No Brasil, protestantismo tem a cor negra. Dai chamar evangélicos de fascistas ou racistas não cola

jamildo
Cadastrado por
jamildo
Publicado em 29/10/2018 às 14:00
Leitura:

Este ano marca os 130 anos da abolição da escravatura. O Brasil foi o maior território escravagista do ocidente. Dos doze milhões de escravos trazidos para as Américas, cerca de 5 milhões vieram para cá. Foi também o último país do ocidente a acabar com o tráfico, em 1850, e a abolir a escravatura, em 1888.

Pois bem.

No dia 8 de novembro, a partir das 9h, acontecerá o Simpósio "Protestantismo, Escravidão e Abolicionismo", realizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), no auditório da Escola Americana, no Campus Higienópolis, em São Paulo.

De acordo com a pesquisadora e professora de Antropologia e Ciência da Religião da UPM, Lidice Meyer Pinto Ribeiro, o evento ressalta um marco na história do protestantismo brasileiro.

"Durante todo o período escravagista a Igreja se manteve dividida entre protestantes escravocratas e protestantes abolicionistas. Através deste evento teremos a oportunidade de discutir abertamente posições conflitantes da igreja protestante brasileira do século XVIII a XIX, bem como os resultados destas posições para a igreja de hoje", comenta a especialista.

"O Mackenzie teve uma postura de vanguarda por ter seu início em uma sala de aula com a presença de brancos e negros aprendendo juntos na casa de Chamberlain. Neste simpósio, vamos nos abrir para uma discussão sobre nosso passado histórico, conhecer a atual situação do negro no país e nas igrejas e, nos aventurar a sonhar e a produzir um futuro de mais respeito e menos preconceito", explica Lidice.

"Nosso país foi gestado através da mão de obra escrava. O leite das amas e o suor dos trabalhadores cativos fecundou nossa terra. O sangue africano corre nas veias da maioria dos brasileiros e nossa raiz cultural é inseparável desta herança. A escravatura pode ter sido oficialmente abolida em 13 de maio de 1888, mas o legado dos mais de 350 anos permanece. Ainda hoje, o eco da escravidão é um fantasma que assombra o país, representado nas polêmicas sobre cotas para estudantes, na zona de pobreza e de violência na periferia das metrópoles, na população carcerária e até mesmo em discussões sobre a representatividade negra na televisão e nos ambientes de trabalho", explica a professora de Antropologia.

As palestras e mesas redondas serão voltadas para a análise da relação entre o protestantismo, o período escravocrata e o abolicionismo no Brasil e, discutir a atuação do negro no protestantismo atual, suas lutas e conquistas.

A palestra de abertura será proferida pelo reverendo José Roberto Alves Loiola, professor da UMESP – Universidade Metodista de São Paulo e coordenador do ministério de combate ao preconceito racial da Igreja Metodista com o tema: "Protestantismo e Escravidão: andarão os dois juntos se não estiverem de acordo?".

Na sequência a mesa de debates acerca do Mackenzie e a Escravidão com o Dr. Marcel Mendes, diretor do Centro de Educação, Filosofia e Teologia (CEFT), abordando a posição de Chamberlain e o reverendo Gerson Correia de Lacerda, da Igreja Presbiteriana Independente de Osasco, tratando sobre a posição de Eduardo Carlos Pereira.

Entre os destaques, no período da tarde, os ouvintes terão a oportunidade de participar da palestra de Maurício de Melo Menezes, ex-presidente e membro do Conselho Deliberativo do Instituto Presbiteriano Mackenzie, sobre o "Protestantismo e o Abolicionismo através dos Selos".

Em seguida, acontece um bate-papo com o pastor Marco Davi de Oliveira, autor do livro "A igreja mais negra do Brasil", sobre os resultados do abolicionismo no protestantismo brasileiro.

O simpósio é aberto a todos os interessados pelo assunto, de qualquer formação acadêmica ou origem religiosa.

 

Últimas notícias