Felipe Carreras ignora críticas de Carlos Siqueira, aguarda ação do PSB e diz que vai tomar decisão com ‘cabeça fria’

jamildo
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Publicado em 11/07/2019 às 18:58
Fotos: Hesíodo Góes/Divulgação
Fotos: Hesíodo Góes/Divulgação
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Ao menos dois partidos nacionais estão de olho na possibilidade de aproveitar o nome do deputado federal Felipe Carreras para a disputa da Prefeitura do Recife em 2020. Um deles é o PSDB, de Bruno Araujo. Outro é o PSD, de André de Paula.

O deputado Felipe Carreras (PSB) disse ao blog, neste começo de noite, que vai aguardar os desfechos dos acontecimentos, depois de ter votado a favor da reforma da Previdência e ter despertado a ira de parte dos militantes e a direção do PSB, partido que havia fechado questão contra a reforma.

Nesta quinta-feira, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, chegou a dizer que Carreras havia traído o partido. Outros 10 deputados federais também votaram a favor da reforma, em uma bancada de 32 nomes.

Carreras evitou polemizar. “Prefiro não comentar. Não vou trocar farpas. Carlos Siqueira está agindo na emoção”, disse.

“Vou tomar uma decisão em casa, não com cabeça quente. Vou esperar a poeira baixar, ter tranqüilidade para tomar uma decisão. Vou antes esperar as coisas acontecerem”, afirmou.

Carreras também disse que não se arrepende do voto que deu, ajudando na aprovação.

"Votei com convicção e foi o voto certo. Tomei a decisão ouvindo a grande parte das pessoas que votaram em mim", afirmou..

O deputado explicou que o discurso do partido era não votar a reforma se vários pontos não fossem retirados. Os pontos eram a desconstitucionalização, o BPC, o trabalhador rural, e capitalização.

“Todos os itens foram retirados (não havia mais discurso para ser contra) na Câmara dos Deputados”.

“Até sindicatos, quando entram em uma negociação, sabem que não conseguem tudo”, afirmou.

“É como o sujeito que, por não querer vender o seu carro, bota o preço lá encima”, avaliou a posição do PSB.

Tiro pela culatra?

Nos meios políticos locais, também se fala que o deputado federal tem um acordo com André de Paulo, do PSD, para dar lhe palanque para disputa municipal no próximo ano.

“Já está acertado”, diz uma fonte do blog.

“Carreras não votou por convicção, votou por cálculo, para ser expulso do partido. O problema é que o tiro saiu pela culatra. Carreras pensava que só ele iria votar contra e poderia virar vítima ou herói, que poderia ser expulso para dar o exemplo. Como outros dez fizeram o mesmo, desafiaram o partido, o PSB não vai ter coragem de mandar todos embora. O castigo dele vai ser ficar no PSB”, avalia um adversário.

Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

 

PSDB coloca tapete vermelho

O presidente Nacional do PSDB, Bruno Araújo, disse ao blog que abriu as portas do partido para o deputado federal Felipe Carreras, ameaçado de expulsão no PSB depois de ter votado a favor da reforma da Previdência, nesta quarta-feira.

“Avisei a (Felipe) Carreras. Se a lei permitir, você considerar e quiser vir, o PSDB repõe o valor (do fundo partidário, cobrado pelo PSB, em retaliação ao voto a favor da previdência) e você é bem vindo ao PSDB.”, informou ao blog Bruno Araújo.

O deputado tem mantido distância da imprensa e não se pronunciou, nem nas redes sociais, hoje.

Nesta quinta-feira, Carlos Siqueira disse que os deputados do PSB serão cobrados a restituir o dinheiro que o partido investiu em suas campanhas vitoriosas. No caso, Felipe Carreras teria recebido R$ 1,3 milhão e será obrigado a devolver. Carreras foi o único pernambucano que desobedeceu a orientação do comando nacional.

Nos meios políticos locais, não se dá como crível que o PSB vá afastar 11 deputados, em uma bancada de 32 nomes, sob pena de definhar sua representação de modo significativo na Câmara dos Deputados.

Em todo caso, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, falou na rádio CBN local, nesta tarde, sobre a crise gerada no partido com a votação da reforma da Previdência, nesta quarta-feira, na Câmara dos Deputados. O PSB havia fechado questão, contra a reforma, mas 11 deputados votaram de acordo com suas consciências, ajudando a aprovar a reforma.

Carlos Siqueira disse que já lhe foi enviada, na comissão de ética, representações solicitando expulsar 11 deputados federais, que votaram a favor da reforma.

“Já recebemos representação contra todos eles, solicitando a expulsão. Encaminho amanhã para comissão de ética e reúne na segunda para instituir o processo. Todos eles responderão à processos. A comissão de ética vai dizer a qual a medida que deve ser adotada. A gravidade da infidelidade o diretório vai julgar”, afirmou.

Carlos Siqueira disse que o deputado resolveu ceder aos apelos do poder econômico e votar a reforma “contra população”.

