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No segundo turno, Ciro Gomes devolve 'rasteira' no PT e 'isola' Haddad

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Publicado em 28/10/2018 às 19:50
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Após o fim do primeiro turno da disputa presidencial e a definição dos candidatos que se enfrentariam no segundo turno, a campanha do petista Fernando Haddad (PT) esperava ansiosamente por uma declaração de apoio explícita de Ciro Gomes (PDT) à candidatura do ex-prefeito de São Paulo. Acontece que as coisas não aconteceram do jeito que a campanha de Haddad esperava. Ciro declarou apoio “crítico” ao petista e devolveu a rasteira que recebeu do PT ainda antes do primeiro turno das eleições.

Com 94,44% das urnas apuradas, Jair Bolsonaro (PSL) garantiu a vitória sobre Fernando Haddad (PT) e foi eleito presidente da República. A vitória foi assegurada no momento em que ele tinha 55,54% dos votos, quando Haddad aparecia com 44,46%.

Ciro Gomes (PDT) - que foi terceiro lugar na disputa do primeiro turno com 13.344.371 votos - deixou para a véspera do dia de votação sua declaração e devolveu o “isolamento” que o PT deu no pedetista ainda antes da corrida eleitoral, quando Ciro buscava uma aliança mais ampla entre os partidos de esquerda e se viu isolado na disputa presidencial depois que o PT e o PSB firmaram aliança em Pernambuco.

O candidato do PDT à Presidência da República, postou nesse sábado (27) um vídeo de pouco mais de 2 minutos para informar ao eleitorado que não vai apoiar a candidatura de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto. Segundo ele, “uma razão muito prática”, a qual não revelou o impede de assumir posição na véspera do segundo turno.

“Claro que todo mundo preferiria que eu, com meu estilo, tomasse um lado e participasse da campanha. Mas eu não quero fazer isso agora, por razão muito prática, que não quero dizer agora porque, se eu não posso ajudar, atrapalhar é que eu não quero”, disse.

Durante os debates no primeiro turno, Fernando Haddad (PT) chegou a revelar Ciro foi sondado para ser vice de Lula. Segundo Haddad, durante as tentativas de se montar uma frente de esquerda, Ciro Gomes era o principal nome para ocupar o lugar de vice da chapa. "Ele chegou a ser sondado para ser vice, mas o PDT entendeu que era o caso manter a candidatura (de Ciro)", explicou.

Começou em Pernambuco

O ex-governador do Ceará se viu ilhado depois que Renildo Calheiros (PCdoB) articulou toda uma aliança entre socialistas, comunistas e petistas. Calheiros, que é ex-prefeito de Olinda, buscava viabilizar sua candidatura para deputado federal, assim como a presidente nacional do PCdoB Luciana Santos. Por cálculos eleitorais, Renildo precisava encaixar Luciana na chapa majoritária de Paulo Câmara (PSB) para que os dois tivessem êxito na disputa e nenhum dos dois saísse perdendo.

Porém, para que Luciana Santos ocupasse a vaga de vice na chapa socialista seria necessário que o PDT de Ciro Gomes deixasse a base aliada de Paulo visto que o partido também almejava uma vaga na chapa majoritária com Zé Queiroz (PDT); e foi o que aconteceu. Com a entrada da ex-prefeita de Olinda como vice, a jogada eleitoral do PCdoB refletiu diretamente na disputa presidencial.

Com a saída do PDT da base de Paulo, Ciro ficou isolado, sem o apoio do PSB e do PT - que se aliou informalmente ao partido socialista. Sem possibilidade de aliança entre os partidos, Ciro Gomes montou uma chapa puro sangue com a também pedetista Kátia Abreu para a disputa pelo Planalto, chegando ao terceiro lugar com 13.344.371 votos.

O candidato do PDT à Presidência classificou, na época, a aliança do PSB com o PT - que deixou os socialistas em posição de neutralidade nas eleições presidenciais - como um ato desleal e traiçoeiro. O pedetista afirmou que enxergava a aproximação do PT ao PSB como uma tentativa de enfraquecer sua candidatura.

“É preciso muito calma nessa hora… Evidente que nossa gente e nossa militância ficaram muito frustradas e irritadas com a forma desleal e traiçoeira com a qual aparentemente fomos tratados”, disse Ciro.

Logo após o resultado do primeiro turno, o deputado federal eleito pernambucano Tulio Gadelha sugeriu que Fernando Haddad renunciasse a disputa para que Ciro assumisse seu lugar, alegando - embasado em pesquisas de intenção de voto - que apenas o candidato do PDT seria capaz de vencer Jair Bolsonaro no segundo turno, o que não aconteceu. Haddad não renunciou e nem tão pouco ganhou o tão esperado apoio de Ciro, que viajou para Europa e só chegou ao Brasil na sexta-feira (26), faltando dois dias para o segundo turno.

A campanha do PT não esperava que Ciro Gomes daria o “troco” no segundo turno, quando o pedetista - que almeja o Planalto em 2022 - não declarou voto explícito a Fernando Haddad (PT) e isolou o petista que tentava transferir os votos que Ciro recebeu no primeiro turno para tentar vencer Jair Bolsonaro (PSL). Apesar do "isolamento", Haddad venceu no estado de Ciro Gomes, Ceará, com 71,02% dos votos.

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