulher representa mulher". Para ela, a questão é "muito mais qualitativa até do que, propriamente, só aumentar essa representação".

"Eu acho que essa pauta da representação feminina é ainda muito polarizada entre quem defende radicalmente e quem defende de forma nenhuma porque acha que a competição vai se dar naturalmente", disse.

"A gente tem exemplos de bancadas estaduais, de bancadas municipais que não têm nenhum tipo de projeto, que não têm nenhum tipo de agenda, que represente esses interesses femininos", ressaltou.

 

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