“Nós já temos precedentes. É uma infidelidade de natureza grave. Felipe que resolveu mudar de lado”, afirmou.

“Ele traiu suas origens, mas é assim mesmo. O povo vai julgar”, disse.

Mais cedo, o blog informou que vários movimentos internos do PSB exigiram a expulsão dos deputados federais do partido que votaram a favor da reforma.

“Exigimos a expulsão dos parlamentares do partido que votarem em favor da PEC 06/2019 na Câmara”, diz o texto.

Na íntegra: “Em defesa dos direitos da população mais sofrida deste país e da história do PSB exigimos a expulsão dos parlamentares do partido que votarem em favor da PEC 06/2019 na Câmara e no Senado Federal”, diz a nota assinada pelos secretários nacionais do Movimento Popular, Acilino José de Almeida; de Mulheres, Dora Pires; Sindical, Joilson Cardoso; LGBT, Tathiane Aquino de Araujo; Juventude, Toni Sechi, e Movimento Negro, Valneide Nascimento.

Nas redes, tentando jogar mais lenha na fogueira, o deputado federal Daniel Coelho (Cidadania) parabenizou seu “adversário” Felipe Carreas, por votar a favor da reforma.

“Sempre fui adversário do deputado Felipe Carreras , mas tenho que reconhecer sua coragem em enfrentar o populismo irresponsável do PSB. Nessas horas dividimos os que so pensam em eleição, daqueles que tem compromisso público”, disse Daniel Coelho.

Maiores derrotados da votação da reforma foram o PSB e PDT. Fecharam questão no voto contra e viram seus deputados ignorarem a posição partidária. Mostraram uma falta completa de unidade ideológica e programática em suas bancadas.

— Daniel Coelho (@DanielCoelho23) 11 de julho de 2019

Na manhã desta quinta-feira (11), o governador Paulo Câmara – que é vice-presidente nacional do PSB – foi questionado sobre uma eventual punição aos parlamentares que votaram a favor, mas se limitou a dizer que o processo deve seguir o seu “ritmo”, ouvindo os deputados e sendo convocado o Diretório Nacional. O governador não mencionou a realização da reunião.

“Isso é uma decisão que o diretório tomou, de fechamento de questão e vamos aguardar. Não pode haver nenhum tipo de ação contra deputados que descumpriram a decisão do partido sem ter também a convocação do diretório nacional, da discussão, do prazo. A questão de ouvir o outro lado. Tem um ritmo aí a ser observado que o partido com certeza vai fazer. Agora é conversar, porque a gente sabe da importância do nosso partido e vamos continuar a trabalhar incansavelmente para melhorar o Brasil”, afirmou, após reunião do Pacto pela Vida.

Veja abaixo a nota oficial dos movimentos

Defender a Previdência Pública, razão de ser socialista

O Sistema de Seguridade Social é a maior conquista do povo brasileiro nos últimos 34 anos de democracia, fruto de um amplo pacto estabelecido na Constituição de 1988.

Formado pelas políticas de saúde, previdência e assistência social, o atual sistema se complementa com iniciativas como a política de valorização do salário mínimo e a aposentadoria social rural, constituindo-se em uma poderosa plataforma de proteção social.

A PEC 06/2019, proposta pelo governo de Jair Bolsonaro e em discussão no plenário da Câmara dos Deputados, é o ataque mais cruel e destruidor a esse Sistema de Seguridade Social.

Injusta, antipopular e regressiva, a reforma da Previdência atenta de forma impiedosa contra a maioria da população mais pobre e, com seu caráter claramente financista, atende aos interesses do sistema financeiro e da elite empresarial brasileira.

Sacrifica os mais pobres para enriquecer ainda mais os ricos.

Portanto, os segmentos sociais organizados do Partido Socialista Brasileiro não podem concordar com esta reforma, que contraria os princípios programáticos do PSB, partido que ao longo de seus 70 anos esteve sempre vigilante na defesa dos interesses populares e nacionais.

Aprovamos em todos os congressos do PSB a Previdência Pública como bandeira de luta socialista; assim, a resolução aprovada pelo Diretório Nacional, na segunda-feira passada (8), de fechamento de questão contra a reforma da previdência, corresponde integralmente às decisões dos congressos do PSB, inclusive, o XIV, realizado em março de 2018.

Por fim, em defesa dos direitos da população mais sofrida deste país e da história do PSB exigimos a expulsão dos parlamentares do partido que votarem em favor da PEC 06/2019 na Câmara e no Senado Federal.

Brasília, 10 de julho de 2019.

Acilino José de Almeida – Secretário Nacional do Movimento Popular

Dora Pires- Secretaria Nacional de Mulheres

Joilson Cardoso- Secretário Nacional Sindical

Tathiane Aquino de Araujo – Secretária Nacional LGBT

Toni Sechi- Secretario Nacional da Juventude

Valneide Nascimento- Secretária Nacional do Movimento Negro

 

 

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